Lista de Poemas
Pelas artérias da noite

Languido como uma onda esperançosa evoco na
Madrugada, um incoercível silêncio que sangra
Rastejando pelo lajedo deste tempo tão passível
Num empíreo momento de solidão passou a morar na
Minha memória uma desconsolada e lauta escuridão deixando
Nas artérias da noite amarar um concupiscível breu em reclusão
Repousa nos braços da manhã revigorada e indiscernível
Flácidos beijos, condecorando a cidadela dos prazeres onde
Estanco com caricias esta ilusão inflamada e incorruptível
De perpetuidades e desejos ardentes revela-se este sonho
Drenado com memórias espontâneas, qual fadário momento
De solidões interligadas…inexoravelmente excomungadas
Frederico de Castro
264
Laje do tempo

Sob a laje de tempo ergue-se uma hora
sustentando os pilares da fé, qual dinâmica das
forças e tensões suspensas no aço da
estabilidade tão quântica
Frederico d Castro
247
Que pena...este silêncio

Desabito o tempo esvoaçando pra longe
Até que, sem pestanejar a ilusão elegante
Sacie este silêncio de cetim quase ludibriante
Empresto à carcaça das horas conciliadoras
O esqueleto da esperança onde se equilibram
Sonhos férteis e palavras mais apaziguadoras
Que pena…este silêncio tão caluniador
Fertilizado num quântico momento galanteador
Deixando a parasitar cada verso sempre escrutinador
Fica somente por envernizar esta noite assustadora
Onde os ais e lamentos se asfixiam conspiradores
Limando cada aresta a milhões de desejos regeneradores
Frederico de Castro
156
Cello

Entre o velcro do silêncio musica-se uma
Hora amordaçada, grudando todos os tendões desta
Ilusão musculadamente repetitiva mas bem afinada
Abdicando da escuridão o dia empoleira-se nesta
Nudez bem esboçada, debruando a luz repercutida
Num corpo excepcionalmente orquestrado
Frederico de Castro
237
Sob brisas sussurrantes

Na fronteira do silêncio esbarrou uma hora
Inconveniente, inoportuna e dependente
Ficou na antecâmara do degredo mais dissidente
Sob brisas sussurrantes a noite pulula numa escuridão
Decadente até ladear uma imensidão de lamentos indivisos
Acobardados nesta minha prece contrita e subserviente
Amortalhados e embebidos num gomo de silêncio
Fenecem dois segundos escrupulosamente
Asfixiados num eco ardendo, ardendo incandescente
Ao longe soam desgarradas canções roendo o
Caruncho das manhãs que chegam sempre iridiscentes
Deglutindo imarcescíveis palavras agora tão coincidentes
A madrugada decresce e apronta-se para o dia
Enrodilhado em obcecados gomos de ilusão surpreendente
Até povoar minha alma com pungentes gargalhadas tão candentes
Por isso faço da poesia minha voz ecoando livre, independente
E não há grilhões que prendam sequer uma destas palavras clarividentes,
Pois dentre os escombros da vida elas ainda e sempre soarão resistentes
Frederico de Castro
243
Grácil manhã

Terna e tão grácil desponta a manhã agitando os
Látegos ventos que açoitam aqueles entrelaçados afagos
Cingidos ao colo desta metamorfose que em nós eclode e em
Tantos, tantos carinhos num feliz sorriso gravitam e depois, implode
Terna e paciente a noite confunde-se entre os dedos
Da solidão que se esfrega no lajedo do tempo em reclusão
Petrificando a luz divagando intima pela corte dos desejos
Coligados na nossa repintada memória sempre em colisão
Espreguiça-se a solidão colorindo suas ternas fragrâncias
Dissimuladas num matinal momento de vida coagulada
Pincelando cada verso embebedado, delírando tão avassalado
Da nossa existência a saudade desenha um rascunho de sonhos
Temporários emprestando às carícias enfarpeladas o proficiente
Sonho matizado na universal grandeza da fé tão bem veiculada
Frederico de Castro
214
Dois pingos de silêncio...

Dois pingos de silêncio eclodem
Na noite rebelde e cativa
Ficam algemados numa tumultuária
Solidão blasfemando tão mercenária
Escolta a noite uma escuridão quase
Ordinária, desfragmentando aqui e além
Um breu fraudulento empoleirado num choro
Embargado…sem acalento, quase condecorado
Dois pingos de silêncio completamente
Virulentos infectam as memórias pestilentas
Encorpadas por tristezas extremamente corpulentas
Dormitam na madrugada um ciclo de solidões
Quase funestas, deixando explícitas o vestígio de
Tantas lágrimas tombando ininterruptas e lícitas
Frederico de Castro
154
Jamais se muda o tempo

Acende-se a chama inesquecível da manhã
E a luz entusiasmada aperalta-se para receber
O dia absolutamente diluível, jactante e empolgado
Alheias, as horas fluem pelo vão do silêncio grado
Sepultam memórias que tateiam uma ilusão passageira
Decretando o armistício para esta tristeza tão rotineira
Jamais se muda o tempo porque cada ausência se torna
Quase sempre uma longa eternidade deixando sem vestígios,
O passado, o presente que ficam para a posteridade
No calendário das memórias demarcam-se impressões
Digitais gravadas numa saudade embusteira que depois se
Fecha nas trincheiras do tempo tridimensionalmente corriqueiro
Ridículas e hostis as palavras deambulam desatinadas
Escoltam o destino das mil solidões desconsoladas e só batem em
Retirada após deglutirem as sobras de uma hora morrendo revoltada
Frederico de Castro
211
Entre as margens do tempo...

Entre as margens do tempo sossegam
Solidões desmobilizadas
Ondulam mansamente melancólicas
Confortavelmente hipnotizadas
Entre as margens do tempo pende um gomo
De luz sensibilizado, estendendo o tapete para
O silêncio que além se espraia feliz e amenizado
Entre as margens do tempo entranha-se uma
Maresia bem perfumada por aquela onda que impelida
Por uma brisa escandalizada, além se estatela
Furtiva e escandalosamente ruborizada
Entre as margens do tempo suam desejos indefesos
Deixando a sós a noite já horrorizada, desaguando
Entre duas almas afogadas em beijos e palavras apaixonadas
Frederico de Castro
211
Indulto para a solidão
Restam da escuridão sombras asfaltadas
Numa luminescente manhã desbravada
Insuflam aquela subtil neblina que sem custódia,
Amordaça minha solidão sempre catapultada
Crio versos e sílabas apaixonadas flutuando
Pelos batentes do tempo num vai vem indultado
Inspirando a força das palavras astutas, dotadas
Deixando o silêncio com ganas de gritar quase molestado
Perfumadas pelo olfacto do tempo excitam-se loucas horas
Tão atarantadas, gravitando sob um manto de espessas
Brumas escoltadas por pequenos gomos de ilusão arrebatada
Além, um bando de silêncios exultam bem ostentados
Desmembram emoções que só eu interpreto enquanto
Peneiro a saudade andarilha, latente…desconcertada
Frederico de Castro
203
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