Lista de Poemas

As layers da solidão



Abundam em mim tantas dúvidas, tantas expectativas
A fé morando lá fora reveste-se de mil desesperanças
Introspectivas...solícitas, emprenhando cada memória vagando
Célere pelas orações resignadas e retroactivas

A natureza das coisas aguarda silenciosa entre as moitas
Do tempo uma oportunidade para parir aquela tempestade
De desejos que crescem fluidificantes, apelativos deixando
Em off exaustivas solidões urdidas, sem pé nem cabeça

Foi aquela utopia afoita redesenhar a arquitectura
Da felicidade repousando entre os destroços de um
Sorriso perdido, contrito...tão substancialmente furtivo

A alma flanando, deixa um clamor de lamentos instintivos
Varrendo todo o horizonte da esperança onde se despe e despede
Aquele poente imortalizado numa lágrima desabrigada...supurativa

Em nome deste sonho desapropriado, inacabado, desabotoei toda
A vastidão de palavras acomodadas nas layers coloridas desta escravidão
Povoando a leda manhã acantonada nos bastidores da minha solidão

Frederico de Castro
279

Os vícios do silêncio



Vicio-me em cada memória
Percorro a saudade repenicada
Em cada momento do tempo
Quando nas ruas o silêncio atento deambula
Por entre uma carícia colossal...bem rubricada

Embalo este improvisado verso numa colorida
Matilha de desejos bem entrosados, encavalitados em
Cada fragmento de tempo divagando acossado
Retocando uma madrugada espreitando pela frincha
Da vida que se refaz e compraz...bem emancipada

Ímpios se tornaram os dias esquecidos...vacilantes
Pincelando todas as margens dos meus desassossegos
Errantes até que minh'alma habite pra sempre uma soltitária
Lágrima caminhando pela descampada existência tão extenuante

Neste pretérito silêncio embalo cada eco das minhas
Dores e lamentos amedrontados, cimentando a solidão
Desconhecida que se acerca subtil rasurando esta estrofe
Infestada de ilusões insaciáveis e litigantes

Frederico de Castro
251

Radicais livres




Cresci entre as dunas do tempo aprisionando todo
Este silêncio que possuo num segundo de pleno êxtase
Ando à cata de ti deixando ecoar em cada decímetro
Dos meus chamamentos um afago milimetricamente clonado
Neste verso explodindo ofegante e inflacionado

Aparta-se a escuridão da luz calcorreando a fenestra
Do tempo claudicando em cada breve segundo que
Dispo desvendando e desventrando a manhã que brota
Seus hálitos rendilhados de vistosos desejos detonados

Radicais se tornaram meus sonhos entontecendo uma hilariante
Algazarra de beijos factuais,bem escalonados estremecendo
No corpóreo momento onde soterramos de vez a saudade oxidando
Facciosa, resignada...intimidante

As noites na sua negrura são sempre mais belas deixando
Regalados vestígios de tantas paixões obstinadas
Bamboleiam-se sensuais e servis pelo lagar do amor pincelando cada
Excerto de luz bordada numa solidão tão atordoante e refinada

No mutismo de um meigo sussurro encontro-te virtual
Numa quietude ad eternum...mágica e conceptual deixando
Este refrão despojado de todo um ritual de prazer (in)confidente
Abandonado a um lamento quase selvagem e consternado


Frederico de Castro
389

A esfinge da solidão



O silêncio pode até esconder sua luz invisível
Seus medos, seus ecos, inertes nos braços da escuridão,
Mas nunca decerto, uma palavra impassível que defenestro em
Cada detalhe que suspira entre tantas cumplicidades imprevisíveis

Atravesso agora o tempo mascarando a madrugada
Qual esfinge desta solidão compilada naquele rendilhado
Momento indivisível e retalhado embebedando cada sílaba
Destes versos que se quedam impassíveis e bem alinhados

Resfolega a noite deixando em farrapos nossos desejos
Satisfeitos e mais acarinhados, desembrulhando aquele beijo
Feliz, pasmo soterrado numa ilusão convidativa, aliciante...estralhaçada

Encaro agora o novo dia renascendo recatado pincelando
Os cílios dos teus olhos onde adormeço quase atordoado pelo
Perfume tecido em cada meigo lamento jejuando abençoado

Frederico de Castro
500

No fluxo do tempo



Congrego tantos olhares perdidos entre
A multidão de solidões dispersas alimentando o fluxo
De tempo por onde com carícias silencio a insanidade
Perversa remoendo ainda o modus vivendi de um
Sonho que ficou apenas e só imerso na saudade

Em reflexões mais sonhadoras liberto-me em
Ilusões quase arrasadoras perfumando com o
Néctar da noite toda a escuridão bradando catalisadora

É tão altivo este querer que sem querer isolo-me nesta
Insípida hora tântrica e avassaladora fecundando minha
Inspiração incorporada nesta rima assaz devastadora

E num piscar de olhos fez-se a noite inusitada, lânguida
Recriando preces galanteadoras deixando em abrasão
Aqueles beijos domesticados com tamanha persuasão


Frederico de Castro

370

Tanto...tango




- para Gardel

Com tatuados passos de dança
Se coloriu este rodopiar incessante
Entre ritmos e latidos do coração
Buenos Aires é só ilusión de um
Bandonéon às mãos desse impetuoso
Gardel de todos o mais virtuoso
Frederico de Castro
350

Ainda luz na cidade



Ainda luz na cidade enquanto a noite

Dorme devagarinho, sonolenta deixando

Seus breus como pegadas indeléveis em

Cada suspiro adormecendo excepcional e inexorável



Ainda luz na cidade e nós afoitos acoitamo-nos em

Lençóis de cetim e desejamo-nos enfim acólitos...a preceito

Badalando cada suspiro que pernoita em silêncios

Quase perfeitos



Ainda luz na cidade e a madrugada por respeito retira

Seus véus à noite que ali trafega universal inquieta

Desarrumando os pensamentos mais súbtis que ferem

Nossos segredos apavorados analfabetos



Ainda luz e na cidade arrumo cada desejo semântico

Gritando na gramática do amor que agora pulsa fragrante

Deixando na olfactiva saudade o perfume de todos os

Lamentos implorando seduzidos dilectos exuberantes


Frederico de Castro
375

Olhar intruso



A solidão deixou descampado
Teu olhar singelo
Enterrou as tristezas que tombam
Na larga caminhada dos semblantes
Imperceptíveis espiando a noite feroz
Agrilhoada a uma lágrima caindo mirabolante
Fechei as brechas por onde me fugia o tempo
Emoldurei cada eco escondido no escorregadio
Sonho despindo a desconsolada esperança exalante
Decalcada, confundida esmagada envenenando
As coloridas e ténues lembranças tão acutilantes
Esvaziei o copo do silêncio quando me embebedei
Com as memórias mais vigilantes
Agregando a alma com uma leveza de versos
Quase redundantes
Instante de um resquício de saudade errando
Na vilania dos tempos cativantes
Vil este destino que impacienta a noite caindo
De mansinho...de braços abertos regando cada
Lamento inseguro, avesso
Assustando todas as simetrias do amor que
Endosso num beijo intruso, viçoso e travesso
Frederico de Castro
511

Um momento mais...



Fugiu de mim o dia fluindo flutuando
Sonolento e suave esmorece o cântico
Da citara num abraço insinuando um momento
Mais enquanto estremece a noite nas vésperas
Do dia caindo ameno e pachorrento

Freme o silêncio que amamenta de mansinho
O rumor esmaecido do tempo e se entranha em
Mim ostentando a esfíngie das sombras mascarando
As ausências dementes,vazias engolindo aquele farrapo
De saudades tão irreverentes

Um momento mais ali subjacente onde alimento
A boémia embrulhada em ilusões omniscientes
Uma cascata de solidões mugindo a luz trançada
Num aliciante desejo doendo....doendo contundente

A esperança vestiu-se desbotada...esfarrapada
Pincelou a indumentária do tempo soterrado em
Meigos silêncios onde reciclo e perfumo os poros desta
Estrofe insolvente palpitando encurralada num quieto
Refrão solene madrugando naquele adeus esgotado
Pelo sonho murmurando algures triste e solitário

Frederico de Castro

276

Florescer no vento



Quem dera pudesse eu presentear-te com sorrisos
Mais nobres e resgatar do tempo este tempo que sobra
Inabalável ardendo insano penetrando na caligrafia dos
Silêncios mais profanos.
Deixava em rodapé um diligente sorriso temperando
O olhar refinado e decano

Fica por florescer no vento aquela gargalhada blindando teu
Ser que revisito em cada memória mais exponencial adoptando-te
Para sempre qual sorriso devastador despindo a madrugada que
Pesco em perfumados odores a rosmaninho do qual me tornei
Um fiel consumidor

No quintal do tempo plantei teu olhar faceiro aprumado
Germinando pelo canteiro da vida que desperta consumada
Agitando todos os anseios de minh'alma emaranhada em ti num
Subliminar momento que recordo sublimado

Despi o corpo do silêncio franzino e esbelto deixando a nu cada eco
Trajado de mil dialectos implícitos num acto de amor intacto onde
Acalanto meu poema inquieto, cerzido em sonhos fundidos em cada
Imutável afago luminescente que avidamente assim arquitecto

Dá-me somente coragem para que nas brisas adocicadas
Da madrugada nos enfeite-mos de beijos selectos e solidificados
Adormecendo por fim a noite encurralada nos abraços que ficaram
Em nós levedando tão replicados

Frederico de Castro
405

Comentários (3)

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asdfgh

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

asdfgh

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

ania_lepp

Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!