Lista de Poemas
O que arde...queima
Num ritual ardente e mágico queimam-se dois
Corpos apaixonados tão arrochados
Deixam salientes uma chama única…complacente
O que arde, queima, flameja numa tocha radioactiva
Tão proeminente, ignificando duas almas para
Sempre apaixonadas e colidentes
O que arde, queima, inflama-se iminente
Reage qual comburente dos desejos mais inconscientes
Flamejando, flamejando até ruirem tão fogosamente
O que arde, queima…em câmara lenta neste
Fogo fátuo faiscando de prazer mais demente
Archote que arde na noite apaixonada…quase insolente
Frederico de Castro
168
Véu da noite
Perpetuada a noite vagueia agora
Pelos trilhos deste silêncio dissimulado
Entre os véus sedosos da noite que
Amarinha pelos céus invictos e emancipados
Em queda livre a madrugada irrompe renegada
Apoquentando os pequenos burburinhos que
Fluem na escuridão absurdamente tarada
Deixo meu destino remoto nas mãos da solidão
Que tão deprimida acotovela a memória angustiada
Onde mitigo um gomo de esperança ainda que extraviada
Dentro do tempo resguardo estéreis silêncios que
Planam num isométrico momento de ilusão obcecada
Até que, translucidas as sombras reclusas despoletem
Para a vida indubitavelmente apaixonada e profusa
Frederico de Castro
285
Desejos pirómanos
Gotas de luz incandescentes resvalam pelos céus
Espessos e tão obscurecidos como lágrimas que se
Esfrangalham além erráticas, quase convulsas
De tristeza sei que chora a noite relapsa, tão
Magoada, tão persuadida solidificando este breve
Crepúsculo que jaz além fronteiras bem expandido
A luz adoeceu e recostou-se na marquesa do
Tempo que regredindo abala desiludido, algemando pra
Sempre uma hora desnorteada, tumultuada…tão ofendida
Languida e esperançosa sangra a sombria manhã
Deixando imensas cicatrizes evocadas no mausoléu do
Tempo hausto, flébil, às vezes profano, outras febril e tirano
Absorvo deste silêncio um eco castrado, quase desumano
Cerco a ebúrnea e fina ilusão num cântico infinito e melómano
Onde tombam os lamentos latejando sempre tiranos…quase pirómanos
Frederico de Castro
181
Destino...ou desatino
Sem segredos a madrugada dilui-se num vulto
De luz sombrio quase decapitado até demolir de vez,
Este silêncio despojado entrópico…tão premeditado
Lá longe no anonimato dos céus longínquos esculpo
Este verso rodeado de palavras rejeitadas, enfeitadas
Pelo léxico das memórias nefastas, hoje ressuscitadas
Suspensas na saudade mais açoitada vacila uma hora
Sistematicamente enjeitada por um míssil de solidões
Explodindo no porão das minhas memórias quase decapitadas
Entretenho-me a descortinar com quantos tédios enfrentarei
Esta imensidão de lamentos barricados no pântano do tempo que
Sem destino fenece e desatinado me agride à traulitada
Extingue-se na noite um milimétrico segundo tão amofinado
Esgueira-se pela cripta do silêncio mais profuso deixando
Que uma hora se extinga de vez, assim ardentemente obstinada
O adeus está mesmo ali entreabrindo aquela implacável
Saudade prostrada no patíbulo do tempo irreplicável, vitimando
Apenas a memória irrecuperável, absolutamente implacável
Frederico de Castro
203
Plumas semânticas
Caiem entristecidas pela tarde duas
Lágrimas guarnecendo a saudade
Que ficou sem palavras, enaltecendo
Esta solidão, tão pluvial…quase versátil
Prestes a morrer ao longe o dia esconde-se
Num fantástico e sussurrante poente volátil
Além onde deliram as arquitecturas de muitas
Tantas caricias que se desnudam assim vibráteis
Adormecidas no palacete do tempo sossegam
Temperadas memórias seduzidas pela hospitalidade
Daqueles teus beijos infligidos com tamanha agilidade
No baldio dos sonhos ainda jaz a esperança dez mil
Vezes apregoada, subscrevendo nas palavras semânticas
Todo meu romantismo mais autentico…tão quântico
Frederico de Castro
254
Ébria escuridão
A luz premonitória e ébria desmonta a escuridão
Que fenece ante o dia chegando sem sarcasmos
Deixa no templo da alma o emplastro da solidão
Sepultada na esperança agora mais que espevitada
Ali antevi toda a saudade guarnecida por ilusões
Tão incitadas, vestido a fresca memória onde decorara
Meus sonhos ponderados, convertidos àquela emoção
Cavalgando assim insinuante, intrometida, muito intimidada
Dissimuladas no tédio do silêncio esquivam-se as horas
Trotando quase aniquiladas desenhando nas avenidas do
Luar uma tímida brisa que se enforca à solidão tão protelada
Pelas penumbras do tempo esvai-se este Setembro
Fugidio deixando no presidio da vida, mui gráceis e esguias
Lembranças rodopiando pela mente fértil e tão volátil
Frederico de Castro
279
Pelos olhos teus...
Pelos olhos teus...
Sinto a madrugada fluir ávida quase violenta
Aduzida por uma magnânima hora tão quizilenta
Triunfalmente erguida depois de uma oração sedenta
Pelos olhos teus...
Degluto a manhã impávida e serena, erguida
Pelas luminescências de uma caricia feliz
Parida e manipulada lá no porão do
Tempo e das palavras bem alfabetizadas
Pelos olhos teus...
Beberico cada breu mais apocalíptico até que,
A solidão reescreva o bendito afago feito matriz
De tantas gargalhadas felizes, aglutinadoras, quase brejeiras
Pelos olhos teus...
Educo cada verso sempre lírico e apaixonado
Recrio a intersecção das emoções legitimas, codificadas
Até devastar cada aresta deste silêncio debutante e conspirador
Pelos olhos teus...
Apaziguo até as monções orientais blasfemando num
Aguaceiro auspicioso soprando qual doce brisa choraminguenta
Oh, pranto que tanto pranteias nesta hora felina e suculenta
Pelos olhos teus...
Incuto na saudade aquela memória aguerrida e opulenta
Que me alenta e embebeda das mesmíssimas maresias
Navegando num sedento momento de inspiração quase virulenta
Pelos olhos teus...
Pousa de mansinho a luz da esperança assim sonolenta
Requebra meus ais e lamentos num monólogo de paixões
Envoltas na razão da minha fé, sempre, mas sempre mais corpulenta
Frederico de Castro
232
Numa brisa...
Ronda-me este silêncio sem tréguas
E tão pútrido consumindo todas as
Inquietações sedutoras e destemidas
Chega pela madrugada uma brisa incontida
Caiando a escuridão com perfumes aliciantes
Engolindo o breu num trago feliz e radiante
Sem paralelo a manhã reaparece bramindo
Quase contundida pela ilusão acampada ao redor
De uma caricia insuperavelmente bem concebida
Sem dilemas a memória desperta deste abismo
Enorme onde desolados se aquartelam os desejos
Mais musculados, nestes versos sempre bem dissimulados
Frederico de Castro
227
No limbo da solidão
Em sonhos e lamentos tristes enrodilham-se
Ilusões inimagináveis escaldando os desejos
Que pululam na faminta memória quase alucinada
Vou podar da manhã um gomo de luz ainda amuado
Absurdamente apupado matando depois a minha
Solidão dormitando no limbo deste tempo tão degradado
Algemo até ao limite desta escravidão a clamante alma
Que ressuscita para uma alvorada de alegrias cativantes
Num acto de belos e prognosticáveis beijos tão pujantes
Deixo uma acurada emoção colorir estes versos
Demasiadamente irrelevantes quase implorados e ofegantes
Urdir um silêncio rufando alegre para gáudio da fé mais entusiasmante
Frederico de Castro
163
Desamparadamente
Esvoaçando o dia remanesce encabrunhado
Massajando suas plumagens a cada gomo
De luz absolutamente definhado
Com seu manto sagrado a solidão
Agiganta-se em todos os sincronizados
Suspiros que nos embebedam mais hostilizados
Deixem-me congratular a noite que murcha
No meio desta escuridão tão desumanizada
Absolvendo cada prolífica hora morrendo insubordinada
Com tanta inclemência o tempo apodrece ao fossilizar
Todo este silêncio profuso, hostil, quase eternizado,
Mitigando meu lamento que cai além de bruços...estatelado
Frederico de Castro
182
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