Lista de Poemas
À mesma hora...no mesmo lugar

À mesma hora e no mesmo lugar o tempo solta um
Infame lamento pleno de impunidade, repleto de subjetividade
Na ampulheta da vida resta somente um segundo prenhe de insanidade
À mesma hora e no mesmo lugar o silêncio desnuda-se num hidrófugo
Poente adulador, infeccioso, desassossegado…quase excomungado
Sedada a escuridão prorroga um imenso e manipulador breu tão embriagado
Frederico de Castro
185
Tédio itinerante

O tédio nómada e itinerante vadia acossado por tantas
Brisas nutridas nesta solidão uniforme e exuberante
Na paisagem rejuvenesce a vida telepática e devorante
Descendo dos céus flui um aguaceiro felino e tão vociferante
O tempo impotente desenvencilha-se com uma prece regenerante
Veja-se como o silêncio decifra cada eco mais longilíneo e fulgurante!
Frederico de Castro
164
Antes e depois do poente

Antes e depois do poente a escuridão engoda cada
Palavra adormecida ao colo de um ébrio eco estarrecido
Com arrepios e calafrios o tempo gesticula feliz e luzidio
Antes e depois do poente a noite apadrinhará um afago enaltecido
Fecundará num ápice a solidão prostrada à beira de um sonho apetecido
Plagiará e seduzirá todas as palavras renascendo num minusculo silêncio entristecido
Frederico de Castro
186
Reflexivamente

Abstrato e abruptamente o tempo divaga pelo miolo
De cada segundo inerte desequilibrado e prepotente
Avidamente a manhã espelha sua fluorescência persistente
Reflexivamente cada hora repousa no algeroz das palavras fiéis
Hirto o silêncio ergue-se e rodopia no meio de cada eco consistente
Deixando refletir a luz e todas as gotículas desta fé imensa e mais atraente
Frederico de Castro
196
Os que partiram

Os que partiram deixaram pra trás suas angustias eternas
Seus desesperos orgânicos, desassossegados…quase titânicos
O tempo que passa, passa veloz, precariamente intimidado e epifanico
Os que partiram descalçaram emoções e lamentos em pânico
Alimentaram andrajosas gargalhadas de tristeza infame e esfarrapada
Quadruplicaram lágrimas que se afogam e esfumam na maré quase sufocada
Os que partiram prorrogaram na manhã toda a solidão sempre obstipada
Enjaularam cada hora perdidamente vagarosa, indiferente e açaimada
Ao longe, subtilmente, a luz entranha-se na quadrilátera ilusão tão esfarrapada
Frederico de Castro
220
Estandarte do tempo

Adormeceu a maresia a dois palmos da solidão em potencial
Confidencial a manhã multiplica sua luz e sua fé tangencial
À escuta e sem pestanejar clono e fecundo uma prece crucial
No estandarte do tempo trepa a vida repleta de palavras reverenciais
Na retina dos olhos flutuam lágrimas sossegadas, definitivas…substanciais
De véspera, a esperança regenera tantas luminescências inauditas e essenciais
Frederico de Castro
141
Resignação e serenidade

Neste consubstanciado silêncio esboroam-se tantos
Milésimos segundos impacientes e tão driblados
Sem unanimidade jazem embalsamados em uivos conformados
Apoquentada a noite apascentará toda a solidão submissa e mais anafada
Ali colidirão ebulitivos lamentos tão comestíveis, tão famintos e descartados
Tal qual aqueles energúmenos desejos sempre prenhes e absurdamente desejados
Como ardem e flamejam estas solidões frementes, frenéticas e desassossegadas
A cada hora que passa estilhaçam-se palavras efervescentes e tão massacradas
Furtivas ondulações de preces amaram no oceano de angústias quase mendigadas
Frederico de Castro
225
Luxúrias na noite

Desregrado luxuriante e pecaminoso o silêncio
Esboroa-se na escuridão sensual flamejante e vertiginosa
Como viça aquela exuberante e abundante carícia endovenosa
Pé ante pé afago a gema de um eco libidinoso caótico e saboroso
Às claras, descasco cada sussurro fluidificante...tão, tão vertiginoso
Qual gemada apetitosa degusto aquele uivo tântrico e astucioso
Frederico de Castro
203
Percentil do silêncio

No timbre de cada palavra solfeja um verso inalterável
Serena e luzidia pressente-se a paz além amarar insaciável
Adorna-se a luz que túrgida e fluidificante adormece inviolável
Indomável a maresia desagua umidificante e tão inexorável
Nas ondas circunavegam desejos incontidos, indomados e imutáveis
Esgota-se o silêncio lânguido, tão insuperável…quase, quase inevitável
No percentil do silêncio mede-se a distancia entre cada segundo irrevogável
Em luxúria a noite atinge o êxtase onde mora uma carícia sempre irrefutável
Réstias do poente colidem em uníssono com um sussurro voraz e tão implacável
Frederico de Castro
188
No regaço do poente

Adormece o dia no regaço deste poente quase embriagado
Afagado o tempo adorna um penacho de desejos ali naufragados
Prostra-se ao longo da maresia sacrificada, vandalizada…empolgada
No regaço do tempo excomunga-se qualquer hora infiel e renegada
Deixa-se bisbilhotar a noite que chega tranquila e mais sequiosa
Fecham-se as persianas à escuridão regurgitada numa carícia tão melodiosa
Frederico de Castro
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