Lista de Poemas
Olha pra mim

Por entre a melancolia do silêncio encurralado
Flutua todo o semblante a solidão que além
Jaz entre os cílios dos meus olhos pranteando
Qual segredo desvelado…tão esfarrapado
Olha pra mim agora e indulta comigo
A tristeza que desagua furtiva para se sentar
Depois na poltrona de uma ilusão exilada e afectiva
Onde mora toda a inocência…sempre expectante e cativa
Frederico de Castro
178
Plano inclinado

No plano inclinado da existência pende para lá
Da emoção uma sombra matematicamente nublina
Consumindo este verso vadio sempre coreografado
Na expressão mais plena de uma visão quase felina
Frederico de Castro
230
Sem tempo para brincar II

Mudam-se os tempos e as vontades
Mas a voz lenta e embarcada ultrapassa
A barreira do som num lamento quase envergonhado
Verga-se até o semblante de uma face fatigada
Onde se consomem mórbidos silêncios
Teimosamente plantados numa esperança subjugada
Frederico de Castro
221
Grãos de luz

Regenerada a luz injecta no silêncio precoce
Uma balsâmica luminescência tão suplicada que
Se esvai depois pela escuridão e pelas persianas
De uma ilusão tão delicada…quase leviana
Frederico de Castro
211
Sem tempo para brincar III

Ainda perplexo o tempo destila seu lamento
Ao longo da tristeza impaciente, sorrateiramente
Empoleirada na destilaria dos silêncios tão endividados
Escrevo para que as palavras não fiquem caladas
Perante o crepúsculo lírico que se adivinha obcecado
Ou para que as réstias deste sol jamais feneçam intimidadas
Frederico de Castro
132
Close-up

De ecos deslumbrados renasce cada silêncio
E entre a penugem da manhã redesenho este
Fascinado sorriso quase indisciplinado
Na palma da mão a vida ateia uma palavra
Enamorada e depois adorna a esperança arfante
Triunfando entre os paramentos da fé mais suplicante
Frederico de Castro
258
Nos píncaros do céu

No açude do tempo galgam-se as margens
Deste céu ameno correndo fiel pelo leito
Da esperança, purificada, sedenta, unificada
Lá nos píncaros do céu brilhará aquela estrela
Fulgente e consolada, baptizando na nascente da fé
Minh' alma embutida numa oração deveras inebriada
A noite por fim cerrará as pálpebras ao dia desamparado
Crendo decerto que amanhã dos áureos e primorosos sonhos
A vida noivará cada palavra contida nestes versos impetuosos
Frederico de Castro
214
No reposteiro da noite

Finou-se aquele arisco silêncio quase impio
Deixando na fria laje da noite uma hora inquieta
Vacilando no lusco-fusco da escuridão tão obsoleta
Desassombrada e ríspida sinto a solidão rugir e
Acondicionar-se em mim sob a tutela de uma emoção
Indefectível irrequieta e abruptamente irascível
Ao chegar o crepúsculo matutino desfilam na fimbria do
Tempo tantos suspiros inéditos deixando qualquer supérfluo
Silêncio a pairar neste sonho onde tão somente me incluo
No reposteiro da vida esconde-se a solidão encapotada
Evocam-se memórias supracitadas para que no domínio
Da esperança a fé recobre toda a sua razão exaltada
Frederico de Castro
184
Para além da via láctea

Os olhos da noite
Vêm para além do tempo mais explicito
Desvelam o breu, gelado, absorto numa
Heresia de escuridões quase promiscuas
Os olhos da noite
Despertam palpitantes luminescências edílicas
Reflorestam a via láctea com estrelas brilhando
Na suavidade de uma coreografia celestial
Quase suplicia
Frederico de Castro
133
No mar da noite

No mar da noite navega-se à luz que
Se escapa à socapa de um bisonho
Breu, acanhado, dissolvido num adelgaçante
E sináptico silêncio empírico e tão excitante
No mar da noite remendam-se palavras
Corteses, rimas atónitas, selvaticamente afoitas
Catacrese para um verso dissonante
Bailando sinfónico feliz e sempre alucinante
Frederico e Castro
178
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