Lista de Poemas
Palavras desatinadas

Deixo que os aromas primaveris revitalizem
Todos aqueles perfumes costurados em
Naperons de palavras tão apaixonadas
Colorindo os cílios da manhã chegando desatinada
Deixo a luz jorrar ainda que póstuma, refinada
Ainda que imatura, elegante e fascinada
Embrenhando-me depois na manhã loucamente
Indecifrável…absolutamente indisciplinada
Frederico de Castro
177
A ser amor...

– A ser amor…
Tínhamos que sentir, sem ter que suportar
Satisfazer nossas almas em silêncio
Mesmo que por vezes incomunicáveis
Ver nelas repercutido nossos beijos insaciáveis
– A ser amor…
Tínhamos que desembarcar
No mar das noites longas
Navegar nas maresias da paixão
Confundindo-nos entre ondas que
Nas margens reverberam plenas de emoção
– A ser amor…
Teríamos que nunca padecer de saudade
Nunca perder nossa razão em razão da verdade
Ser imbatíveis na procura da liberdade
Fertilizar a vida e o amor repleto de criatividade
Com palavras engalfinhadas na serenidade
– A ser amor…
Vamos legitimar cada beijo sancionado
Abraçar a solidão que desabrocha inflacionada
Tempestuosa e prenhe de tenacidade, reerguendo
Na inóspita manhã, intimas luminescências
Ferozes, sagazes, bebericadas com unanimidade
– A ser amor…
Seriamos mais aperfeiçoados
Para nunca sequer conter nossas lágrimas
Assim que estas se debrusçassem entre lençóis
Confidentes e apaixonados, ateando fogo à
Selva de desejos muito bem esmerilhados
– A ser amor…
Não haveria perdão ou castigo
Porque na mansão do amor se recriaria
Toda esta paixão nobre, fiel e equitativa
Adornando beijos e palavras tão superlativas
Frederico de Castro
242
Luz imprescindível

O dia lisonjeado, incendeia-se
Pulsa ansioso, latejante e bem iluminado
Condensa num clarão de luz a química da
Felicidade chegando ladeada por impreteríveis
Gomos de luz intangíveis e fascinados
Frederico de Castro
161
Sombras cativas

Tenho o silêncio cativo nestas sombras
Além suspensas num gomo de luz refractado
Semeiam na escuridão tantas rectas acidentalmente
Geométricas…resplandecentemente simétricas
Quão enorme se tornou esta noite deixando no
Edifício das solidões a saudade colérica tão extenuada
Alimento para bárbaros silêncios noctívagos desidratarem
A memória já de si histérica, sulfúrica e atarantada
Mordiscadas ficaram as horas mais desorientadas
Porque decerto lastimam todas as partidas, todas as
Ausências dolorosas e inexoravelmente acicatadas
A manhã renasce altiva e deambula deslumbrante pelas
Planícies da vida arquitectando mil ilusões apaixonadas
Abrilhantando as palavras inebriantes, possessas…suplantadas
Frederico de Castro
183
Além do mar...

Além do mar bramir, escancara-se
De par em par um poente ígneo
Saturado e bem inspirado
Dilacera cada gomo de luz mais
Reflexivo e acurado, navegando na noite
Entre pequenos desejos felizes e regenerados
Frederico de Castro
193
Na ruela da solidão

Na ruela da solidão esconde-se uma hora
Impaciente…tão pressionada, deixando em
Conluio este gomo de luz que brota na noite
Agora aprisionada
Na ruela da solidão pavimentam-se ausências
Reconstroem-se palavras sem reticências
Espicaçam-se desejos gemendo com mais eficiência
Ali onde mora a esperança gritando com tamanha evidência
Na ruela da solidão escorre a vaidade efémera e
Tão contundente, subjugando a manhã que se estira
No palco da vida escondida na coxia deste tempo decadente
Na ruela da solidão rabisco um verso absurdo e colidente
Esboço até um silêncio que avivo num sorriso concludente
Rodeado de (im)previsíveis beijos deixados ali por acidente
Frederico de Castro
250
Meiguices & maluquices

Tímida a manhã submersa numa neblina
Arisca percorre toda a astronomia de uma
Hora feérica aromatizada com palavras histéricas
No altar do tempo vestem-se as orações enérgicas
Com uma fé tamanha…quase colérica, até deglutir
Um querubínico silêncio, que além vai a repercutir
Com seus meigos sorrisos a memória acantona-se
Entre brisas etéreas, massacrando com acutilância
A solidão alencada nesta caricia grada e cheia e elegância
Renovam-se ilusões à chegada de uma madrugada
Fecunda e mitigada deixando que as meiguices e maluquices
Aconcheguem a alma lambuzada com imensos beijos quais gulodices
Frederico de Castro
209
Além da luz...

Além da luz morre toda a claridade
Obscurecida por esta solidão latente
Oblíqua e tão omnipresente
Além da luz desfalece dolorosa uma hora
Fugidia tão rigorosa, deixando na osmose dos
Silêncios uma palavra irrequieta e tão medrosa
Além da luz recobra uma ilusão poética e fervorosa
É sedutora, é audaz é viciante e tão glamorosa
Jamais abdica de uma caricia desejada e cheia de prosa
Além da luz amanhece a manhã desvairada e conflitante
Ostenta uma subtil e quântica solidão que se esvai ofegante
Num gentil gomo de esperança apaixonada e muito empolgante
Frederico de Castro
192
Palavras renegadas

Da retina dos meus olhos flui o tempo impregnado
De lamentos achincalhados qual preambulo para o
Silêncio coabitar nesta ladainha de desejos bem adornados
Preserva a noite sua escuridão quase esganada
Deixando fantoches ilusões pousarem na planície
Das minhas palavras visivelmente amarfanhadas
As horas em fúria cicatrizam cada decímetro desta
Solidão quase encarquilhada, até que breves brisas
Renegadas perfumem nossas almas agora mais engalfinhadas
Embatem na fachada das memórias momentos amordaçados
À saudade desesperadamente desatinada, deixando à
Deriva meu instinto, irreverente, selvagem…emocionado
Solta por fim a manhã um suspiro profundo, convidando
O verbo amar, a alastrar pelas caricias tão bem escrutinadas
Sem jamais defraudar a vida que além desponta assim insubordinada
Frederico De Castro
174
Curvilíneos silêncios

Nesta imensa maresia repousa uma onda
Imune a este silêncio safado quieto, recatado
Pois além se debruça um bem-aventurado oceano
Pairando no tempo incorruptível e empolgado
Decifro num gomo de luz uma insinuante palavra
Ondulando em todos os luminescentes estados
De prazer mais petulante, deixando uma nesga de
Solidão debruçada no beiral deste tempo tão migrante
Detecto na aragem dos dias resquícios de um perfume
Inebriante que alimenta todas as curvilíneas nuances de um
Desejo arfando entre silábicos e extasiados ais mais ofegantes
Está assim encenada a noite deixando no camarim da vida
Uma teatral saudade quase promíscua, roçagando de mansinho
Por entre o marulhar deste silêncio irreplicável e desalmado
Frederico de Castro
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