Sentindo os sentidos
Sentidos
Apurados
Entretecidos
Vivos
E aguçados
Que nos levam
A ver
Por entre os cortinados
Desse algo a se querer
Desse ir além
Do entender
E saber bem
Também
O sentir
Desse algo intenso
O bulir
Desse lamento
Que levamos por dentro
O ir
Suave e lento
Barca que navega por dentro
Vela levantada,
entre tudo ou nada
Pela brisa ou alento
Maré ou maresia
Sentido que nos embala
Nos leva e nos guia
A seguir
A perseverar
A deixar fluir
Sem se apagar
Essa chama
liquefeita
Essa melodia
mais que perfeita
Que nos é entregue
Por ser algo leve
Para se partilhar
E depois, deixar-se levar
Nesse momento intenso
Depois desse algo ileso
Que feriu
o coração por dentro
E se deixou vogar no tempo
E escorreu pelo ser adentro
Até se deixar agarrar
Nesse entrever de relance
Nesse mais sublime romance
Do instante
Com seu tempo
Do sorriso
No olhar atento
E no firmamento
Iluminado
O ser alado
poisado
Por tão bem
se ter amado…
Cada instante
Eternidade
Cada sentido
Assim feito verdade
Poemas de vida
Se trouxesse ao de cima
Essa minha sina escondida
Se me deixasse tocar
Pela senda serena
que me é dada a andar
E nesse poisar
sem sobressalto
Deixar esse pé
descalço
Sentir toda essa humidade
perene
Essa suave morada
ao de leve
E inspirar
Deixar-se molhar
Pelo encanto
Desse mundo
sem sobressalto
gotas que pairam no ar
nesse alento quente
nesse algo ao de leve
que rodopia sem parar
e nos abraça sem se notar
E Sempre a nos admirar
Reflexo vivo e sentido
Desse algo que não digo
E que procuro
assim poder chegar
A transparecer,
a entretecer
A deixar jorrar
Palavras de mil cores
Letras de mil amores
E janelas
Todas belas
A se deixar trespassar
Pela luz das estrelas
do sol ou luar
Nesses recantos deixados
Cobertos os móveis amados
Aonde repousam
arrumados
Os poemas
mais prezados
Que ainda não me foi dado
A poder assim divulgar
Esses que lês
entre os espaços
deixados
nestes recantos
inacabados
E que se lançam
Em ti a vagar
Entre os momentos
escassos
Nos que nos é dado
a sonhar
Vento em Espirais
Sentir o vento em espirais
Sedento de te tocar
Trespassar
Brincando com afolha desgarrada
Que da árvore em vida foi retirada
Pairando, dançando com ela
Suavidade entre a treva
E nessa dança
Que por nós avança
Nesse festival de vida
Que se levanta
Vem poisar
Em tua mão estendida
Vem aninhar
Em cada gesto humanidade nascida
Nesse remanso
Que o vento penteia ao de leve
Nessa paz
Que a brisa sopra na pele
Nessa tranquilidade
Que se faz
Ao dar de ti o que és capaz
E sendo entregue
Sem ser de ânimo leve
Essa folha
Colorida
Página
De vida
Vai chegar ao ribeiro
Que a leve
Ao rio
que a ampare
Ao mar que se elevando
Assim a eleva
E ao lugar
onde se vai encontrando
Nessa folha
Em branco
Onde ainda suspiram
Teus sonhos de encanto
Tuas palavras de meio-dia
Tuas verdades mais simples
Teus sentimentos
na manhãzinha
E nesse ocaso
Pintado
Folha a teu lado
Vês de novo rodopiar
Nesses flocos de neve
Tão alvos
Que o vento faz pairar
Letras doiradas
Amar a tela em branco
Esse algo que se quer tanto
Essa imagem em ti levada
Esse eco
Na pedra lavrada
Esse fundamento
Que se levanta
Na folha mais simples
Do ser que a planta
Nessa rua ainda vazia
Nesse lugar
Onde ninguém a anuncia
Nesse algo que se pronuncia
Assim sem querer
Nessa letra doirada
No peito gravada
Esperando o teu querer
Para voltar a acontecer
poema seleto
Traduzir o sentir em sentido pleno
O pensar em algo suave e ameno
Esse balouçar de musical temperança
Essa brisa na tempestade trazendo bonança
E nessa sobriedade de se querer abraçar
O tempo, o firmamento, o mais amplo mar
De amar embevecidos, desse algo a partilhar
Assim como que possuídos
por essa força que emerge
Por esse íntimo profundo
que nos submerge
No centro mais recôndito
No amago mais secreto
Nessa fonte borbulhante
Onde todo o ser é seleto
E sendo bem prendado
Por se ter
Com todo o ser
Assim se abeirado
Espirais II
Nesse calor mais do que quente
Nesse irradiar entre a gente
E plantar
letras de sonho
E deixar-se
Levar
Qual a folha no vento
Pairar
Quais remansos
de águas claras
Refletir
Sem deixar ir
Esse momento
a se partilhar
Quais vagas
nas marés
A teus pés
Sibilando
Lambendo
Tocando
Suavidades
Serenas mocidades
Que se trazem ao luar
Vestidas
Em danças esquecidas
Entre os céus a cintilar
Essas mesmas
flores garridas
Silvestres
E nascidas
Nesse teu peito
Devagar
Qual alento
Que se partilha
Ao de perto
Qual nos humilha
Para se mostrar
Nessa humildade
Da certeza
Dessa terra
que nos preza
Vidas Entretecidas
E nessas vidas entretecidas
Entrelaçadas por ninguém
Apenas reconhecidas
Por estar lado a lado
Nascidas
Assim por onde se souber
E se lembrássemos
o olhar primeiro
Que nos demos
Ao nos reencontrar
Esse momento
sobranceiro
Que pudemos
Enfim achar
E nesse algo de abraço
No regaço ledo quedo
Silenciado
Estava o sorriso ameno
Do ser conhecido
Assim também amado
Cantos Interiores
Serenidade
Para se navegar
Nas asas dos sonhos
Sem se deixar levar
Desperta, amente aberta
Coração a palpitar
E a janela
De cristalina certeza
Ao se deixar levar
E nesse quarto guardado
Nesse lugar almejado
Ver ao redor
Acontecer
Histórias das vivas memórias
Estrofes dessa alegria guardada
Nesses armários
Onde se escondia uma quadra
E nos momentos
Nos que voltar a olhar
Ver gentes que se desconhecia
Nessa mesma harmonia
A se entretecer devagar
E da história
Simples memória
A se voltar a pintar
Estender pontes de poesia
Nesse tema que se abria
Qual livro que se lia
Assim de par em par
Abraço dado
Em segredo guardado
Aqui sereno e estilizado
Para se poder voltar a lembrar
Coragem
Uma frase
De coragem
Um assentir
Sem imagem
A se reter
Um ir mais perto
Que o pensamento
E sentir alento
A nos envolver
Uma presença de verdade
Sem tempo marcado
Sem vaidade
Para ser qual clave na melodia
Ser âncora nessa maresia
Na que vogamos sem cessar
Uma nota de alegria
Um tom de sintonia
Uma palavra a nos falar
Todas elas
Quais estrelas
Cintilando
Todas elas
Tão belas
Se do coração
Emanando
Sabor a sal
Filigranas de cristal
Lágrimas transparecidas
Pela luz desse ser igual
Pela água e sal
Que nos acontecia
Quando de mim saiam
Acariciando
Suavidades
Desses lugares
Que se vão afastando
Quando a tua face
Era sonhada
E era a brisa
A que a tocava
E nesse esplendor
Do momento
Entregar tudo
O que levamos dentro