Mais perto
Chega de tempo de estar mais perto
Desse calor e amenidade
Dessa brisa no deserto
Desse reflexo em campo aberto
Que traz ao coração a saudade
E nesse trejeito de abraço dado
Nesse se achegar
Mais lado a lado
E de estar quase tão perto
Que se pode assim tocar
Esse peito aberto
Emanando canções de embalar
E melodias
Todos os dias
Vivas e por se celebrar
Essas palavras amigas
Sentidas
Profundas para se levar
Ali e aonde esteja
Outro lugar profundo
Onde as voltar a plantar
Espirais II
Nesse calor mais do que quente
Nesse irradiar entre a gente
E plantar
letras de sonho
E deixar-se
Levar
Qual a folha no vento
Pairar
Quais remansos
de águas claras
Refletir
Sem deixar ir
Esse momento
a se partilhar
Quais vagas
nas marés
A teus pés
Sibilando
Lambendo
Tocando
Suavidades
Serenas mocidades
Que se trazem ao luar
Vestidas
Em danças esquecidas
Entre os céus a cintilar
Essas mesmas
flores garridas
Silvestres
E nascidas
Nesse teu peito
Devagar
Qual alento
Que se partilha
Ao de perto
Qual nos humilha
Para se mostrar
Nessa humildade
Da certeza
Dessa terra
que nos preza
Melodias
Melodias
Que me dizias
Que se entreteciam
No teu caminhar
Poisar ao de leve
Tudo o que vias
Tudo o que levavas
Nesse teu olhar
E na luz que se reflete
Assim mais além promete
Voltar a se abeirar
Calor humano
Entre o ser profano
E a graça
Desse tempo dado
Para se compor
Com amor
A devoção desse ardor
Sempre por dentro a queimar
Riso alegria… dor
Palavras de amor
Para se fazer levar
Nesse peito que aconchega
Nessa letra de melodia leda
Nesse suave encontro de encanto
Nesse momento
no que se está abeirando
Desse centro tão vasto
De onde nascem
De onde partem
Asas de luz e prosa
Melodias de poesia e rosa
Assim entregue
Por ser flor de amor
Em cada espinho a lembrança
Em cada pétala a bonança
Em cada aroma assim destilado
Esse perfume de vida
Que nos é destinado
Perseverar
E se a onda da adversidade
Puser à prova a verdade
Desse sentido sentimento
Dessa paixão
que arde por dentro
Desse sonho
Alegre e sedento
De te encontrar
Integro, pleno, verdadeiro
E nesse teu lugar soalheiro
Poder assim plantar
Sementes dessa essência vivente
Desse algo mais corrente
Qual água viva que te permeia
E te refaz qual lama
Que se deixa modelar
E nas mãos do oleiro
Momento a momento amado
Vai assim sendo transfigurado
Esse sonho ainda não encontrado
Em ti está o querer
De perseverar
e chegar a ver
Concretizado
Esse algo que no íntimo
Ficou assim em ti plantado
Alegria ou pranto
Nesse sentido solitário
De se lançar
De mergulhar
Nesse algo absoluto
Aveludado
Nesse ermo
De calor plantado
de cores por imaginar
Nessa noite
Sonhada
Entre o ramo que vergava
Na suave luz do luar
E nessa brisa
Que se pensa
E se levanta
Quando algo se poisa
Se deixa
Se pisa
E se planta
Para ver surgir devagar
Cuidando
Com o sentir tanto
Lavando
Com alegria e pranto
Levando por dentro
Sentido sentimento
E abraçando
Ao se bem chegar
Quem sabe
Um dia
Ora uma noite
Assim a se entregar
poema seleto
Traduzir o sentir em sentido pleno
O pensar em algo suave e ameno
Esse balouçar de musical temperança
Essa brisa na tempestade trazendo bonança
E nessa sobriedade de se querer abraçar
O tempo, o firmamento, o mais amplo mar
De amar embevecidos, desse algo a partilhar
Assim como que possuídos
por essa força que emerge
Por esse íntimo profundo
que nos submerge
No centro mais recôndito
No amago mais secreto
Nessa fonte borbulhante
Onde todo o ser é seleto
E sendo bem prendado
Por se ter
Com todo o ser
Assim se abeirado
Dias de inverno
Dias de inverno
Tão certo
Como que a primavera
trará ao de cima
Essa semente garrida
Em teu peito a aninhar
E nesse tempo de estiva
será já florida
Para alimentar
quem dela queira provar
Poemas entre ocaso e madrugada
Poemas nas névoas da madrugada
Cores, sons e luz do ocaso
que traz céus estrelados
aos horizontes mais ansiados
esses que ainda pensamos
que poderão ser
pelo poema que se lê,
pelo tema que se crê,
assim tocados e desfiados
quando juntos
entre nós
nos entrelaçámos
e sendo desatados
esses sentimentos
assim vogam no vento
e deslizam no ser que
sedento
se venha a abeirar
desse outro lamento
que nesta vida se vem poisar
melodia mais garrida
quando por nós colorida
vereda de fantasia
na que a imaginação decora
os sentidos do dia a dia
o coração em cada hora
A pena e a pluma do poeta
Se vale a pena
Perseverar
Se vale a pena
Acreditar
Se vale a pena
Num poema
Assim acreditar
Depositar sonhos que levámos
O peito aberto que soletramos
Esse sentido sentimento que elevamos
Até trazer à luz desse querer, com vontade
Desse dar à luz essa verdade
Velada, fugidia, nua ainda que vestida
Dessas tantas definições
Perdida entre cifras e cifrões
E despojada dessa sua face mais clara
Jamais esclarecida
Que estende pontes
Aproxima
E faz do abraço mais baço
Uma esperança renascida
Ilustre Momento
Ilustrar o momento
Pintar o sentimento
Mostrar
o que levamos dentro
E nesse intento
Nesse algo
Suave e lento
Ir além do pensamento
E chegar a conceber
Esse sentido mais íntimo
Esse alento de afago
Esse algo mais sentido
Esse momento mais amado