diego ivan de souza adib

diego ivan de souza adib

n. 1981 BR BR

n. 1981-07-04, guará-SP

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Quadro da vida



Aquela imagem do poeta dentro do retrato

parece que fala, mesmo estando calado;

bem, também, me olha; mexe com eles parados.

Enfim, sai de lá, e já não mais está na parede;

senta no sofá, deita na rede;

diz, ainda, querer um pouco de água para matar sua sede.

Em seguida, me pede um café, e logo de pé,

tira do bolso um cigarro e um isqueiro;

no mesmo instante, o acende e começa a fumar.

Eu acho graça em toda a sala cheia de fumaça;

com o semblante de mágoa, pede-me o cinzeiro,

coloca a mão num papel que estava sobre a mesa.

E, assim, do nada, como mágica,

faz aparecer, entre os dedos, uma caneta.

Escreve um poema que é uma beleza,

e queixa, apesar disso, de seu enredo, de sua inspiração;

faz alguns riscos e rabiscos,

e algumas caretas que não trazem nenhum medo.

Em flagrante, encontro-o com o pensamento distante,

sabe-se onde; pois, pergunto e ele não me responde,

fica, quem diria, dando risada.

Desconsolado, dá uma olhada para o lado;

de um jeito torto, com toda prática e aprendizado,

tenta me convencer ao dizer que bom é o poeta morto.

Dali, eu mesmo via que não mais existia no quadro

sua imagem,

dando margem que nasceu de novo.

Dentro dessa "ressuscitação", passou por uma restauração,

para ter de volta a fama, caiu na graça do povo,

e o povo, como ama, o pôs na crucificação.

Mataram-no, deixaram vivo o seu espírito,

mas, mesmo depois de morto, deixou o seu grito.

Dessa forma, permanecia vivo no quadro da vida,

mesmo pregado, agia em forma de poesia;

como eu mesmo prego, mesmo com prego, não nego,

que continua vivenciado.

Enfim, vós vedes

que até assim és um poeta imortal,

e, de repente, somente, voltastes, afinal,

ao quadro da parede.
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Poemas

23

Transfusão



Todo tempo que ocorre tem o tempo certo:

Tudo nasce tudo morre.

Como lá no deserto,

as areias tinham seu tempo determinado,

antes até de o relógio ser inventado,

para se tornarem ampulhetas.

Por favor, se tiver com tempo, leia;

desculpe se eu não chegar no final,

ainda tendo muito para escrever, afinal.

Não se zangue;

espero que possa entender:

Tempo de vida, também tem a caneta.

Mas poderia esperar um pouco mais,

que não seria demais.

Porque ser agora,

não em outra hora?

Mesmo se a velha tinta vermelha estiver fraca,

não importa;

irei pô-la na maca.

Encherei, por completo,

disso que já injeto

o tubo, também de sangue,

para não deixar que fique morta.
493

‘Umildade’



Sou humilde,

mas nem por isso entro em contato com entulhos,

nem deixo de ler Oscar Wilde,

nem colocaria nome em minhas filhas de Matilde e Clotilde.

Sou humilde com todo orgulho,

a ponto de algo, então, fazer,

sem dizer o que foi que eu fiz;

se bem fiz, deixo pra lá.

Sou professor,

e não fico me sujando com giz,

para mostrar que sou isso de verdade.

Como for,

sou mais um aprendiz,

que nem sabe direito o beabá.

Sou tão humilde,

que escrevo humildade

sem agá.
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Louco Normal



Aos poucos

vou deixando meu psiquiatra louco,

pela loucura dele, que ele mesmo trata;

pela loucura que vê que não tem cura,

e que muitos param no hospício;

pelo ofício ou mesmo pelo vício,

trata isso como virtude.

Ser louco ou não é coisa sã;

para vã filosofia, nada é em vão.

Importante é a loucura que cada qual assume,

e hoje para ser assim, enfim, a de ter atitude.

Eu, que tentei ser, mais do que pude,

um louco racional,

vi que a loucura de ser louco tanto ilude,

que não passei de um louco normal.
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Daniela
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