Lista de Poemas
Indo para não sei onde...

Indo pra não sei onde, a escuridão feliz, indolente
E marota desembarca numa hora refastelada
Qual esperança que marcha feliz e estimulada
Indo pra não sei onde, as palavras chibateiam as
Memórias assolapadas, aniquilando de vez a tristeza
Escorada num sorriso recauchutado e bem velado
Indo pra não sei onde, a manhã descalça um lamento
Além flagelado, e pavimenta a saudade que se agiganta
Num resquício de solidão que tanta, tanta dor quebranta
Indo para não sei onde…vou na mesma, deixando
Embrulhada no tempo uma compulsória ilusão esfarrapada
Um acrílico eco pintado com palavras passionais...quase embriagadas
Frederico de Castro
212
Uma noite...

Uma noite…e tanta escuridão contida
Num breu imenso e acossado
Morre ali finalmente ausente e arrasado
Uma noite…uma solidão desgastada
Um silêncio prenhe e devassado
Roendo-me a memória assim tão molestada
Uma noite…e um silêncio sequestrado
Um delírio desesperado fervendo na canícula
Dos dias que se esboroam numa brisa devassada
Uma noite…alada castrando do tempo qualquer
Hora tão débil e empanturrada, desabrochando
Entre meus versos bramindo numa prece tão ousada
Uma noite…agora finalmente embriagada bombeando
Sílabas e palavras pra sempre bem entrosadas, até
Cadastrar a saudade embutida numa caricia feliz e apaixonada
Frederico de Castro
235
Estilhaços de solidão

Suspira em silêncio um eco atordoado
Orquestra no tempo uma hora reverente
Estilhaçada pela solidão quase indiferente
Protagoniza este cenário de ilusão, um
Instante quase recorrente, enfeitiçando a
Madrugada tão desagasalhada tão irreverente
Entre o limbo e a esperança alicerçada na fé bem
Enquadrada, deixo a divagar no imaginário do silêncio
O manifesto de muitos, tantos desejos incendiários
Mal pestaneja o dia e a luz airosa, defenestra-se pela
Janela da ilusões mais reaccionárias, clamando lá dos
Penhascos do tempo e das fantasias mirabolantes e salafrárias
Frederico de Castro
152
Uma brisa de feição

Nesta capicua de silêncios vagabundos
Germina o tempo gatafunhado e fecundo
Dá asas à ilusão que ali trafega esgravatando
Esta solidão imensa e tão moribunda
Vomita a noite em breu imenso e felino
Calcorreando o andrajoso caminho deste
Imenso silêncio sempre, sempre tão pegajoso
A maresia emerge numa onda bolinando de feição
Uma brisa fresca e despretensiosa até naufragar
Entre as dunas da saudade mais contenciosa
Paralelas às emoções tamanhas e dengosas
Reage um explosivo sorriso que depois se
Agiganta ilusionista e pomposo, além onde baila
Um devaneio subtilmente coeso e generoso
Frederico de Castro
213
Desfragmentações

Condenada por uma escuridão profunda
A noite expõe-se nua e decapitada perante
A solidão ilimitada, tremendamente despeitada
A guilhotina do silêncio fatia um eco extraditado
Calando cada surdo lamento mais espevitado e dissidente
Contorcendo-se perante a luz envergonhada, tão inocente
À beira mar rebolam acolá duas ondas marginais
Deixam mudas as maresias sussurrando efervescentes
Até que o mar as engula feliz, reivindicado…complacente
Em sigilo as horas deambulam pelo tempo que além
Se dispersa displicente até desorbitar uma onda de caricias
Que deixei como pecúlio dos meus desejos mais convincentes
Movendo-se radiosa a alma desfragmenta-se num punhado
De luz absurdamente incandescente, deixando com vertigens
Uma ilusão cintilando na felpuda emoção…assim sorrateiramente
Frederico de Castro
177
Silêncio vilipendiado

Negasse-me o dia a luz e eu decerto
Morreria na doce escuridão generosa
Antecipando o funeral à memória que tão
Amedrontada, arqueja ofegante e pesarosa
Sem celeuma o dia cobre-se de negro seguindo
O cortejo da solidão dominadora e esclerosa
Deixando muitos, tantos, mas tantos lamentos
Andrajosos a vaguear na memória grada e rigorosa
Numa hora feliz, galharda e calorosa resumia num
Segundo toda esta esperança que nunca adiada
Se esmaga calada, recalcada…teimosamente assediada
Encarcerada no tempo que geme absolutamente adiado
Esconde-se a tristeza tão assolapada tão esmifrada, que as
Brisas solitariamente oscilam pelos outeiros do silêncio vilipendiado
Frederico de Castro
159
Água Viva

Renovada a manhã lastreia-se num
Tridimensional silêncio sempre opulento
Rega cada gota de alegria que cai
Neste aguaceiro magistral..quase quizilento
Assim descarrilada a memória adula cada
Palavra esbelta e sedenta, rebelando-se
Depois nesta estrofe emaranhada com rimas
E gargalhadas tão espevitadas
Frederico de Castro
321
Olhos nos olhos

Num acto final a vida regurgita um olhar
Extenso, malicioso e forasteiro
Cicatriza a expressão que ferida e matreira
Sensibiliza o empíreo silêncio ainda em cativeiro
Frederico de Castro
155
Haja luz...

Acende-se o dia consolado por deflagrados
Gomos de luz felizes e saciados
Forjando nos filamentos do silêncio um
Desejo ternamente felino e enamorado
Haja uma bendita luz além da escuridão para que,
Na soleira da manhã se recolham pedacinhos de
Sol à mercê desta solidão inerte, muda, esvaziada
Amplificada por um abissal silêncio tão falsificado
Aos encontrões as palavras reverberam implodindo
Num verso astuto e desaforado, até reencontrem
Uma rima que rime desesperadamente chanfrada
Vem chegando de mansinho uma brisa defenestrada
Pela solidão, impávida e serenamente depurada
Ficando mais que erectas tantas, tantas caricias desvairadas
Frederico de Castro
236
Luminárias da noite

Decifro num gomo de luz uma insinuante palavra
Ondulando pelas luminescências do tempo divergente
Deixam uma nesga de solidão carente, pendurada nos
Candelabros de uma hora derradeira e tão reticente
Está assim encenada a noite deixando no camarim
Da vida um teatral silêncio quase promíscuo, roçagando
De mansinho por entre ablepsia desta escuridão
Irreplicável e desarmada…em plena oclusão
Frederico de Castro
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