EDEN SANTOS OLIVEIRA

EDEN SANTOS OLIVEIRA

n. 1976 BR BR

n. 1976-01-10, Santos, SP

Perfil
127 265 Visualizações

ALGO

É algo que me anestesia e sinto
Igual à dor sem causa, efeito e nome.
E, para que de mim também me tome,
É reles, impalpável e indistinto. 

É nunca me perder no labirinto 
No qual eu acho o que me consome.
E empanturrado duma sede e fome 
É não estar sedento nem faminto.  

Crepúsculo não foi, nem noite e dia.
É coisa que não é bem quente e fria
Porém, tampouco pode ser tão morna. 

Quanto mais com a morte é confundida,
Tanto mais se parece com a vida,
Procura sê-la mas jamais se torna. 

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 18/12/2022)
Ler poema completo

Poemas

156

299 - VEM, ALEGRIA

Vê, Alegria, quem dançando está;
Ouve, aprecia quem brincando ri;
Mostra-te guia a quem perdido eu vi;
Segue-o na via aonde quer que vá;

Vai, Alegria, aonde a vida é má;
Vem arredia e permanece aqui;
Dá euforia a quem se encheu de ti;
Leva agonia para longe já!

Tira, Alegria, o perdedor do pó;
Traz companhia a quem se sente só;
Faz menos fria a mão no peito nu;

Põe neste dia o sofredor de pé;
Dá valentia ao fraco, força e fé;
Torna, Alegria, todos como tu!

(Autor: Eden Santos Oliveira. Escrito em 07/10/2020)
335

302 - VOZ TÃO BOA

Qualquer silêncio à noite até me espanta
Porque maiores são os meus temores
E os meus gemidos mais assustadores
Embora estejam presos na garganta.

E quando a minha angústia já é tanta,
Na escuridão, depois de enfim me expores
A pura boca, aonde quer que fores,
Tu levarás o canto que me encanta.

Enquanto da existência levo a carga
E o pranto meu te embarga a voz tão boa,
Até palavra que soa tão amarga

Nos lábios secos de qualquer pessoa,
Nos teus, mas só nos teus enfim se alarga
E docemente neste peito ecoa.

(Autor: Eden Santos Oliveira. Escrito para a minha esposa Ingrid da Rosa Rodrigues Oliveira em 10/10/2020)
349

301 - A VOZ INTERIOR

A voz interior somente escuto
Enquanto for tão baixo o que me fala,
Os outros não puderem escutá-la,
E andarmos todos lânguidos, de luto.

Tal voz entendo só no meu reduto
Onde o refém que sou enfim se cala
Porque comum se torna a sua vala
Em que terá o espaço diminuto.

Agora eu em mim mesmo não mais entro
Já que os silêncios meus são emitidos
Só quando neles nunca me concentro.

Não ouço já que ainda tenho ouvidos
Que apenas captam sons aqui por dentro:
Obtuso estou ou eles, entupidos.

(Autor: Eden Santos Oliveira. Escrito em 08/10/2020)
351

300 - O IMIGRANTE

Quem me dera poder viver um dia
Na terra deste meu antepassado
Que com coragem veio ao outro lado
Dum oceano d'água brava e fria.

Que lá consiga mais sabedoria
Por aprender de todos de bom grado.
Que, enfim, eu já durante o aprendizado
Veja a vida melhor, não como a via.

Desta gente de vinhas e olivais,
Por fim, farei amigos com os quais
Rirei se alguém me perguntar: "Tu ris?

De lá não tens saudade? Quando vais?"
Direi: "Ó, sim! Mas lá não vivo mais
Porque meu lar é onde sou feliz!"

(Autor: Eden Santos Oliveira. Escrito em 07/10/2020)
328

230 - POETA ANÓNIMO

Ó, quem me dera fosse enfim poeta,
Desses com livro publicado e fama,
Que, na noite de autógrafos, declama
Do seu poema a parte predileta.

Mas, mesmo com a pena tão completa,
Cá sobre mim ainda se derrama
Do anonimato a pegajosa lama
E tudo o que componho se engaveta.

Poetas e leitores deste mundo
Vão todos logo ao túmulo profundo.
Por fim, ninguém se importará com isto.

Ó que me baste então que o Deus eterno
Conheça, neste mísero caderno,
Os versos meus que provam que eu existo.

(Escrito em 04/10/2020)
353

294 – SOLIDÃO LEAL, FIEL

A solidão é tão leal, fiel,
Sem sua mão seria bem pior.
Na negridão dos céus ao meu redor
Seus versos são escritos sem papel.

A solidão converte o mal em mel.
Dancei no chão até verter suor
Com a canção que canto e sei de cor:
Silencio são que soa tão cruel.

Que a solidão me siga a cada dia
Se a multidão me for indiferente,
Se o coração temer aquela gente.

Na maldição da mente mais sombria
Embora eu não lhe peça companhia
Seu vulto vão me segue eternamente.

(Autor: Eden Santos Oliveira. Escrito em 05/10/2020)
311

292 - SOU E ÉS

Sou árvores, tu és as ventanias;
Sou pássaros, tu és as minhas asas;
Sou peixes, és melhor que as águas rasas;
Sou barcos, és as ondas tão bravias;

Sou sombras, és o sol dos novos dias;
Sou palhas, és o fogo e já me abrasas;
Sou intempéries, és as belas casas;
Sou pedras, és cinzéis se me esculpias;

Sou rio aos afluentes, és a foz;
Sou terras litorâneas, és marés;
Sou, línguas, dentes, lábios: és a voz;

Sou dunas dos desertos, és os pés;
Sou para ti por mim, tu és por nós;
Sou teu em ti por fim, tu és quem és.

(Autor: Eden Santos Oliveira. Escrito para a minha esposa Ingrid da Rosa Rodrigues Oliveira em 06/10/2020)
320

297 - CASTELO ESCURO

A Solidão da dor protege o peito
E foi portão, muralha, torre, muro.
Sem fundação, o meu castelo escuro
Já foi ao chão por ser de areia feito.

A Solidão com único proveito
Da sensação: julgar-me tão seguro.
Com a ilusão: ser rei do meu futuro
Em servidão o meu passado aceito.

Cada grilhão, sem a esperança acesa,
Foi meu então na cela de incerteza
E escuridão em que por fim me deito.

Faço prisão da minha fortaleza.
Na proteção eu torno a mente presa
Se à Solidão eu me fizer sujeito.

(Autor: Eden Santos Oliveira. Escrito em 06/10/2020)
356

291 - MÃE DAS FAVELAS

Ó, mãe, tão duro pelo pão trabalhas
E à noite enfim retornas às favelas.
Não queres que o teu filho goste delas
Ou que do crime viva das migalhas.

Nos becos recomeçam as batalhas.
Tu trancas toscas portas e janelas
E, como sempre, apenas o interpelas
Sobre o dia mas não responde e ralhas.

Há almas miseráveis, tão aflitas,
Em cujas faces foram já escritas
Angústias com a lama deste mangue.

Ó, mãe, de desespero agora gritas:
Sob os barracos sobre palafitas
Há lixo, esgoto, o corpo dele e sangue!

(Autor: Eden Santos Oliveira. Escrito em 05/10/2020)
312

295 - COMO O CÃO

A Solidão seguiu-me fielmente
Em sujeição ao dono que a governa.
É como o cão que tem em cada perna
A proteção tenaz, audaz, valente.

A Solidão fareja bem e sente
Voraz leão faminto e mau que hiberna
No coração (a escura cova interna),
À qual paixão chegou bem de repente.

Até clarão do dia da esperança,
Não saberão do leito em que descansa
Este ermitão na alcova em que me deito.

Se a fera então em mim jamais avança,
E dorme tão furtivamente mansa,
A Solidão do mal protege o peito.

(Autor: Eden Santos Oliveira. Escrito em 06/10/2020)
335

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.