Lista de Poemas

Deste coração...até lhe dói a alma



O silêncio pisoteado estende-se na ladeira do
Tempo desvinculado até deixar qualquer hora
Morrer absurdamente inacabada

Deste semblante que dói até ao fundo da alma
Flui uma súbita lágrima corroborada, qual sussurro
De palavras dolorosamente enclausuradas

Frederico de Castro
163

Poderes dos céus II



Nasce além uma noite quase perversa
Deixa uma minúscula hora em reclusão
Depois de tanto regar este tempo repleto
De palavras e desejos tão selectos

Com estrondo rasgam-se os poderes
Dos céus, iluminando a escuridão flagelada
Vadiando pela calada da noite, onde mora
Minha inspiração deambulando refastelada

Frederico de Castro
220

Poder dos céus



Namoro cada gomo de luz airoso
Escorregando neste silêncio vigoroso
Ribomba além rebelado enfeitando um
Lamento contido e desmazelado

A noite engrandecida rói a memória
Emaranhada num montão de solidões
Interpeladas…nunca antes desveladas
Deixando nos céus esta escuridão flagelada

Frederico de Castro
249

Espectro do silêncio



Quão mágica se tornou a luz
Destronou dali a escuridão que conturbada
Se acoita numa palavra quase agoniada

O espectro do silêncio desbasta cada
Hora enorme e revoltada, deixando
Algures uma lágrima a chorar tão indesejada

A noite esvoaçante acaricia aquela brisa
Chegando perfumada…quase enfeitiçante
Até nos embriagar com desejos sempre meliantes

Numa sinfonia fantástica a manhã regenera-se e
Apronta cada neurónio de alegria exuberante para
Que uma infinita caricia em nós se eternize mais pujante

Frederico de Castro
179

Semeando estrelas



Semeio nos céus virtuais aquela estrela
Que a escuridão quer pilhar até vestir a
Noite que teima cada sonho vasculhar

Com luminescências sempre pujantes a luz
Suspira tão fulgente…tão divertidamente,
Deixando uma estrela brilhar assim admiravelmente

Frederico de Castro
131

Sereno Espaço



Pinga a luz uma luminescência fragrante
Colhe no seu regaço cada emoção correndo
Pra jusante desta solidão tão refrigerante

Dentro do espaço corre o tempo delirante
Acomodado numa brisa elegante, deixando
Uma escassa hora a delirar, assim itinerante

Ouço além o silêncio a desfazer-se em pequenos
Tufos de ilusão, para que nenhum eco esbaforido se
Abeire do abismo e depois feneça mudo e desprevenido

Frederico de Castro
183

Escuridão coagida



Fitei de perto a madrugada desnudar-se
No meio da escuridão desprevenida onde
Se enlaçam caricias namorando tão unidas

Hospedei-me numa hora solitária catando
Cada sonho vergado e empedernido que
Bronzeava o silêncio exímio e muito atrevido

A manhã viril e satisfeita escarra um gomo
De luz tão carcomido, até desmantelar de vez a
Escuridão encaixotada numa solidão sempre coagida

Ensaboei os céus com um aguaceiro esbaforido
Até desaguar num prazer milhões de vezes suprido
Que se afoga num cativo silêncio agora bem remido

Frederico de Castro
166

A moldura



No quadro das ilusões pintam-se tantas
Emoções gigantescas onde um sereno
Gesto desemboca nesta rima tão arabesca

Nas bordas do tempo esquadrinho aquela
Hora final ruidosamente recambolesca comendo
Com gula cada afecto principescamente pitoresco

Na manhã tagarela que nasce vaidosa brilha um
Concupiscente silêncio, quase dantesco, adagio
Para um oboé vibrar, vibrar tão gigantesco

Dos troncos da noite brotam agora pequenos ramos
Desta solidão extasiada e complacente, qual seiva
Escorrendo no perfil de uma caricia sempre convincente

Frederico de Castro
222

Cada degrau



Cada degrau range em silêncio quando
Pisamos a fasquia do tempo esquecido
Ali onde mora uma hora carcomida…tão fatídica

Cada degrau range devagarinho pois o
Caruncho da solidão impensada corroeu
Cada lance da ilusão sitiada numa palavra aliada

Passo a passo subimos e não chegamos
A lugar nenhum porque no corrimão dos silêncios
Mora uma saudade erecta e em plena obscuridão

Preso aos balaustres da vida, do subterrâneo até
À mansarda vislumbro cada lancil onde as pegadas
Do tempo pousarão por fim felizes e homologadas

Frederico de Castro
204

Rivederti



A luz cambaleia triste e borda cada gomo
De solidão mais vetusta, até abraçar a beatitude
De cada palavra agrilhoada fluindo no meu alaúde

O olhar vazio, olhando além do estuário da vida
Bajula esta ilusão qual pluma esvoaçando entre
As brumas da manhã, esfrangalhada e dissonante
Até se desvendar a noite obsoleta ferida e vigilante

No painel do tempo adentram a alma tantas horas
Saltitantes, tecendo em nós as insígnias do amor
Para que unam eternamente cada incoercível,
Cada inalienável silêncio mais incorrosível

Nos bastidores das memórias abrem-se as cortinas, e de
Lá se encenam lembranças para uma plateia aplaudir cada
Acto trazido à ribalta no proscénio da vida ali a eclodir

Frederico de Castro
186

Comentários (3)

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asdfgh

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

asdfgh

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

ania_lepp

Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!