poema seleto
Traduzir o sentir em sentido pleno
O pensar em algo suave e ameno
Esse balouçar de musical temperança
Essa brisa na tempestade trazendo bonança
E nessa sobriedade de se querer abraçar
O tempo, o firmamento, o mais amplo mar
De amar embevecidos, desse algo a partilhar
Assim como que possuídos
por essa força que emerge
Por esse íntimo profundo
que nos submerge
No centro mais recôndito
No amago mais secreto
Nessa fonte borbulhante
Onde todo o ser é seleto
E sendo bem prendado
Por se ter
Com todo o ser
Assim se abeirado
Espirais III
E sustém
Assim também
Essa humanidade
Essa humidade
Que entra por nós adentro
Água qual em ser sedento
Dessa nascente
a se encontrar
E no dom
Do coração
inflamado
Desse algo
Assim qual doirado
Num raio de luz
Assim trespassado
Para ser gérmen
Da vida
Que nos foi dado
A entregar
Em cada frase
Em cada instante
Em cada relance
Desse algo
Que sempre
se achega
Sem sequer
Se dizer
Espirais II
Nesse calor mais do que quente
Nesse irradiar entre a gente
E plantar
letras de sonho
E deixar-se
Levar
Qual a folha no vento
Pairar
Quais remansos
de águas claras
Refletir
Sem deixar ir
Esse momento
a se partilhar
Quais vagas
nas marés
A teus pés
Sibilando
Lambendo
Tocando
Suavidades
Serenas mocidades
Que se trazem ao luar
Vestidas
Em danças esquecidas
Entre os céus a cintilar
Essas mesmas
flores garridas
Silvestres
E nascidas
Nesse teu peito
Devagar
Qual alento
Que se partilha
Ao de perto
Qual nos humilha
Para se mostrar
Nessa humildade
Da certeza
Dessa terra
que nos preza
Vida partilhada
Nessa terra imaginária
Fértil ainda solitária
Esperando os teus passos
se achegando
Teu pranto
para se ir molhando
E teu suor
para se ir alagando
Até conformar
Esse sereno alento
Brisa que levamos dentro
Esse mar de amar
pairando no peito
sem se secar
E sem soçobrar levámos
A barca dos sonhos
por onde vogamos
E no caminho deixamos
Sementes de vida
que partilhámos
Dias de inverno
Dias de inverno
Tão certo
Como que a primavera
trará ao de cima
Essa semente garrida
Em teu peito a aninhar
E nesse tempo de estiva
será já florida
Para alimentar
quem dela queira provar
Poemas entre ocaso e madrugada
Poemas nas névoas da madrugada
Cores, sons e luz do ocaso
que traz céus estrelados
aos horizontes mais ansiados
esses que ainda pensamos
que poderão ser
pelo poema que se lê,
pelo tema que se crê,
assim tocados e desfiados
quando juntos
entre nós
nos entrelaçámos
e sendo desatados
esses sentimentos
assim vogam no vento
e deslizam no ser que
sedento
se venha a abeirar
desse outro lamento
que nesta vida se vem poisar
melodia mais garrida
quando por nós colorida
vereda de fantasia
na que a imaginação decora
os sentidos do dia a dia
o coração em cada hora
A pena e a pluma do poeta
Se vale a pena
Perseverar
Se vale a pena
Acreditar
Se vale a pena
Num poema
Assim acreditar
Depositar sonhos que levámos
O peito aberto que soletramos
Esse sentido sentimento que elevamos
Até trazer à luz desse querer, com vontade
Desse dar à luz essa verdade
Velada, fugidia, nua ainda que vestida
Dessas tantas definições
Perdida entre cifras e cifrões
E despojada dessa sua face mais clara
Jamais esclarecida
Que estende pontes
Aproxima
E faz do abraço mais baço
Uma esperança renascida
Dias de inverno
Dias de inverno
Tão certo
Como que a primavera
trará ao de cima
Essa semente garrida
Em teu peito a aninhar
E nesse tempo de estiva
será já florida
Para alimentar
quem dela queira provar
Espirais IV
qual seu lugar
Qual seu tempo
Qual seu vagar
Ao passar
para nós
Seu fundamento
De vida a concretizar
Da frase simples
A se entrelaçar
Na melodia mais inaudita
Nessa dança esquisita
Que se lê sem soletrar
E paira no tempo
Sem se deixar levar
Poemas de vida
Se trouxesse ao de cima
Essa minha sina escondida
Se me deixasse tocar
Pela senda serena
que me é dada a andar
E nesse poisar
sem sobressalto
Deixar esse pé
descalço
Sentir toda essa humidade
perene
Essa suave morada
ao de leve
E inspirar
Deixar-se molhar
Pelo encanto
Desse mundo
sem sobressalto
gotas que pairam no ar
nesse alento quente
nesse algo ao de leve
que rodopia sem parar
e nos abraça sem se notar
E Sempre a nos admirar
Reflexo vivo e sentido
Desse algo que não digo
E que procuro
assim poder chegar
A transparecer,
a entretecer
A deixar jorrar
Palavras de mil cores
Letras de mil amores
E janelas
Todas belas
A se deixar trespassar
Pela luz das estrelas
do sol ou luar
Nesses recantos deixados
Cobertos os móveis amados
Aonde repousam
arrumados
Os poemas
mais prezados
Que ainda não me foi dado
A poder assim divulgar
Esses que lês
entre os espaços
deixados
nestes recantos
inacabados
E que se lançam
Em ti a vagar
Entre os momentos
escassos
Nos que nos é dado
a sonhar