GUERRA DENTRO DA LUZ
Sem paz firmei a guerra dentro da luz
Estas mãos que têm o peso de uma vida
Num rosto calejado que ama sem jus
Que acaricia as lágrimas da dor sofrida.
Teus passos encurtou o meu destino
Em virtude das veredas em abrolhos
Estes pés descalços de um menino
Na ânsia de um homem em ferrolhos.
Faze-me equívoca a valia do amor
Encerre-me em cadeias amordaçado
Num coração crivado de desamor
Neste corpo há um marco entalhado.
Na frieza da constância da batalha
Em fraqueza se abate e se encurva
Rende o espírito na miséria e na falha
Nesta guerra sem paz que a luz é turva.
PARADOXO
A vida e o amor, vertentes complexas,
Viver para a morte, amar sem o sofrer.
Tudo a perder sem as ideias conexas,
Relações afetivas, aflições por querer.
Se morder com razão, sem razão ferir,
Chorar por perdão, sem perdão partir.
Ajoelhar-se no chão vendo lágrimas cair,
Estendendo as mãos e o outro a sorrir.
Um dia emoção, paz e tranquilidade,
Outro dia não bom, da paz tem saudade.
Sem solução mágica que se possa gerir,
Não há outro caminho para aonde seguir.
Comunhão de maneira discreta e certa,
Se a vida assim existir e o amor persistir.
Antes lutas amando, à solidão deserta.
Antes vida, à morte por um incerto porvir.
NO LIMIAR DO AMOR QUE NÃO SE PERDEU
Foi-se a luz que antes brilhava doirada,
Ocultou-se tamanha grandeza amada.
Era um pomar carregado de delícias,
Árvores frutíferas de todas as espécies.
Onde os homens provaram as primícias
Alegrando seus corações com benesses.
É o fruto mais desejado que a vida,
O amor puro sem máculas que prevalece.
Em verdade o colo doce que a fornece,
A pedra e a fonte mais preciosa e cristalina.
Perdura-se no tempo e está guardado,
Esse amor poderoso que à vida conduz.
Que os homens o crucificaram calado e,
As mulheres choraram-no ao pé da cruz.
TRANSIÇÃO
Sinto as minhas vistas escurecidas, estão cansadas fracas em mim, as minhas mãos já não têm mais a firmeza, estão trêmulas em mim, fui contido pelo tempo, gasto pelos vícios, nem foram tantos anos, me perdoe meu amor eu não quero morrer assim como um caule sem luz, uma flor que seca, um pendão sem pátria ao vento. Com ressentimento por te ferir perdoa este que te implora, dá-lhe redenção. Meu coração foi ferido, ele dói, a dor é forte, fraca fonte dentro de mim, recorrer ao passado desta triste vida meu amor não me trará vigor, me ame e diga que cuidará deste que vos clama até chegar a hora que o gosto de nada se sente, que os ouvidos ouvirão o sussurro do silêncio da separação. Meu amor, aquele que corria veloz agora pende a sua alma, veja, este que ainda vos fala, ouça, e prometa as petições antes que sinta a certeza do abraço frio daquela que o desprenderá.
O QUE DIZER SOBRE O ENGANO
Olha esse fulano é danado, um Judas
Muito avivado, antes de ser enforcado
Lisonjeiro caboclo que oferece ajudas
Mas é um grande abismo disfarçado.
O bicho é ligeiro, pernas curtas astutas
Ama ostentar as ciladas sem nome
É um ladrão que vive às suas custas
É insaciável e nada mata a sua fome.
Lambuza-te de mel com fel este fulano
Cega teus olhos e ofusca os teus sentidos
Encher-te de alegria vazia é o teu plano
Se faz de santo e fala manso aos ouvidos.
Mas olha! Ele é um mentiroso e se mostra
Em várias astúcias que já cometeu
É um déspota que ao diabo se prostra
Toma tua alma pelo que te prometeu.
Erimar Lopes.
SEM CURA
O que será de mim se a vida prolongar?
Continuarei ferido sem cura ainda assim.
Em tristeza e solidão, sem sentir o chão,
Andando a voar numa nostálgica ilusão.
Em contar estrelas perdidas, sentado,
Malogrado, num badalado botequim,
Onde os bêbados à noite hão destilado,
Em suas gargantas as suas fracas almas.
Misturadas a bebidas fortes, gargalhando,
Com os sorrisos vazios de hálitos etílicos.
Don’t make sense uma noite sem doses,
Esperada lucidez com ondas calmas,
Se o mar da vida está levando revolto,
Em suas águas dores e suspiros poéticos.
GARIMPO
As mãos calejadas, o rosto sofrido, a pele queimada pelo sol
Um jugo pesado, trabalho forçado, batalhando pelo pão
O trajeto é difícil, há grandes perigos feito peixe ao anzol
A distância é longa, muito se anda, e não há condução.
Alegria não há, se o sorrir é chorar por consolação
Ai Deus meu! Nos mande um socorro e livra-nos do Seol
O que se colhe é pouco, o que sobra é sufoco na imaginação
No mínimo uma nuvem que aplaque o fogo deste quente sol.
Nossos lombos já estão trilhados, nossos pés trincados na carne
O que nos alivia é saber que a agonia vai-se ao fim do dia
Mina o sangue misturado com o nosso suor na ferida que arde.
Nesta terra de loucos onde o ouro é para poucos sem piedade
Os oprimidos e as máquinas, sem lei de verdade que te auxilia
A ganância do homem pelo metal precioso implica maldade.
MULHER ACOLHEDORA
Mulher acolhedora que estou a namorar!
Expôs-se guerreira labutando na dureza
Falou-me com clareza, soube me cativar
Mostrou-se toda humilde em fortaleza.
Conquistou-me pelos teus fiéis encantos
Pela tua beleza e vivas qualidades tantas
Além de te amar e enxugar os teus prantos
Quero te honrar e te louvar feito santas.
Mulher que é de fibra, ficou toda chorosa!
Fazendo assim eu por ti me apaixonar!
Pelos teus talentos de fêmea graciosa.
Em meu coração aberto te vou guardar
Do teu amor e confiança minh'alma goza
Te prometo pressa para te levar ao altar.
FRACASSO
A força que conduz à vida na batalha pela vitória, o sangue quente que corre nas veias, o pensamento que não sai da memória, pela tentação da boca sedenta em provar o gosto do que serpenteia na língua de uma hipnotizante sereia, as pernas trôpegas que cambaleiam, ao sentir o toque envolvente de uma serpente, que com a sua escama quente e o veneno ardente, paralisam os órgãos letargicamente, rumando à morte o corpo que sente o calor da víbora incandescente. É na garganta que o sufoco é premente, morde a carne sangrando os dentes, o gosto é amargo de fel aparente, se morre se mata, foge e se esconde, a loucura vem trotando, cavalgaduras de onde? Dos céus descestes aos infernos, tão vermelhos fogos eternos, calorias nos teus invernos, mas teu corpo retroage, teus membros encolhidos, teus escudos hão partidos, são frechas agonizantes, nas aljavas e nos arcos tesos, são espadas reluzentes, rostos implacáveis de guerreiros miseráveis para te socorrer. Haja vista de que vá morrer pelo veneno ardente da serpente, no beijo da sereia, que a língua serpenteia, se o corpo ainda guerreia, há antídoto suficiente, mas a alma que rasteja e o espírito claudicante e a morte que festeja o teu fracasso e derrota almejados, trespasse o teu peito nos lados com frechas agonizantes, com arcos tesos esvaziem as aljavas, antes fosse morte com clavas, e as espadas reluzentes que fatiem e matem também a serpente que antes te tentava.
DESPERTAR O AMOR
Escrever frases, fazer estrofes, rimar, com um conteúdo que leve aos outros refletirem a necessidade de amar.
Para acordarem os sentimentos bons que adormecem nos corações, esquecidos nos sentidos.
Despertar o amor, fazer esquecer a tristeza e a dor, eliminar certos rancores, fazê-los sumir com os seus dissabores.
Palavras doces, como se fossem a cura para um mal, não o insípido sal que não tempera o gosto, assim como não embriaga sem fermento o fraco mosto.
Dizendo que se faze o bem retorno terá do bem de alguém, todavia se faze o mal, salgar-se-á com o verdadeiro grosso sal.
Quisera entregar um coração incendiado de amor, como principal mentor em favor das vidas sem esperanças, que buscam nas lembranças forças para continuarem o seu labor, que nos olhos sem esplendor a expressão é de tristeza, que as migalhas sobre a mesa não alimentam nem dessedentam a paixão dos fracos em busca do pão, que mata a fome à realeza.