Lista de Poemas
Noite virtuosa

Limando cada aresta do silêncio
As palavras mendigam uma caricia
Suspirando fascinada até inundar
Cada sorriso rejuvenescendo alucinado
Desacorrentada a luz banha a noite
Chegando veloz e aparatosa, carimbando
Cada beijo com aquela doçura deleitosa
Própria de uma rima feliz e virtuosa
Nas asas do tempo deixo que infindas lembranças
Suportem a memória gulosa, convertendo em
Afagos cada lágrima poeticamente ardilosa
Das alturas celestiais reluz uma estrela solitária
Saúda com pompa e circunstância a noite que
Chega debruando cada colorido silêncio garboso
Frederico de Castro
153
Este inesquecível silêncio

A saudade empoleirada numa prateleira
Da solidão namora aquela lembrança
Trajada de amor, fé e muita perseverança
Este silêncio inesquecível pranteia até
Encobrir cada penumbra da noite que além
Estrangula a escuridão farta e rapinante
Gomos de luz ainda atrofiados, escondem-se
Num luminescente momento de prazer alucinante
Qual archote de emoções ardendo, ardendo flamejante
Acostada à beira da maresia que nos afoga assim
Tão extravagante, espero pacientemente aquela onda
Que marulha carinhosamente ali tão silenciosamente
Na morada dos tempos idos recordo aquele sorriso
Escondido numa hora amordaçada, batendo em retirada
Após endoidecer o coração repleto de palavras desvairadas
Frederico de Castro
146
Dor da alma

O silêncio pisoteado estende-se na ladeira do
Tempo desvinculado até deixar qualquer hora
Morrer absurdamente inacabada
Deste semblante que dói até ao fundo da alma
Flui uma súbita lágrima corroborada, qual sussurro
Fluindo nas palavras dolorosamente enclausuradas
Frederico de Castro
142
À sombra das sombras

À sombra das sombras repousam
Tantas horas acossadas,
Deixam um quisto de solidões
Tão tumefactas ruir entre
Palavras inconfessadas
Debruçada sobre as memórias
Quase anestesiadas, sossega um
Absoluto lamento assediado
Deixando tresmalhado um sonho
Fiel…quase plagiado
Frederico de Castro
186
Cores e emoções

Em estado de graça o dia engravida
Aquele gomo de luz majestoso que banha
Uma emoção complacente e amistosa
Do corrimão do tempo escorre cada hora
Semeada num eco tão portentoso
Estancando todo o silêncio que brota crepitoso
E assim aparatosas as sombras cavalgam uma
Tremenda luminescência apetitosa, alimentando
Cada fogosa emoção relembrada no coração
Frederico de Castro
192
Flauta encantada

Entre um pardo anoitecer bate a rebate
Uma hora desolada restituindo ao silêncio
Aquele indefectível cântico bem inspirado
A cada sopro os sentidos unem-se
Travestindo com lisonjas um indisfarsável
Eco personificado num lamento pungido e inolvidável
Brota assim das entranhas da solidão a mais
Pura ilusão ungida com perfumes silentes, salpicando
Aqui e ali o ecoante esgar da tristeza quase condolente
Cravados no seio da noite os sonhos deambulam esquecidos
Profusos, deitando-se depois na horizontalidade do tempo
Que baila entre as penugens de uma brisa tão entorpecida
Frederico de Castro
175
Musicando nas nuvens

- para o Ciro e Lucas...meus filhos
Renasce além nas asas do tempo
Um cântico sensibilizado e feliz
Vasculha todo este silêncio mediatizado
Rompendo a alva que chega hipnotizada
Estendido no horizonte das memórias
Estreabrem-se os céus mais virtuais
Algemando e asfixiando tantas palavras que
Resguardo dentro das emoções tão cordiais
Frederico de Castro
226
A textura da solidão

A luz morna e subtil suspira esquecida e resignada
Eureka! Descobri no silêncio nómada, tantas
Palavras perfeitas, inspiradoras e desatinadas
A noite assombrada sacia-se com este luar
Quase mágico…tão inflacionado, consumindo cada
Mísera hora que fenece impotente e abandonada
Em trânsito a madrugada pavoneia-se toda
Escurecida quase benzida pela emoção que
Apetecida, saúda minha fé absolutamente comprazida
Inalterável ao silêncio que se sitia numa hora
Complacente o dia renasce agora submisso deixando a
Fanfarrar mil caricias merecidas…que tanto quis subornar
Frederico de Castro
218
Maresia amordaçada

Na penumbra da minha solidão repousa
Um sonho quase encurralado
Fica de vigia durante a noite que se
Entranha pelas frestas deste silêncio dissimulado
Dentro do intimidante olhar perscruto a noite
Que se ausenta ao sabor de uma onda estimulada
Deixo todas as tenras brisas fluir na imutável
Bebedeira de palavras poéticas e bem arquitectadas
A memória ficou inalterável, tão avassalada
Rendida a tanta saudade que trepida arrojada
Até desatar os nós a cada caricia ali estatelada
Jorra do silêncio um mar de lamentos vigorosos
Despertam na maresia que ficou amordaçada
A uma réstia de emoções saborosas e aduladas
Frederico de Castro
216
O vício do silêncio

Em decadência a madrugada mais fiel penitencia
Cada silêncio esculpido no panorama das
Palavras castas, nobres elegantemente cordiais
Cada sombra amável e crepuscular estende-se
Num mavioso lamento tão carente deixando suculentos
Momentos de ilusão a tinir ali tão estridentes
A luz da manhã espontânea agride aquela colina
Que além acoberta toda a solidão evidente qual
Ornamento delirante para um beijo feliz e conivente
Amenos perfumes vagueiam agora pelas planícies
Desta imensa saudade eivada e decadente até ao confluir
Da mais rutila fé cintilando numa vaga de orações providentes
Este meu vicio de sobreviver em silêncio é que
Me mantém vivo, pois sinto-o, acalento-o, alimento-o
Até que um sereníssimo e brutal eco se volatilize agilíssimo
Frederico de Castro
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