Lista de Poemas
301 - A VOZ INTERIOR
A voz interior somente escuto
Enquanto for tão baixo o que me fala,
Os outros não puderem escutá-la,
E andarmos todos lânguidos, de luto.
Tal voz entendo só no meu reduto
Onde o refém que sou enfim se cala
Porque comum se torna a sua vala
Em que terá o espaço diminuto.
Agora eu em mim mesmo não mais entro
Já que os silêncios meus são emitidos
Só quando neles nunca me concentro.
Não ouço já que ainda tenho ouvidos
Que apenas captam sons aqui por dentro:
Obtuso estou ou eles, entupidos.
(Autor: Eden Santos Oliveira. Escrito em 08/10/2020)
Enquanto for tão baixo o que me fala,
Os outros não puderem escutá-la,
E andarmos todos lânguidos, de luto.
Tal voz entendo só no meu reduto
Onde o refém que sou enfim se cala
Porque comum se torna a sua vala
Em que terá o espaço diminuto.
Agora eu em mim mesmo não mais entro
Já que os silêncios meus são emitidos
Só quando neles nunca me concentro.
Não ouço já que ainda tenho ouvidos
Que apenas captam sons aqui por dentro:
Obtuso estou ou eles, entupidos.
(Autor: Eden Santos Oliveira. Escrito em 08/10/2020)
340
298 - O MEU ORIGINAL
Preparo o meu original que embalo
E envio às editoras do país.
Porém, por fim, nenhuma delas quis,
Por sua conta e risco, publicá-lo.
Talvez o que compus sem intervalo
Tenha sido um equívoco infeliz.
E quando com talento não condiz
Eu devo simplesmente engavetá-lo.
Que me dissessem, mesmo com desdém,
O que nos versos meus os desagrada
E o que nos temas meus não lhes convém!
Porém, a indiferença delas brada:
"Não és poeta! Tu não és ninguém!
Todos os teus poemas não são nada!"
(Autor: Eden Santos Oliveira. Escrito em 06/10/2020)
E envio às editoras do país.
Porém, por fim, nenhuma delas quis,
Por sua conta e risco, publicá-lo.
Talvez o que compus sem intervalo
Tenha sido um equívoco infeliz.
E quando com talento não condiz
Eu devo simplesmente engavetá-lo.
Que me dissessem, mesmo com desdém,
O que nos versos meus os desagrada
E o que nos temas meus não lhes convém!
Porém, a indiferença delas brada:
"Não és poeta! Tu não és ninguém!
Todos os teus poemas não são nada!"
(Autor: Eden Santos Oliveira. Escrito em 06/10/2020)
344
302 - VOZ TÃO BOA
Qualquer silêncio à noite até me espanta
Porque maiores são os meus temores
E os meus gemidos mais assustadores
Embora estejam presos na garganta.
E quando a minha angústia já é tanta,
Na escuridão, depois de enfim me expores
A pura boca, aonde quer que fores,
Tu levarás o canto que me encanta.
Enquanto da existência levo a carga
E o pranto meu te embarga a voz tão boa,
Até palavra que soa tão amarga
Nos lábios secos de qualquer pessoa,
Nos teus, mas só nos teus enfim se alarga
E docemente neste peito ecoa.
(Autor: Eden Santos Oliveira. Escrito para a minha esposa Ingrid da Rosa Rodrigues Oliveira em 10/10/2020)
Porque maiores são os meus temores
E os meus gemidos mais assustadores
Embora estejam presos na garganta.
E quando a minha angústia já é tanta,
Na escuridão, depois de enfim me expores
A pura boca, aonde quer que fores,
Tu levarás o canto que me encanta.
Enquanto da existência levo a carga
E o pranto meu te embarga a voz tão boa,
Até palavra que soa tão amarga
Nos lábios secos de qualquer pessoa,
Nos teus, mas só nos teus enfim se alarga
E docemente neste peito ecoa.
(Autor: Eden Santos Oliveira. Escrito para a minha esposa Ingrid da Rosa Rodrigues Oliveira em 10/10/2020)
338
300 - O IMIGRANTE
Quem me dera poder viver um dia
Na terra deste meu antepassado
Que com coragem veio ao outro lado
Dum oceano d'água brava e fria.
Que lá consiga mais sabedoria
Por aprender de todos de bom grado.
Que, enfim, eu já durante o aprendizado
Veja a vida melhor, não como a via.
Desta gente de vinhas e olivais,
Por fim, farei amigos com os quais
Rirei se alguém me perguntar: "Tu ris?
De lá não tens saudade? Quando vais?"
Direi: "Ó, sim! Mas lá não vivo mais
Porque meu lar é onde sou feliz!"
(Autor: Eden Santos Oliveira. Escrito em 07/10/2020)
Na terra deste meu antepassado
Que com coragem veio ao outro lado
Dum oceano d'água brava e fria.
Que lá consiga mais sabedoria
Por aprender de todos de bom grado.
Que, enfim, eu já durante o aprendizado
Veja a vida melhor, não como a via.
Desta gente de vinhas e olivais,
Por fim, farei amigos com os quais
Rirei se alguém me perguntar: "Tu ris?
De lá não tens saudade? Quando vais?"
Direi: "Ó, sim! Mas lá não vivo mais
Porque meu lar é onde sou feliz!"
(Autor: Eden Santos Oliveira. Escrito em 07/10/2020)
316
299 - VEM, ALEGRIA
Vê, Alegria, quem dançando está;
Ouve, aprecia quem brincando ri;
Mostra-te guia a quem perdido eu vi;
Segue-o na via aonde quer que vá;
Vai, Alegria, aonde a vida é má;
Vem arredia e permanece aqui;
Dá euforia a quem se encheu de ti;
Leva agonia para longe já!
Tira, Alegria, o perdedor do pó;
Traz companhia a quem se sente só;
Faz menos fria a mão no peito nu;
Põe neste dia o sofredor de pé;
Dá valentia ao fraco, força e fé;
Torna, Alegria, todos como tu!
(Autor: Eden Santos Oliveira. Escrito em 07/10/2020)
Ouve, aprecia quem brincando ri;
Mostra-te guia a quem perdido eu vi;
Segue-o na via aonde quer que vá;
Vai, Alegria, aonde a vida é má;
Vem arredia e permanece aqui;
Dá euforia a quem se encheu de ti;
Leva agonia para longe já!
Tira, Alegria, o perdedor do pó;
Traz companhia a quem se sente só;
Faz menos fria a mão no peito nu;
Põe neste dia o sofredor de pé;
Dá valentia ao fraco, força e fé;
Torna, Alegria, todos como tu!
(Autor: Eden Santos Oliveira. Escrito em 07/10/2020)
323
297 - CASTELO ESCURO
A Solidão da dor protege o peito
E foi portão, muralha, torre, muro.
Sem fundação, o meu castelo escuro
Já foi ao chão por ser de areia feito.
A Solidão com único proveito
Da sensação: julgar-me tão seguro.
Com a ilusão: ser rei do meu futuro
Em servidão o meu passado aceito.
Cada grilhão, sem a esperança acesa,
Foi meu então na cela de incerteza
E escuridão em que por fim me deito.
Faço prisão da minha fortaleza.
Na proteção eu torno a mente presa
Se à Solidão eu me fizer sujeito.
(Autor: Eden Santos Oliveira. Escrito em 06/10/2020)
E foi portão, muralha, torre, muro.
Sem fundação, o meu castelo escuro
Já foi ao chão por ser de areia feito.
A Solidão com único proveito
Da sensação: julgar-me tão seguro.
Com a ilusão: ser rei do meu futuro
Em servidão o meu passado aceito.
Cada grilhão, sem a esperança acesa,
Foi meu então na cela de incerteza
E escuridão em que por fim me deito.
Faço prisão da minha fortaleza.
Na proteção eu torno a mente presa
Se à Solidão eu me fizer sujeito.
(Autor: Eden Santos Oliveira. Escrito em 06/10/2020)
345
295 - COMO O CÃO
A Solidão seguiu-me fielmente
Em sujeição ao dono que a governa.
É como o cão que tem em cada perna
A proteção tenaz, audaz, valente.
A Solidão fareja bem e sente
Voraz leão faminto e mau que hiberna
No coração (a escura cova interna),
À qual paixão chegou bem de repente.
Até clarão do dia da esperança,
Não saberão do leito em que descansa
Este ermitão na alcova em que me deito.
Se a fera então em mim jamais avança,
E dorme tão furtivamente mansa,
A Solidão do mal protege o peito.
(Autor: Eden Santos Oliveira. Escrito em 06/10/2020)
Em sujeição ao dono que a governa.
É como o cão que tem em cada perna
A proteção tenaz, audaz, valente.
A Solidão fareja bem e sente
Voraz leão faminto e mau que hiberna
No coração (a escura cova interna),
À qual paixão chegou bem de repente.
Até clarão do dia da esperança,
Não saberão do leito em que descansa
Este ermitão na alcova em que me deito.
Se a fera então em mim jamais avança,
E dorme tão furtivamente mansa,
A Solidão do mal protege o peito.
(Autor: Eden Santos Oliveira. Escrito em 06/10/2020)
324
294 – SOLIDÃO LEAL, FIEL
A solidão é tão leal, fiel,
Sem sua mão seria bem pior.
Na negridão dos céus ao meu redor
Seus versos são escritos sem papel.
A solidão converte o mal em mel.
Dancei no chão até verter suor
Com a canção que canto e sei de cor:
Silencio são que soa tão cruel.
Que a solidão me siga a cada dia
Se a multidão me for indiferente,
Se o coração temer aquela gente.
Na maldição da mente mais sombria
Embora eu não lhe peça companhia
Seu vulto vão me segue eternamente.
(Autor: Eden Santos Oliveira. Escrito em 05/10/2020)
Sem sua mão seria bem pior.
Na negridão dos céus ao meu redor
Seus versos são escritos sem papel.
A solidão converte o mal em mel.
Dancei no chão até verter suor
Com a canção que canto e sei de cor:
Silencio são que soa tão cruel.
Que a solidão me siga a cada dia
Se a multidão me for indiferente,
Se o coração temer aquela gente.
Na maldição da mente mais sombria
Embora eu não lhe peça companhia
Seu vulto vão me segue eternamente.
(Autor: Eden Santos Oliveira. Escrito em 05/10/2020)
303
293 – CÁRCERE PRIVADO
O cárcere privado em que me escondo
Tem sido a solidão em que me prendo,
Cadeia em que não me estivesse vendo
Enquanto lá eu me estivesse expondo.
Lá: cela em que o silêncio faz estrondo,
Prisão de escuridão que não acendo,
Masmorra fria de pavor tremendo,
E calabouço reles e hediondo.
Não verei nem o sol quadrado e lindo
E nem me tocará seu raio brando
Enquanto lá eu me estiver punindo.
De lá serei liberto – não sei quando.
Porém, enquanto eu me sentir bem vindo
Lá dentro eu sempre me estarei trancando.
(Autor: Eden Santos Oliveira. Escrito em 05/10/2020)
Tem sido a solidão em que me prendo,
Cadeia em que não me estivesse vendo
Enquanto lá eu me estivesse expondo.
Lá: cela em que o silêncio faz estrondo,
Prisão de escuridão que não acendo,
Masmorra fria de pavor tremendo,
E calabouço reles e hediondo.
Não verei nem o sol quadrado e lindo
E nem me tocará seu raio brando
Enquanto lá eu me estiver punindo.
De lá serei liberto – não sei quando.
Porém, enquanto eu me sentir bem vindo
Lá dentro eu sempre me estarei trancando.
(Autor: Eden Santos Oliveira. Escrito em 05/10/2020)
333
291 - MÃE DAS FAVELAS
Ó, mãe, tão duro pelo pão trabalhas
E à noite enfim retornas às favelas.
Não queres que o teu filho goste delas
Ou que do crime viva das migalhas.
Nos becos recomeçam as batalhas.
Tu trancas toscas portas e janelas
E, como sempre, apenas o interpelas
Sobre o dia mas não responde e ralhas.
Há almas miseráveis, tão aflitas,
Em cujas faces foram já escritas
Angústias com a lama deste mangue.
Ó, mãe, de desespero agora gritas:
Sob os barracos sobre palafitas
Há lixo, esgoto, o corpo dele e sangue!
(Autor: Eden Santos Oliveira. Escrito em 05/10/2020)
E à noite enfim retornas às favelas.
Não queres que o teu filho goste delas
Ou que do crime viva das migalhas.
Nos becos recomeçam as batalhas.
Tu trancas toscas portas e janelas
E, como sempre, apenas o interpelas
Sobre o dia mas não responde e ralhas.
Há almas miseráveis, tão aflitas,
Em cujas faces foram já escritas
Angústias com a lama deste mangue.
Ó, mãe, de desespero agora gritas:
Sob os barracos sobre palafitas
Há lixo, esgoto, o corpo dele e sangue!
(Autor: Eden Santos Oliveira. Escrito em 05/10/2020)
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