EDEN SANTOS OLIVEIRA

EDEN SANTOS OLIVEIRA

n. 1976 BR BR

n. 1976-01-10, Santos, SP

Perfil
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ALGO

É algo que me anestesia e sinto
Igual à dor sem causa, efeito e nome.
E, para que de mim também me tome,
É reles, impalpável e indistinto. 

É nunca me perder no labirinto 
No qual eu acho o que me consome.
E empanturrado duma sede e fome 
É não estar sedento nem faminto.  

Crepúsculo não foi, nem noite e dia.
É coisa que não é bem quente e fria
Porém, tampouco pode ser tão morna. 

Quanto mais com a morte é confundida,
Tanto mais se parece com a vida,
Procura sê-la mas jamais se torna. 

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 18/12/2022)
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Poemas

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254 - DA JANELA

De novo da janela já me anima
Sonhar sem estranheza que amanhã
Lá fora se desfaça o louco afã
E a praga não me prenda nem deprima.

Aclamo as tardes claras neste clima:
Pensei na criação com crença sã
Velando nuvens leves como a lã
E o sol que exalta o céu azul acima.

Nas noites à janela vou de novo
Mostrando aos olhos tristes cada estrela
E o mundo aqui da mente enfim removo.

Eu vi que Jeová mais paz revela
E por amor se importa com seu povo
Que nota o dia novo da janela.

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 05/04/2020)
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MEUS BRAÇOS E ABRAÇOS

Meus braços obreiros
Fabricam abraços
Que brunem o bronze
E abriram-se abruptos
Aos breves cabrestos.

Meus braços te abrandam
Com brio e nobreza,
Se a bruta lembrança
Te obriga a cobrar-te,
Com brados, de bruços.

Meus braços febris
São brasas vibrantes
Que brilham por brechas
Se o breu te acabrunha
E a brisa enebria.

Meus braços te abrangem:
Cobriram-te abrigos
De bruscos abrolhos,
De brumas sombrias,
De brenha escabrosa.

Meus braços e abraços
São brandos lembretes.

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito para a minha esposa Ingrid da Rosa em 03/04/2020)
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S OU S

Assim, no sul,
Às cinco e seis,
Eu sei que sou
Um ser tão só:
Um céu sem sol
Que saia ao som
De cem canções.

Não sou mais são:
Não saro e sangue
Das solas salta
Na insana senda.
Mas sofro e surjo
Bem sob as cinzas
Mais cego e surdo.

Não sou possante:
Cresci com sobras
De sal e açúcar
Que se consomem.
Cansei-me cedo.
Vencido sumo
Em certas selvas.

Não sou mais sábio:
Pois, se à mercê
Do sopro sonso
Das sensações
Persigo sonhos,
Só singro o sono
E o senso cessa.

Não sou mais certo:
Passou acima
Macissa sombra
De assombro e susto.
Cá sobre o solo
Conselho aceito
Sem sério açoite.

Não sou mais solto:
Na cela suja.
Eu, sem passado,
Pensei em sete
Pessoas santas,
Tão sãs e salvas
E sua ação.

Em suma, sempre
Me sinto simples
Recém nascido
Sensível, sóbrio,
Que suga os seios
Sem seiva, secos,
E sente sede.

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrita em 28/03/2020)

(Poema que descreve as angústias dos deprimidos que não veem neste sistema de coisas qualquer sentido.)
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252 - OLHAR MELHOR

Orando a ti verei o que será
Ser forte até o fim aonde eu for;
Morrer inculpe e reto neste horror;
Viver no teu favor, ó Jeová;

Amor mostrar a irmãos em hora má;
Ao peito meu a paz maior expor;
Sonhar com o amanhã, ó meu Senhor;
No alívio mais veloz sentir-me lá.

Alheio ao mal o olhar ficou melhor.
A fé dos olhos fez um bom refém.
E neste mundo a noite foi menor.

Sei ver se não houver: de cima vem.
Ó Deus, há mais que dor ao meu redor!
Na luz que tu me lanças vejo além.

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em: 26/03/2020)
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251 - SANTA PAZ

À noite da janela aberta nós
Expomos sempre o peito à santa paz.
A fé que temos fortes já nos faz:
Façamos orações também a sós!

Porém, por fim será bem mais feroz
O mundo que nos mostra coisas más.
Quem traz notícias tristes, para trás!
São vãs e não ouvimos sua voz.

Pensemos mais em ser de mente sã.
Saibamos: é tão bom dormirmos bem
Alegres no calor da nova lã!

Provamos: sem pavor o sono vem.
Sonhemos e tenhamos amanhã
A luz que surge lá e ascende além.

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em: 26/03/2020)
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250 - PESTILÊNCIA

Se à rua a morte ronda, o mundo rui.
Às mãos do rei do mal: o horror o mói.
A massa cega e muda, sem herói,
Confessa a si enfim: "Quem sou? Quem fui?"

No lar a pestilência expõe, dilui
A paz da mente pois o medo a rói.
No duro peito o desespero dói
E suga o que a pessoa aqui possui.

No afã, teu povo a fé não perderá:
Espera o fim de pé mais firme e dá
O testemunho até chamar quem ouve.

Que venha o justo evento, Jeová!
Que a gente tenha vida eterna já
E a linda terra livre então te louve!

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em: 23/03/2020)
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249 - GRANDE TRIBULAÇÃO

Grande tribulação esteja perto
Com alto anúncio: "Paz e Segurança!"
E irrompa já o Armagedom que avança
No mundo vão de trevas e deserto.

Porém, um povo veio ser liberto:
Com puro amor a salvação alcança.
Que desta gente, sábia, justa e mansa,
O livramento seja logo e certo.

O que tu, Jeová, desejas é
Que mantenhamos hoje a mente sã
Por orações e súplicas com fé;

Vivamos, meu irmão e minha irmã,
Um dia só de cada vez até
No Paraíso estarmos amanhã!

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 17/03/2020)
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248 - ESTE POEMA NÃO TE INTERESSA

Pessoas como tu são rés confessas
Com esse olhar em mais desprezo imerso
Que agora lanças sobre cada verso
Deste poema que lerás às pressas!

Não sei que astutas intenções são essas:
Com esse pensamento tão disperso
Lês a segunda estrofe que alicerço
Nas coisas em que nunca te interessas:

Não gostas, não, da métrica, da rima,
Do estilo, da estilística e do assunto,
De que me valho para que me exprima.

Estás aí enquanto te pergunto,
Depois de leres o que consta acima:
"Enfim, o que querias lendo junto?"

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em: 09/03/2020)
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247 - NÃO LEIA ESTE POEMA!

Ei, para já de ler o que escrevi
Pois te proíbo de chegar até
Às próximas palavras, de má fé.
Não quero mais que vás além daqui!

Porque te acuso, como quem sorri,
De seres do processo a parte ré.
Tudo o que consta abaixo teu não é
E nunca foi escrito sobre ti!

Ó, mariposa, tu és incapaz
De não ser atraída pela luz
Da sã inspiração que ao fim te traz!

Se cada verso acima te seduz,
Só tenta imaginar o que lerás
Em toda a poesia que compus!

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em: 6/03/2020)
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REPRIMIDO

Às vezes eu invento, de improviso,
Um só rascunho simples, impreciso,
E risco neste rosto o vão sorriso.
Na noite destas névoas agonizo!

Aqui num triste canto não escondo
Que trago nas entranhas este estrondo
E pisa-me o tropel que estou expondo!

Dizia ser deserto e tão sozinho
Vivia sem sorver do doce vinho.
Num fosso meu sem fundo já definho:
Eu pus em vão no peito o velho espinho.

Eu caio numa cova e já me escolta
O vulto que se veste da revolta
Que a sua boca suja nunca solta!

Que diga neste dia o que foi dito
Apenas bem depois do que repito,
Sem grandes alegrias, pelo grito
De medo, raiva e mágoa que eu emito.

Sou quem se cala e quase fui quem canta.
Angústia não se esgota na garganta:
A estúpida tristeza já é tanta!

O breu da vã lembrança que me abraça
É grosso nas agruras da desgraça!
No coração escuro seja escassa
A nova luz e nele o sol não nasça!

Agora no desgosto que degusto,
Eu quero ter de arcar com todo o custo
De agir aqui do jeito casto e justo!

Os golpes não aguento nesta guerra:
Embora não combata, sou quem berra.
Estou bem sepultado nesta terra
E sangro mas o sangue não se encerra.

Na gruta de segredos eu regrido
Aos lânguidos silêncios em que lido
Com mãos que reprimiram o gemido.

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 05/03/2020)
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