Lista de Poemas

Brisas gentis



Enquanto a manhã se espraia numa brisa
Conivente a luz desnorteada e subserviente
Trespassa um sublime silêncio que pousa
Enternecidamente num gomo de ilusão omnisciente

Ainda perplexa a madrugada destila seus lamentos
Ao longo da escuridão finada e enterrada, onde jaz
Tanta emoção impaciente, sorrateiramente empoleirada
Na destilaria das caricias copiosamente embriagadas

Escrevo para que as palavras não fiquem caladas
Perante o crepúsculo lírico que se adivinha obcecado
Ou para que as réstias deste sol jamais feneçam intimidadas

Numa brisa gentil e desnudada sussurram mansas maresias
Sempre descuidadas, blindando aquela onda que a meu jeito
Perscruto e aconchego à tona de tantos desejos bem fecundados

Frederico de Castro
223

Ponto...e virgula



Num pictograma diacrítico arquitecto e

Desenho palavras banais, alimentando a génese
Do tempo onde toda a panorâmica do silêncio
Se estatela entre o ponto e a virgula de
Uma esperança indubitavelmente dinâmica

Frederico de Castro
195

Stand up



Neste poente ecoa uma catarse musical
Purgando e purificando os sentidos num dramático
Lamento substantivamente sinusal, qual overdose
Para o coração batendo, batendo de forma cordial

Restos de luz persistem emaranhados num céu
Felino, quase acidental até ensopar uma hora que irrompe
Pela alma irreverente, faminta…absolutamente carente

Frederico de Castro
217

Sonâmbulo silêncio



À noite a escuridão tomba freneticamente gentia
Escorrega pelas sombras para não mais amnistiar
Aquele breu que além divaga, divaga tão escanifrado

Em seu sonambulismo furtuito cada hora alberga
Uma solidão sempre indignada e deixa sem pestanejar
Todo este silêncio que soçobra ante um eco tão desamparado

No meu imaginário incorporam-se memórias solidárias
Agitam-se palavras roçagando uma utopia imaginária
Constrói-se um poema feito de rimas absolutamente arbitrárias

E assim deixo a alma a meditar, recostada no divã de uma
Saudade que sei tão autoritária como quem pressente um
Afago demente…ou uma caricia omnipresente e totalitária

Frederico de Castro
178

Fosforescências



Ainda que decrépito o silêncio esponja-se no

Lajedo deste tempo decadente e marginal
Deixa a fumegar uma fosforescência
Exaltada…tão sensorial

Esmorece além o dia e cai depois devagarinho,
Alimentando este decímetro de solidão derradeira
Que arde sem alarde furtiva e desordeira

Frederico de Castro
201

Da minha janela...



O dia estava assim…
Vazio, amedrontado, parasítico
Rasgando com ímpeto a memória esborratada
Num silêncio agreste…tão paleolítico

Da minha janela
Caía uma chuva Inconfundivelmente enigmática
Estancando todas as hemorragias da solidão
Feita de gímnicas palavras quase profiláticas

Frederico de Castro
186

Ao sumir a noite...



Ao sumir a noite sei que nascerá mais além
Uma manhã viril e infindável deixando o sistema
Nervoso do silêncio a decompor-se num eco admirável

Albergo nesta ilusão farta de tanta adrenalina, uma
Abalroante fé que me guinda sempre para a quilha
Das emoções mais quânticas, emproadas e semânticas

Frederico de Castro
246

Expressões no olhar



- para a Noemi

Aos pés da manhã sorri a bonita

Face na menina dos olhos meus
Deleita-se consolada adormecendo
Os cílios à noite apaixonada por um luar
Recém-chegado, absolutamente afagado

Frederico de Castro
183

Talvez noutra manhã…



Talvez prescinda a noite da escuridão
Que até ali se acoitara com tanta prontidão
Anuindo feliz porque a manhã já lá vem fria
Regurgitando gargalhadas com tamanha ilusão

Talvez eu nem escute mais aquele silêncio fecundo
E recíproco, presumindo que todos os ecos
Sem excepções verticalizem a esperança
Debruçada na varanda das minhas emoções

Frederico de Castro
139

Sem tempo para brincar



Com astucia a tristeza escancara um
Olhar ainda que meigo e abalado
Tão inocente, tão encurralado

No olhar repousa um algoz silêncio calado
Subtilmente atribulado pela solidão
Transladada numa lágrima quase mutilada

Sem tempo para brincar a inocência escolta
Cada lamento empolado, sempre desconsolado
Tatuando na memória um sonho jamais desvelado

Frederico de Castro
216

Comentários (3)

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asdfgh

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

asdfgh

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

ania_lepp

Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!