EDEN SANTOS OLIVEIRA

EDEN SANTOS OLIVEIRA

n. 1976 BR BR

n. 1976-01-10, Santos, SP

Perfil
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ALGO

É algo que me anestesia e sinto
Igual à dor sem causa, efeito e nome.
E, para que de mim também me tome,
É reles, impalpável e indistinto. 

É nunca me perder no labirinto 
No qual eu acho o que me consome.
E empanturrado duma sede e fome 
É não estar sedento nem faminto.  

Crepúsculo não foi, nem noite e dia.
É coisa que não é bem quente e fria
Porém, tampouco pode ser tão morna. 

Quanto mais com a morte é confundida,
Tanto mais se parece com a vida,
Procura sê-la mas jamais se torna. 

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 18/12/2022)
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Poemas

156

293 – CÁRCERE PRIVADO

O cárcere privado em que me escondo
Tem sido a solidão em que me prendo,
Cadeia em que não me estivesse vendo
Enquanto lá eu me estivesse expondo.

Lá: cela em que o silêncio faz estrondo,
Prisão de escuridão que não acendo,
Masmorra fria de pavor tremendo,
E calabouço reles e hediondo.

Não verei nem o sol quadrado e lindo
E nem me tocará seu raio brando
Enquanto lá eu me estiver punindo.

De lá serei liberto – não sei quando.
Porém, enquanto eu me sentir bem vindo
Lá dentro eu sempre me estarei trancando.

(Autor: Eden Santos Oliveira. Escrito em 05/10/2020)
341

291 - MÃE DAS FAVELAS

Ó, mãe, tão duro pelo pão trabalhas
E à noite enfim retornas às favelas.
Não queres que o teu filho goste delas
Ou que do crime viva das migalhas.

Nos becos recomeçam as batalhas.
Tu trancas toscas portas e janelas
E, como sempre, apenas o interpelas
Sobre o dia mas não responde e ralhas.

Há almas miseráveis, tão aflitas,
Em cujas faces foram já escritas
Angústias com a lama deste mangue.

Ó, mãe, de desespero agora gritas:
Sob os barracos sobre palafitas
Há lixo, esgoto, o corpo dele e sangue!

(Autor: Eden Santos Oliveira. Escrito em 05/10/2020)
308

294 – SOLIDÃO LEAL, FIEL

A solidão é tão leal, fiel,
Sem sua mão seria bem pior.
Na negridão dos céus ao meu redor
Seus versos são escritos sem papel.

A solidão converte o mal em mel.
Dancei no chão até verter suor
Com a canção que canto e sei de cor:
Silencio são que soa tão cruel.

Que a solidão me siga a cada dia
Se a multidão me for indiferente,
Se o coração temer aquela gente.

Na maldição da mente mais sombria
Embora eu não lhe peça companhia
Seu vulto vão me segue eternamente.

(Autor: Eden Santos Oliveira. Escrito em 05/10/2020)
311

290 - SUTIL PROFUNDIDADE

Em mim agora irrompe a tempestade:
Relâmpago há nos olhos quando estronda
Trovão cá nesta boca mais redonda.
Um mar de lágrimas também me invade.

Então, não mais importa o quanto nade
Porque me traga sempre a reles onda.
Que o vórtice de angústia só me esconda
Na minha mais sutil profundidade.

E enquanto a vida ainda não avança
Eu já me engulo e logo me avolumo:
Não quero vir à tona na bonança.

Prefiro as profundezas em que sumo,
A agonizar com sede n'água mansa,
Sem velas e sem remos e sem rumo.

(Escrito em 01/10/2020)
209

289 - EU E OS VERSOS MEUS

Seremos eu e os versos meus talvez
Um dia, conhecidos pela voz
Que emites quando os cantas logo após
O mal que o teu silêncio já te fez.

Queremos eu e os versos meus que dês
O canto teu a quem se cala a sós
E que, através de ti, o amemos nós
Como te amamos quando tu nos lês.

Fazemos eu e os versos meus que a luz
Incida sobre tudo o que te expus:
Que não te sigam mais as sombras más!

Tornemos eu e os versos meus feliz
Teu tempo nesta página e sorris
Quando existimos nessa tua paz.

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 27/09/2007)
142

SONNET 138

Hawks seek a creek or peak so bleak: Each beak
Will sneak the weak that squeak, the meek that bleed.
No weeds or reeds of greed succeed or reek.
Indeed, good seed will feed the breed in need.
The breeze from seas through trees at ease agrees
To please, not tease, the bees like these by eaves.
The sheep do keep their sleep so deep and freeze.
Clouds weep; rains seep; winds sweep a heap of leaves.
Stars preach; skies teach; their speech does reach the beach.
Storm cleaves and grieves and heaves the sheaves of wheat.
Goats' feet repeat the beat of sleet and screech.
No peace will cease; release for geese; lambs bleat.
Let me just flee to sea to be so free
And kneel and feel more zeal and reel with glee.

(Author: Eden Santos Oliveira. Written in 18/08/2008)

378

149 - OS MEUS POEMAS NÃO SÃO PARA TI

Os meus poemas não são para ti
Pois forma fixa para ti é má.
Esquema, rima e métrica haverá
Nos versos meus que nunca te escrevi.

Como um leitor cruel que deles ri,
Tu não és quem os quer nem quem os dá.
Só queres rejeitá-los desde já:
Não sei o que procuras por aqui.

Enquanto o que compus com tanto afã
Me foi o fruto duma mente sã,
Tu pensas: "É pedante e tão ruim!"

Ao menos concordamos que amanhã
Em ti não haverá lembrança vã
De algum dos meus poemas ou de mim.

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 07/09/2020)
455

288 - LOGO APÓS O ARMAGEDOM

Sintamos já perfeita e pura paz
Após o Armagedom, sim, logo após.
Louvemos sempre ao Pai com alta voz
Pois sob os nossos pés o mundo jaz.

Assim, jamais olhemos para trás.
Pensemos no que Deus já fez por nós
E em como a salvação tornou veloz:
Não vemos ao redor as coisas más!

Sem dor, velhice e praga sobre os ombros
Que juntos transformemos os escombros
Em belas casas para quem amamos.

Plantemos nos lugares mais extremos
Árvores dos jardins e enfim achemos
Repouso eterno à sombra dos seus ramos.

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 06/09/2020)
328

287 - NAS HORAS MÁS

Fico de pé nas horas más do fim.
Longe do afã eu louvo ao Pai celeste.
Lástima vã esclamam: "Ai, que peste!"
Firme na fé não perco a paz: eu vim!

Vida pois é de luz que faz jardim.
Torna-se sã a voz que sai: "Que reste!"
Vem de manhã o que se vai no oeste
Deita-se até voltar por trás de mim.

Apenas o pó eu sou, por enquanto.
A corda desato quando me deito.
Há penas e o voo eu nunca levanto.

A cor da manhã traz dia perfeito.
A pé nas estradas vou ao recanto.
Acorda, Coragem, dentro do peito!

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 03/09/2020)
152

285 - EU QUIS

Eu quis olhar quem sou e o véu o esconde;
Eu quis ouvir verdade e foi escassa;
Eu quis provar do mel e o fel não passa;
Eu quis tocar meu ser e quem o sonde;

Eu quis achar resposta e quem responde;
Eu quis falar do bem mas há mordaça;
Eu quis calar o mal se me ameaça;
Eu quis cair em mim - não sei por onde;

Eu quis levar a vida e foi pesada;
Eu quis vencer a morte e sem espada;
Eu quis não ter vontades - são venenos;

Eu quis não desejar mas não me agrada;
Eu quis somente precisar, mais nada;
Eu quis enfim poder querer bem menos.

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 27/08/2020)
162

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