Lista de Poemas
Um gomo de luar

Qual presságio subtil e supremo caindo sob
O peso de uma solidão tremenda o destino
Tomba além vergado neste silêncio tão sucinto
Avalio atentamente cada gomo de luar nascendo
Na noite quase sempre falsificada por uma
Luminescência triste, complacente…em debandada
Numa patuscada de silêncios enamorados a saudade
Deixa indecifráveis memórias pintando aquele
Quadro de emoções tão sensoriais…tão inexplicáveis
Frederico de Castro
213
Luar indomável

Pintalgo no tempo a dimensão do silêncio até
Deixar uma sequela de felicidade a velejar além
Sorrateira no regaço de uma maresia que
Baloiça, baloiça tão buliceira
Enquanto a noite se remenda num gomo de luz
Indomável, a solidão castra cada sombra vagando
Neste luar vergado e embutido em silabas e
Palavras que esquadrinho empolgado
Frederico de Castro
141
A noite e a escuridão

Estampada na noite a escuridão unta e afaga
Cada gomo de luar que se esvai até a luz minguar
Enleva-se num eco resvalando pela ribanceira
De um sonho nunca antes revelado
Frederico de Castro
225
O pastor

Leva cada rebanho de silêncios ali a pastar
Aconchega a solidão nos seu braços e com
Ela dormita no aprisco da esperança apaziguada
E quando a noite de mansinho se põe além
Num acto sublime de amor recolhe, uma a uma
No cortelho da esperança persuadida e almejada
Com sua samarra bem aconchegada acoita-se
Do frio e da brisa ventando na refrega do desgarrado
Sonho balindo cabalmente fecundo e combalido
No diâmetro de uma solidão tão vagabunda
Domestico cada eco que se expande no tempo abolido
Oh, ruminante ilusão regurgitada neste silêncio expedito
Frederico de Castro
228
Gingando pela noite

O corpo da noite esculpido num eco
Abismado beberica cada gomo de luz colhido
E santificado num bruá majestoso e sofisticado
Escasso é este silêncio quase hagiológico deixando
Um halo de esperança iluminar e desabar nesta oração
Fanática peregrinando pelo altar da vida mais fleumática
Frederico de Castro
229
Panorâmica da solidão

Uma lágrima muda vagueia pelos
Escombros deste silêncio exasperado
Até se fundir na noite que além tão
Lívida e volátil desaparece dilacerada
Num monograma artístico arquitecto e
Desenho versos banais alimentando a génese
Inicial da vida onde toda a panorâmica da solidão
Se estatela entre a derme de uma caricia balsâmica
Telegraficamente a memória deixa como fiança
Uma saudade eufórica…sem equívocos, apenas
Perpetuada por uma lembrança, fiel e sempre categórica
A poesia que nasce de mim, oferto-a ao mundo
E não mais me pertence pois circula numa brisa telúrica
Embalando a alma num tântrico silêncio quase sulfúrico
Frederico de Castro
184
Único silêncio

Sentada no cadeirão do tempo uma hora
Sossega e apascenta aquele segundo tirano
Sempre escravizado, até vestir de branco
A briosa manhã chegando tão branda
Amarrotadas memórias subsistem ainda
Milagrosas, lambuzando os cílios à solidão
Que esporadicamente se acoita entre
Cada imutável segundo aclamado com emoção
De manhãzinha as nuvens arrotam um aguaceiro
Fino debruando cada gotícula de água com uma
Fé exorbitante, intrínseca e cada vez mais solicitante
Na calmaria dos meus silêncios vagueiam tantas
Maresias perfumadas e revigorantes deixando depois a
Jusante uma imensidão de beijos inteiramente reconfortantes
Frederico de Castro
191
Suave calmaria

Garimpo nas memórias aquela pepita de
Silêncio brilhando tão magnífica …tão unívoca
Ilumina cada penumbra que desmaia na calmaria
E deliquescência de uma palavra tão inequívoca
Na tara do tempo peso cada emoção evocativa
Que me é tão cordial para que em cada estrofe
Descubra a essência de um verso tão filosofal, qual
Suave caricia que me alimenta assim de forma visceral
Frederico de Castro
214
Réstias de luz

Entre as paredes do tempo resguardo
Aquele silêncio desalinhado e vagabundo
Deixando atordoada qualquer hora gravada
Numa multidão de memórias tão gradas
De Mozart a Vivaldi ecoa uma catarse musical
Purgando e purificando os sentidos num dramático
Lamento substantivamente sinusal, qual overdose
Para o coração batendo, batendo de forma bestial
Em desordem a noite sacode esta escuridão
Quase funesta e abissal onde impera a emoção
Mais introspectiva efémera e colossal
Restos de luz persistem emaranhadas num breu
Felino, quase acidental até ensopar a saudade que irrompe
Pela alma carente, faminta…admiravelmente irreverente
Frederico de Castro
193
Farol da noite

Online e em toda extensão do silêncio
Esta escuridão furtiva, ficou embutida num verso
Casto, emotivo e repleto de presságios
Subtilmente a luz desnuda-se fiel e esplêndida
De nada valendo à escuridão que além sobeja
Insinuando um nardo desejo bem perfumado
Apanágio desta hora tão tirânica e em pânico
O silêncio percorre a torcida do tempo qual flâmula
Luzidia e icónica, deixando uma tépida emoção
A fibrilar entre palavras tão atónitas
Frederico de Castro
201
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