Entre abraços
Navegar
Nas asas do vento
Nesse momento ao relento
Que entra bem dentro
E nos faz divagar
Nesse recanto sedento
Desse algo de portento
Que nos eleve no tempo
E faça o espaço sangrar
Dessa formosura desmesurada
Dessa desmesura entre tudo e nada
Dessa fagulha na madrugada
Que foi acesa quando se levava
Assim esse outro olhar a brilhar
Nesse sal mergulhada
Vendo como deslizava
Nessa face perfumada
Nesse rosto sendo gravada
A letras de prata lavradas
Pelo teu querer
Sem se ver
Seu princípio final
E nesse algo
Entre banal e fenomenal
Que se pensa estar a mal
Com essa linha comezinha
Entre ocaso e a manhãzinha
Que se fez estrada fiada
Por pontos de luz bordada
Assim no ébano aveludado
Desse teu rosto velado
Pelo cabelo mais amado
Que se possa assim tocar
E voltar a mergulhar
Nessa tua madrugada
Nessa palavra velada
Suspiro desse cetim
Avermelhado
Assim no rosto orlado
Nessa estela orvalhada
Que se espalhava
por todo o teu ser
Assim a se deixar
Entrever
Na areola
Desse sol renovado
Que paira ao teu redor
Em todo o lado
E nesse aroma tão lavado
Flor silvestre em campo arado
Por esse algo que se quer tanto
Isso que nos inspira o encanto
Desse momento ofegando
Para to sibilar devagar
Segredar sem cessar
Entregar devagar
Até ser todo teu
O que estou a pensar
O lugar que era meu
E que se deixou vagar
Nesse tempo
Que passava
nessa imensidão
que ficava…
Perseverar
E se a onda da adversidade
Puser à prova a verdade
Desse sentido sentimento
Dessa paixão
que arde por dentro
Desse sonho
Alegre e sedento
De te encontrar
Integro, pleno, verdadeiro
E nesse teu lugar soalheiro
Poder assim plantar
Sementes dessa essência vivente
Desse algo mais corrente
Qual água viva que te permeia
E te refaz qual lama
Que se deixa modelar
E nas mãos do oleiro
Momento a momento amado
Vai assim sendo transfigurado
Esse sonho ainda não encontrado
Em ti está o querer
De perseverar
e chegar a ver
Concretizado
Esse algo que no íntimo
Ficou assim em ti plantado
Momentos de Fragilidade
Nesses momentos
nos que sabes
Que quase chegas
Que sentes
Que te achegas
A essa arte
Essa forma de ser parte
Esse saber entregar
Esse parto no silêncio
Que deixa alegria no ar
E encontrar
Essas palavras desmedidas
Essas linhas amigas
Essas frases preferidas
Para se entregar
E entretecer
E levar
Aonde o ser
se pode encontrar
Aonde a vontade e o querer
te querem levar
E nesse encontro
bem traçado
Nesse algo
em nós plantado
Deixar surgir o clarão
Do sentimento à emoção
Devoção renovada
Assim qual no silêncio
Da noite aveludada
Se acende a trovoada
E nesse clarão
Tão almejado
Depois desse lampejo de desejo
Ancorado
Barca à vela que vogava
E nessa tempestade
se abeirava
Ao porto aberto
Em pleno deserto
Onde se poisava
E deixava fluir
Todos esses sonhos
Sentimentos medonhos
Que deves deixar partir
Para outro porto
Outro lugar
Outro relâmpago
a se ver traçar
Nos céus
Raízes de bem-querer
Dessa árvore a nascer
De frutas de vida
a saber enaltecer
de par em par
Se te deixas esvaziar
Se dás de ti o sentido
Desse algo no centro ferido
Esperando se abrir devagar
Para dar
Sem sentido de tempo
Sem se chegar assim ao centro
Desse lugar mais profundo
Dessa luz
No confim do teu mundo
Sempre entre névoas
Plantado
Assim quais nas sombras
Desenhado
Assim descrito
À margem
Desse requadro
Dessa aragem
Dessa brisa
De passagem
Tua face acariciando
Assim indelével
Desenhando
Teu verdadeiro rosto
Cantando
Ao se ouvir passar
Essa melodia
garrida
Essa cor
mais quente e viva
Essa que entregas
Por o sentir
Viver
Prosseguir
Nessa vereda
entre águas
deixada
Nessa fluidez
Que planeja
Entre as asas
Imaginadas
Quando abres
Braços
E abraças
Oferecendo
o teu peito
Aberto
À alvorada
E essa luz
Ancorada
Nessa enseada
Ondulada
Pelas marés
Temperada
Acariciada
Pelas mãos
Que se abrem
para dar
assim
de par em par
Cuidada
Num dia entre outros dias - neve e romarias
e neste frio
que congela a vontade
gentes saíram conquistaram a cidade
e nesse recanto mais simples
brincaram
como crianças ergueram bonecos
e celebraram
com as crianças ficaram
no meio da neve
deslizaram
e nesse frio que separa a vontade
a cidade parada
veio à estrada
para lembrar
um dia de branco
qual bodas
novas
a se celebrar
Dias de inverno
Dias de inverno
Tão certo
Como que a primavera
trará ao de cima
Essa semente garrida
Em teu peito a aninhar
E nesse tempo de estiva
será já florida
Para alimentar
quem dela queira provar
poema seleto
Traduzir o sentir em sentido pleno
O pensar em algo suave e ameno
Esse balouçar de musical temperança
Essa brisa na tempestade trazendo bonança
E nessa sobriedade de se querer abraçar
O tempo, o firmamento, o mais amplo mar
De amar embevecidos, desse algo a partilhar
Assim como que possuídos
por essa força que emerge
Por esse íntimo profundo
que nos submerge
No centro mais recôndito
No amago mais secreto
Nessa fonte borbulhante
Onde todo o ser é seleto
E sendo bem prendado
Por se ter
Com todo o ser
Assim se abeirado
A pena e a pluma do poeta
Se vale a pena
Perseverar
Se vale a pena
Acreditar
Se vale a pena
Num poema
Assim acreditar
Depositar sonhos que levámos
O peito aberto que soletramos
Esse sentido sentimento que elevamos
Até trazer à luz desse querer, com vontade
Desse dar à luz essa verdade
Velada, fugidia, nua ainda que vestida
Dessas tantas definições
Perdida entre cifras e cifrões
E despojada dessa sua face mais clara
Jamais esclarecida
Que estende pontes
Aproxima
E faz do abraço mais baço
Uma esperança renascida
Esse tema
Nesse tema
Que em poema
Se não tema
A Mostrar
E nesse outro fundamento
De tudo o que levamos dentro
Que cresce
E se não desvanece
Ao se entregar
Vento em Espirais
Sentir o vento em espirais
Sedento de te tocar
Trespassar
Brincando com afolha desgarrada
Que da árvore em vida foi retirada
Pairando, dançando com ela
Suavidade entre a treva
E nessa dança
Que por nós avança
Nesse festival de vida
Que se levanta
Vem poisar
Em tua mão estendida
Vem aninhar
Em cada gesto humanidade nascida
Nesse remanso
Que o vento penteia ao de leve
Nessa paz
Que a brisa sopra na pele
Nessa tranquilidade
Que se faz
Ao dar de ti o que és capaz
E sendo entregue
Sem ser de ânimo leve
Essa folha
Colorida
Página
De vida
Vai chegar ao ribeiro
Que a leve
Ao rio
que a ampare
Ao mar que se elevando
Assim a eleva
E ao lugar
onde se vai encontrando
Nessa folha
Em branco
Onde ainda suspiram
Teus sonhos de encanto
Tuas palavras de meio-dia
Tuas verdades mais simples
Teus sentimentos
na manhãzinha
E nesse ocaso
Pintado
Folha a teu lado
Vês de novo rodopiar
Nesses flocos de neve
Tão alvos
Que o vento faz pairar