Lista de Poemas

Neve na Cidade II

Nesses dias de se ficar

Por não se ver alguém passar

A não ser os que cuidamos

Dos que assim estamos

A cuidar

E nesses tempos

De afastamento

Sendo o ser social

tão sedento

desse bem humano

Adquirido

Y levado

No íntimo

Jamais separado

Ver surgir a natura

Que leva a sair à rua

Para caminhar de boca aberta

Nas ruas de carros – deserta

Para ver uma capital inteira

Vir a beira e ver nevar

E nesse lugar 

mais especial 

ficar varado

A ver brincar

por todo o lado

O mais desconhecido

Com o mais amigo

A criança que deslizava

O adulto que anjos

na neve desenhava

Os bonecos

Pequenos enormes

Intensos

Que se mascarava

sem graça

E que ficavam

na praça

A sorrir

E a brilhar

Com ramos

de par em par

A bem nos abraçar
31

História de um Poema - IV - alegria e tristeza - emoção, sentimento - devoção

E o tempo se pinta de branco

 

Para o preencher devagar

Com linhas de letras imaginadas

Com sonhos dessas antigas alvoradas




Nessas vertentes

em nós cravadas

Assim desatadas

 

Pelas avalanches de lágrimas

Tão contidas como sonhadas

 

Alegrias vespertinas

Tristezas ignoradas

Sonhos de amarguras cuidadas

Plantadas na noite mais fria

Filhas do estio lembradas




Nesses momentos de estiva

Recolhidas

Assim sendo bem-amadas
10

Espirais III

E sustém

 

Assim também

Essa humanidade

Essa humidade

Que entra por nós adentro

Água qual em ser sedento

Dessa nascente

a se encontrar

 

E no dom

Do coração

inflamado

Desse algo

Assim qual doirado

Num raio de luz

Assim trespassado

Para ser gérmen

Da vida

Que nos foi dado

A entregar

 

Em cada frase

Em cada instante

Em cada relance

 

Desse algo

Que sempre

se achega

 

Sem sequer

Se dizer
11

Poemas de vida

Se trouxesse ao de cima

Essa minha sina escondida

Se me deixasse tocar

Pela senda serena

que me é dada a andar

E nesse poisar

sem sobressalto

Deixar esse pé

descalço

Sentir toda essa humidade

perene

Essa suave morada

ao de leve

E inspirar

Deixar-se molhar

Pelo encanto

Desse mundo

sem sobressalto

gotas que pairam no ar

nesse alento quente

nesse algo ao de leve

que rodopia sem parar

e nos abraça sem se notar

E Sempre a nos admirar

Reflexo vivo e sentido

Desse algo que não digo

E que procuro

assim poder chegar

A transparecer,

a entretecer

A deixar jorrar

Palavras de mil cores

Letras de mil amores

E janelas

Todas belas

A se deixar trespassar

Pela luz das estrelas

do sol ou luar

Nesses recantos deixados

Cobertos os móveis amados

Aonde repousam

arrumados

Os poemas

mais prezados

Que ainda não me foi dado

A poder assim divulgar

 

Esses que lês

entre os espaços

deixados

nestes recantos

inacabados

E que se lançam

Em ti a vagar

Entre os momentos

escassos

Nos que nos é dado

a sonhar
42

Dias de inverno

Dias de inverno

Tão certo

Como que a primavera

 trará ao de cima

Essa semente garrida

Em teu peito a aninhar

E nesse tempo de estiva

será já florida

Para alimentar

quem dela queira provar
22

Sentido Sentimento

Nesse sentido solitário

De se lançar

De mergulhar

Nesse algo absoluto

 

Aveludado

 

Nesse ermo

De calor plantado

 

de cores por imaginar

 

Nessa noite

Sonhada

 

Entre o ramo que vergava

Na suave luz do luar

 

E nessa brisa

Que se pensa

E se levanta

 

Quando algo se poisa

Se deixa

Se pisa

E se planta

Para ver surgir devagar

 

Cuidando

Com o sentir tanto

Lavando

Com alegria e pranto

 

Levando por dentro

Sentido sentimento

 

E abraçando

Ao se bem chegar

Quem sabe

Um dia

Ora uma noite

Assim a se entregar
22

Harmonia Fugidia

Ver essa harmonia no ar

E saber interpretar

Essa mensagem escondida

Essa estrela fugidia

Que nos aquece e alumia

Entre a luz do ocaso

Sadia força desse abraço

No ser que nos abraça

E envolve

E nos alcança

Quando se resolve

Assim abrir

De par em par

Esse peito aberto

Ao sentimento

Ao que levamos dentro

E que se pode partilhar

E sem sentido

desse alento

Desse folego

sedento

De se inspirar

Assim se deixar levar

por trilhos solitários

Entre os caminhos diários

E fazer única a presença

Dessa forma de sentença

Que nos faz elevar o olhar

Crer e sonhar
23

de par em par

Se te deixas esvaziar

Se dás de ti o sentido

Desse algo no centro ferido

Esperando se abrir devagar

Para dar

Sem sentido de tempo

Sem se chegar assim ao centro

Desse lugar mais profundo

Dessa luz

No confim do teu mundo

Sempre entre névoas

Plantado

Assim quais nas sombras

Desenhado

Assim descrito

À margem

Desse requadro

Dessa aragem

Dessa brisa

De passagem

Tua face acariciando

Assim indelével

Desenhando

Teu verdadeiro rosto

Cantando

Ao se ouvir passar

Essa melodia

garrida

Essa cor

mais quente e viva

Essa que entregas

 

Por o sentir

Viver

Prosseguir

 

Nessa vereda

entre águas

deixada

 

Nessa fluidez

Que planeja

Entre as asas

Imaginadas

 

Quando abres

Braços

E abraças

Oferecendo

o teu peito

Aberto

À alvorada

 

E essa luz

Ancorada

Nessa enseada

Ondulada

Pelas marés

Temperada

Acariciada

Pelas mãos

Que se abrem

para dar

assim

de par em par

Cuidada
39

Espirais II

Nesse calor mais do que quente

Nesse irradiar entre a gente

E plantar

letras de sonho

E deixar-se

Levar

 

Qual a folha no vento

Pairar

 

Quais remansos

de águas claras

Refletir

Sem deixar ir

Esse momento

 

a se partilhar

 

Quais vagas

nas marés

A teus pés

Sibilando

Lambendo

Tocando

Suavidades

Serenas mocidades

Que se trazem ao luar

 

Vestidas

Em danças esquecidas

Entre os céus a cintilar

 

Essas mesmas

flores garridas

Silvestres

E nascidas

Nesse teu peito

 

Devagar

 

Qual alento

Que se partilha

 

Ao de perto

Qual nos humilha

Para se mostrar

Nessa humildade

Da certeza

Dessa terra

que nos preza
12

Dias de inverno

Dias de inverno

Tão certo

Como que a primavera

 trará ao de cima

Essa semente garrida

Em teu peito a aninhar

E nesse tempo de estiva

será já florida

Para alimentar

quem dela queira provar
11

Comentários (0)

ShareOn Facebook WhatsApp X
Iniciar sessão para publicar um comentário.

NoComments