Lista de Poemas
Cabo de mim
Com as mãos, jogaste a semente;
assim fui crescendo normalmente.
Mas, como me plantaste,
depois, plantaste a minha destruição.
Cortando-me com o machado,
as mesmas mãos que têm me semeado;
cortando-me com o machado,
sem ter nenhuma escolha;
tirando todas minhas folhas,
todos os meus galhos;
foi tanto trabalho por nada.
Enfim, só não fui totalmente derrubada,
porque, sim, ficaram no solo minhas raízes.
O machado deixou em mim vários cortes:
sinais de cicatrizes.
Que como uma árvore morta
que suporta todos os desastres,
toda má fé e má sorte,
morri ainda de pé.
Sabendo que, da madeira,
farão machados e machados,
como esse mesmo que, ainda, me corta,
a ponto de fazer, também, eu cortar árvores inteiras.
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Music Match
Anjos não tocam banjos, mas sim harpas douradas.
No céu, tão modesto, está Deus com a batuta,
comandando com muita luta
a orquestra, para ficar bem afinada.
Com o diabo, em disputa com o Criador,
fazendo um barulho infernal.
Assim, o céu todo em festa,
como evento musical,
promove um festival.
Deus inova com um coral,
uma música que, além de calma,
dá para sentir na alma.
Todos ouvem como se fosse uma seresta,
aquele canto de louvor.
Lúcifer, com integrantes da banda
que traziam: guitarra elétrica, contrabaixo, teclado e bateria,
apresenta-se no vocal.
Enfim, como cantor,
sem que impressione a maioria,
testa o microfone
e começa, após a melodia,
ao som de um Rock& Roll totalmente radical.
A platéia acostumada a dançar ciranda,
como torcida, na hora do gol,
festejou muito naquela ocasião;
fez uma confusão;
mais parecia carnaval.
Talvez, pela mudança,
pelo escarcéu em geral,
até o Pai Celestial entrou na dança.
Mas depois que a música chegou ao fim,
tudo voltou ao normal.
Entre o som da trombeta,
anunciou o querubim, que o vencedor
não era ninguém mais do que o próprio capeta.
Humildemente, o Altíssimo entregou-lhe o troféu
e, por favor, pediu discretamente,
que não mais volte a cantar no céu.
415
Tudo aquilo que calo
Vejo de maneira cega,
e tudo que vejo me cega dessa mesma maneira;
vendo, nos olhos, toda minha cegueira,
que não enxergo, por mais que eu mesmo veja;
ouvindo
o silêncio que vem vindo
de forma bem barulhenta;
que por mais absurdo que seja,
fico mais surdo,
pois cada vez mais o silêncio aumenta.
E, quando falo,
não deixo de estar calado;
deixando, também, falado,
que tudo que bem falo é tudo aquilo que calo;
ou, sobretudo,
digo, exatamente, tudo;
enfim, consigo responder,
mesmo ficando, totalmente, mudo.
Isso já é tudo que preciso para dizer.
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Daniela
Lindo