Darlan de Matos Cunha

Darlan de Matos Cunha

n. 1951 BR BR

n. 1951-11-22, Medina, MG

Perfil
61 446 Visualizações

Fake


In neutral what was accelerated, but symphysis
I don't know what it is, we only know now
from cracks, cracks and stains
on the walls and the foundations, everything
seemed on the rails, pretending to be happy
everyone, but in neutral everything is, the house
it's just cockroach bark and amputated ants
under the yoke of tiny being, dread in the shop windows
in the old night of artificial lights, yes, in reverse
the old structure of grinding meat and minds - opera of the dead*
crowning the days of the living, all reacting
as a zero behind the mask.*



*: Opera of the Dead is an allusion to Autran Dourado's book (1926-2012, MG, BRAZIL)
Translated with www.DeepL.com/Translator (free version)

Ler poema completo
Biografia
Darlan M Cunha publicou os livros Umma (romance, Editora Virtual Books - Pará de Minas, MG), Esboços e Reveses: o silêncio (poesia, Editora CBJE - RJ), O ar em seu estado natural - Textos sobre letras do Clube da Esquina (Editora CBJE - RJ). Entende-se com um instrumento musical, tenta aprender entradas e bandeiras, preparando-se para encontros e despedidas, apreende algo mais da sociologia e da psicologia dos fatos cotidianos.

Poemas

235

Terral

Terral

.

alinhavar algum conceito
até que outro enigma
ou estigma se faça

beber sem entornar o caldo
antes que a guarnição
esteja assente

matando a espinha dorsal
[o que de ordinário se conhece]
livrar-se do imaginário
familiar e da grelha social

comendo terra, voar
como as crianças e os psitacídeos

4

Seleta: prumo do erro

Mais seco o interior do pensamento
mais fundo o escopo do Nada

Eis que um tipo de amor se mostra

silêncio diante do assombro
nas paredes do próprio labirinto
nunca estudado
menos louvor à saciedade.

Nós de madeira 
para a marcenaria do dia a dia
não para cupins 
vendo nos ombros alheios
um obstáculo a não ser mais.

4

Elogio à dúvida

Elogio à dúvida



Cremar ou não quem antes se dera
aos ramos mais tenros
para em seu lugar gotas ácidas
lentas como uma estalactite ?

Do que mais saciar-se no osso: do tutano

ou da cansativa vigília ?

Deus existe por invenção sagaz ?
Deitar-se do lado esquerdo ou direito ?

3

Elogio à água e ao fogo

Uma literatura de profundidade psicológica atordoante, principalmente, mas não só, sua poesia se faz com palavras raras para conceitos que abarcam a showciedade [palavra dele] como um todo, sem nada de fugas ou de conceitos mirabolantes. Assim é cada linha. Um espanto.

_ Ana Maria Silva, Antônio Carlos Silva

8

Os ombros

Os ombros
.


Ir é o que há
até mesmo com o que houver
em falta: os grãos
de uma coragem
já quase de todo esquecida

ir com o peso da ausência
do amor, ir sem receio
da próxima porta
e do vento seco do deserto
interior, cheio de falas

como quem vai à feira 
a mesma que um dia irá
esperar-te em vão para outras
falas do sim e do não.

4

Entranhas algo ?

Entranhas algo ?

.

Mesmo de dentro da infinita imbecilidade humana
talvez se possa conseguir algo de menos valia
talvez se possa merecer mais
do que uns tragos de estricnina e algum bolo
daquele que se leva ao esperar na esquina dos aflitos.

A partir das ilusões cotidiárias, dos dados jogados
sobre a mesa da manhã, onde o pão e o leite
de nem sempre campeiam, talvez se possa
ainda uma vez mais adiar o premeditado crime
de cortar pela raiz o que pela raiz se deve ceifar.

O amor é isso e aquilo, é a ilusão de um futuro
pousado na calma das mãos. Ó ledo engano
de falsa pedra preciosa incrustada em madeira ruim,
pelo que os cupins da insônia 
logo estarão rindo-se dos amantes sob o velho ardil.

6

Nenhum vestígio de nada

Nenhum vestígio de nada

.

Pensar dói
mas é de se crer que os pés pensam
pela recusa a certos rumos
pela ânsia por um oásis
sempre em dúvida os pés
quanto a saber de fato
se a morte às vezes é solução*
no dizer de uma canção
de muitas falas enchendo as vias de fato.
Pensar dói.

6

Rarefeito ar

Ar rarefeito

.

Ser amante é seguir a rota até o peso final
da loucura já instalada no retângulo

fatídico, onde o ódio dissimulado campeia
entre os pares, porque ser amante é penar,
mentindo a si mesmo ou a si mesma: Sou feliz.

Os amorosos se condoem, não se conhecem,
mãos nas mãos com as quais destroem
o próprio mundo e o entorno dele; e assim,
alegres como um sol murcho, agridem
as janelas da fala, atiram ossos pela janela.

Os amantes são tipos pobres, até mesmo vis,
de acordo com o que se vê nas feiras de rua,
nos bancos de igreja, nos bancos de ônibus,
felizes com a coceira das perebas do amor,
sempre cansados desse combate-só-dor.

Batem à minha porta os amantes, mas
não aos aconselho e muito menos os deixo
entrar onde me sublevo a diário, longe
das regras e contrarregras que um descuido
da dupla possa deixar em aberto ao crime
ou a uma interação já bem antes anunciada.

7

Acabar sem nada

Acabar sem nada capaz
de aborrecer o juízo 
a pertinente noção 
de um vazio calcado
em lembranças
de fogos e águas
que nunca existiram 
senão talvez no além dessa porta.

7

pÓ

pÓ

.

Lês a bíblia para a mãe
o que te leva a pastores
e muezins

a Ur
Jericó e Sodoma
enfim à Mesopotâmia
ao Eufrates e a profetas
cheios de regalias
estrelas rodopiando

ao morto e ao matador
abel e caím
chorando suas pedras

outras cabeças rolam
ao leres o livro
cheio de suras seja ele
ou de versículos

lês o silêncio para a mãe
no silêncio a gente
melhor se encontra
e se desencontra.

7

Livros

2

Comentários (3)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Bopa poesia Darlan (continua)

Sônia Brandão
Sônia Brandão

Gostei dos seus poemas. Obrigada pela visita e gentil comentário.

sergioricardo

Claro que sim, prezado: ambos sabemos que todos podem e devem escrever. Mas até que quase todos entre todos evoluíssem da mera curiosidade de criança que aprendeu a andar, boa parte poderia e deveria escrever para si. Alguns anos de fermentação, portanto. A superpopulação de agulhas diletantes em meio ao palheiro, torna difícil, doloroso e até sangrento procurar por uma palha, que seja. Tendo a crer que o mecanismo de seleção natural é manco: a tendência inegável é que o capim sufoque e mate o trigo e que o abraço fatal dos cipós nas árvores transforme toda a floresta em um deserto verde. Em outras palavras, o bom não é coisa que sobressaia. Morrem, a rigor, todos no mesmo emaranhado de tertúlias das quais todos se afastam, desanimados e incrédulos, ao final das contas.