Lista de Poemas

Bela e vaidosa


Soergue-se a manhã escandalosamente bela e vaidosa
Agnóstico o tempo reflete-se numa hora hipertensa e grandiosa
Sem prognóstico a solidão fenece indiferente, desiludida e vigorosa

Sem contracepções a luz fecunda uma nascitura carícia sumptuosa
Torna-se anfitriã das emoções embebedadas no lagar da fé mais minuciosa
Completa o puzzle de palavras farfalhando impávidas…serenas e harmoniosas

Frederico de Castro
216

Solidão medieval


Um silêncio medieval enclausura-se nos claustros
Deste tempo errante, voraz, asfixiado e tão neutral
Sustentam as abóbadas de um feroz eco quase abissal

Rumando até aos mais invisíveis horizontes fraternais
A manhã esboroa-se num penacho de preces virais
Sedenta submerge entre as aduelas das solidões mais colossais

Frederico de Castro
162

Interiorização do silêncio


Interiorizei nas palavras o dom mágico e sublime
Da silêncio tão arrebatadoramente crente e longânime
Deixei resvalar uma maré de preces quânticas e unânimes

Interiorizei tantas horas perdidas na alameda da fé mais ampliada
Prognostiquei nestes versos uma rima tão enfeitiçada…quase sedada
Fiz da inspiração a amaragem perfeita para cada esperança nobre e abnegada

Frederico de Castro
148

Quem suspeita do silêncio?


O silêncio é suspeito, duvidoso incerto e imperfeito
Enfurecido entranha-se em cada lamento tão escorreito
Expande-se num eco viril, másculo, esdrúxulo e putrefeito

Esquivo plana e flutua no horizonte contrito, resignado e liquefeito
Emaranha-se no leito da cada silêncio bramando ferido e rarefeito
Espreguiça-se nos braços de uma súplica sedutora e embebedada a preceito

Frederico de Castro
165

Onde paira o poente


Onde paira o poente paira o silêncio insurgente e devorador
Nos bastidores do tempo cada eco clamará felino e dominador
Sedutora a noite entregar-se-á nos braços de um breu tentador

Onde paira o poente cada hora absorve sessenta segundos difamadores
Deixa a tarde além partir tristonha a bordo deste silêncio indagador
Represa em meus olhos aquela lágrima pousada defronte de um desejo bajulador

Onde paira o poente as palavras fenecem pigmentadas de saudades manietadas
Varrem todo o horizonte com preces poéticas, incandescentes e exaltadas
Peregrinam indefesas ao longo das maresias apaziguadoras, famintas e apaixonadas

Frederico de Castro
147

O perfume da invisibilidade


Invisivelmente o tempo submerge ao redor de
Uma surpreendente fluorescência quase, quase irreal
Banal, tão banal a manhã traja uma prece mui consensual

Invisivelmente cada hora propaga-se num milésimo segundo real
Sua plenitude amara juntinho àquela lágrima infeliz e substancial
Em cacos ficam todas as palavras rimando com um desejo tão exponencial

Invisivelmente toda a solidão além borbulha esquecida e confidencial
Venda seus olhos a cada corroída esperança empalidecida e trivial
Disfarça-se numa fiel, embriagante e impermeável loucura quase visceral

Frederico de Castro
158

Noutro cais


Num outro cais a maré acosta serena feliz e receptiva
Ali cada pigmento de luz amara à beira de uma onda furtiva
Extingue-se o dia indigente paparicado por uma ilusão dispersiva

Num outro cais o tempo afoga-se numa gargalhada tão massiva
Afetuosamente sepulta todos os vestígios de uma hora introspectiva
Semeia na orla marinha uma palavra solidária fluidificante e provocativa

Num outro cais cada despedida espraia-se numa prece mais criativa
Cada suspiro um adeus sedimentado em lágrimas preciosas e afetivas
Um derradeiro silêncio conectado à imponderabilidade das palavras instintivas

Frederico de Castro
165

O que fazes aí


O que fazes aí…sentada cabisbaixa tristonha e solitária
A manhã nasceu e ainda inacabada além fenece sedentária
Triste, tão triste se tornou qualquer emoção prantiva e consternada

O que fazes aí…olhando para o tempo oscilando num tsunami
De lamentações poéticas desassossegadas e absurdamente sumárias
Deixa que alma penetre do âmago das melancolias mais prioritárias

O que fazes aí…esquecida num centímetro de silêncios tão usurários
Sem forças para reanimar tantos amargurados e arbitrários ecos imaginários
Galga tuas angústias e reconstrói as pegadas perdidas na multidão de sonhos autoritários

Frederico de Castro
200

Lá no céu dormita o silêncio


Bem lá em cima dormita o silêncio pousado num ramo
De luminescências perfumadas, açucaradas…tão enamoradas
De braços estendidos o dia adormece a bordo de uma brisa recatada

Bem lá em cima dormita o céu rugindo num fiel poente embebedado
Repleto de memórias o tempo vagueia sincronizado a um afago mimado
Distante, tão distante ouve-se o rumor de um segundo fluir tão piedoso e alentado

Frederico de Castro
231

Meu infinito silêncio


Neste perplexo e preciso instante do tempo o poente
Embebeda-se com um luminescente e infinito desejo estrupido
Ao sabor do incicatrizável silêncio fenece cada segundo mais insípido

No meu infinito silêncio bradam as alamedas dos lamentos vulneráveis
De ressaca transbordam melancolias tão perduráveis…tão insuportáveis
Em desassossegos o tempo cristaliza o frenesi de palavras quase indomáveis

Fredercio de Castro
230

Comentários (3)

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asdfgh

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

asdfgh

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

ania_lepp

Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!