Lista de Poemas
Silêncio sem fronteiras

Com uma escuridão perfeitamente simétrica
Aquele breu sangrando na noite tão tétrica
Deixa sem métrica este verso repleto de
Palavras absurdamente histéricas
Vai além a enterrar todo este silêncio
Sem fronteiras…tão cadavérico, que a noite
Pintada com escuridões coléricas, embriaga-se
Nas minhas emoções férteis…quase estratosféricas
No epicentro da madrugada a luz mortiça empoleirada
Nos castiçais da saudade, deixa prevaricar cada
Caricia despoletada pelo sabor de um sonho pacificado
O todo é apenas a parte das memórias fechadas quais
Relíquias escondidas no baú das lembranças aninhadas na
Noite que desperta sob o domínio da solidão tão acanhada
Frederico de Castro
200
De cabeça perdida

Entre as brumas do tempo
Desfragmentam-se tantas horas
Frágeis e sumaríssimas,
Envelhecem cada palavra agourenta
E sempre tão excitadíssima
À nora o dia perdeu a cabeça
Deixou-a além decapitada presa
A um sereníssimo silêncio ecoando
Tão resilente e agilíssimo...
Frederico de Castro
189
Entre as dunas da noite

Entre as dunas da noite que vorazmente se
Alimenta desta escuridão iníqua, deixo no arquivo
Do tempo uma palavra desvairada e ventríloqua
Pelos nós da memória desatam-se saudades tão
Obliquas e até desentalamos aquele silêncio que
Indiferente excursiona pelo deserto da alma tão carente
Frederico de Castro
165
Quanta luz na escuridão

Ficou tão oco este silêncio
Deixou tantas horas mortas a
Vadiar na noite mais amorfa
Na memória oculta murcha uma
Lembrança quase xenófoba
Mordisca cada palavra mais ímproba
Em duelo com a escuridão a luz
Tépida da madrugada esconde-se
Numa indolente rima quase empolgada
Na peugada da manhã aventura-se
Agora o dia tão embasbacado, até se
Esfumar num eco subtil e ressacado
Cai na cisterna do tempo um aguaceiro
Deveras tão encharcado, inundando a
Alameda dos meus sonhos sempre aplacados
Frederico de Castro
196
Assim te vestes ó linda manhã

...junto ao cais das colinas
Com um olhar suburbano alimento o dia descendo na
Haste deste silêncio tão implícito, deixando na guarita do
Tempo um gesto, um desejo…um instinto tão solene e preciso
Pois assim te vestes ó linha manhã sempre excitável
Bebericando com requinte um sonho chegando indecifrável
Até te perderes em cada maresia que sussurra quase indomável
Frederico de Castro
220
Nos trilhos da noite

Esboroa-se o dia e estatela-se entre
Penumbras subtis que aqui e acolá
Adormecem à luz deste silêncio tão gentil
São incomensuráveis as memórias
Assanhadas e urdidas nesta noite
Indubitavelmente volátil e aturdida
Nos trilhos morfínicos do tempo veleja
Uma hora voraz fulminante e abnegada
Cai além de madura oh, tão ofendida e subjugada
Em delírios a noite despista-se nas ruelas
Desta escuridão empertigada, deixando tantos
Imperdíveis lamentos a devanear sempre embriagados
Frederico de Castro
223
Súbito silêncio

Chamei a solidão para romper todos
Os grilhões que atam solidamente cada
Momento de ilusão chegando tão avidamente
Num súbito silêncio a noite enrosca-se à
Escuridão felina que luta galhardamente com
Aquele breu fluindo além espalhafatosamente
Aos olhos da saudade perpassa uma memória
Indubitavelmente serena…tão alucinógena
Mais cruel que a morte chegando quase patógena
Vai a enterrar o silêncio…silêncio que alvitro
Agora onde acalento abarrotados sentimentos
Estrangulando um grito feito eco dos meus lamentos
Frederico de Castro
244
De que padece a noite

Acende-se no pavio do tempo
Uma doce luz felicíssima, qual
Preambulo para a solidão
Convalescendo agilíssima…
Nesse momento implode um silêncio
Quase esfarrapado, deixando até
Amedrontados, tantos ecos
Pecaminosos e emancipados
Nesse momento de consternação,
Abraço uma escorregadia saudade,
Nunca dissipada, pois as memórias,
Essas, continuarão em mim bem firmadas
Padece a noite de um breu quase
Estapafúrdico alimentando frustradas
Horas além fluindo alorpadas, num manancial
De brandas melancolias medrando alucinadas
Frederico de Castro
213
Insurrecto silêncio

Na madrugada vadia e felina flui um
Cortejo de lamentos tão acabrunhados
Gravitam no eixo de um eco erecto que suspira
Absolutamente desdenhado e insurrecto
Um coro de incensos e perfumes audita
Minha solidão além engalfinhada onde
Retumbantes e explosivas emoções
Afagam minh’alma tão esgadanhada
Incontido e feliz despenca dos céus
Aquele aguaceiro aninhado em gostas
De silêncio que caiem sob o tecto da
Minha solidão tão bem escançada
E assim se inunda a esperança e a fé
Tão sôfrega, tão sísmica, sacudindo cada
Palavra empoleirada no altar do amor denodado
Razão de vida exultada num sonho mais espicaçado
Frederico de Castro
123
Entre parênteses

Esconde-se a luz entre sombras elegantes
Quase inertes, deixando sangrar a noite que altiva
Se afoga numa lágrima profundamente asfixiada
Ocultas numa solidão quase ecuménica ficarão
As maresias dos meus lamentos sempre corteses
Flutuando naquela epífise memória entre parênteses
Frederico de Castro
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