Lista de Poemas
Caudal de ilusões

Num caudal de ilusões diagonais o poente transfunde-se neste
Indolente eco egoísta, íntimo, transparente e desproporcional
Petrificada e quase fossilizada a luz geme quântica e tridimensional
Num manancial de sussurros o silêncio apazigua uma carícia epitelial
Sorve ávida todo o diluvioso uivo rimando com um desejo temperamental
Assim se propagam as palavra dormitando numa brisa perfumada…tão passional
Frederico de Castro
204
Nas asas da liberdade

Nas asas da liberdade vadia a vida e uma prece efervescente
Vicejante enamora-se da fé luminosa, deliciosa e mui delirante
Envaidece a manhã mergulhada na invulnerabilidade do silêncio possante
Nas asas da liberdade o tempo sem lapsos ou tédios imensuráveis
Catapulta aquele eco inóspito, letárgico e contenciosamente inexorável
Deglute-o até este rechaçar toda a solidão embutida numa palavra tão irrefutável
Nas asas da liberdade a esperança brame e apascenta uma rima mais colorida
Apura a mais sublime e insinuante emoção embalsamada nesta alegria comovida
Deleita-se na exuberância e na perpetuidade da liberdade fecunda e descomedida
Frederico de Castro
213
Tanto mar ali à deriva

Tanto mar ali à deriva…e cada onda castrada pelas
Diabruras de uma carícia imensurável, amara além irrevogável
Acumula-se no tempo um grávido desejo esdrúxulo e indevassável
Tanto mar ali à deriva… e o oceano confinado à abissal profundeza
Dos lamentos embriagados, intoxicados e avidamente obcecados
Acarinha e afoga-se em tantos perversos sussurros quase calcificados
Tanto mar à deriva…e a vida a navegar resoluta, poética e bonificada
Tantas preces ávidas, abarrotadas numa fé imensamente reivindicada
Tantas memórias fluindo na torrente da esperança fiel, zelosa e esterilizada
Frederico de Castro
203
Plágio do tempo

O tempo plagiou cada segundo inerte e subestimado
Desprezou um decímetro deste silêncio quase inanimado
Projetou no tempo um côvado de lamentos tão exaltados
Incrédula a noite amadurece desnuda, sensual e esfaimada
Ali prazerosamente a solidão resguarda a fé muito mais abismada
Ali se permutam e tateiam caricias apaziguantes e entusiasmadas
O tempo amancebou-se com tantas palavras fecundas e desassombradas
Onde se perscrutam cúmplices ilusões voluptuosamente apaixonadas
Onde se raptam inenarráveis emoções imprescritivelmente sincronizadas
Frederico de Castro
231
Pelas frestas da noite

Crua e cruel esculpe a noite esta escuridão dispersiva
Cada eco prenhe pulverizou uma gargalhada sedativa
Nos olhos imprime-se qualquer lágrima triste e convulsiva
Pelas frestas na noite passeia um luar insuportavelmente comutativo
Na absoluta depuração dos silêncios vagueia um afago competitivo
Assim envelhece a noite dormitando ao colo de um breu tão hiperativo
Regala-se a solidão lastimando a ausência de cada sussurro implicativo
Na sinagoga das preces amaram palavras universais, instantâneas e perceptivas
Enchem a alma com indecifráveis emoções autógenas, deliciosas…tão nutritivas
Frederico de Castro
176
O que está pra vir...

Flameja o céu e o horizonte de preces condescendentes
A fé ainda que matutina desatina tantas alegrias exigentes
Cada hora encaixa perfeitamente em mil segundos impacientes
Nas falésias do tempo flutuam imarcescíveis silêncios urgentes
Sem alarde seus ecos amamentam o vício dos sorrisos reincidentes
Seus fluidos lubrificam a maresia de palavras cativantes e tão penitentes
Resta à esperança e ao que está pra vir, tatuar a manhã com a beleza
Das gargalhadas indómitas, gigantes, heterogéneas e sempre excitantes
Deixar a chafurdar no silêncio ortográfico este imenso poente mais vibrante
Frederico de Castro
227
A duas léguas da solidão

A duas léguas da solidão deambula a maresia resignada
Sem sinais de vida cada onda além perece quase esganada
Sem toscanejar a manhã apazigua uma luminescência desatinada
A duas léguas da solidão dormita a maré de silêncios dominados
Imperturbável o tempo submerge num tsunami de ecos miscigenados
Em pânico desmaia o oceano infetado por um rumor de desejos apaixonados
Frederico de Castro
201
Ah, essa leve brisa...

Ah, essa leve brisa, que em mim levita e excita tão infinita
Alimenta uma viral pandemia de ilusões virtuais e explícitas
Expulsa e espevita tantas rogatórias palavras quase proscritas
Ah, essa leve brisa, tão levemente ígnea, voraz e incandescente
Unge todo o vocabulário de uma emoção carente…mais urgente
Intocáveis luminescências desmaiam à beira deste silêncio resplandecente
Ah, essa leve brisa flébil, flexível, elástica e absolutamente indigente,
Valsa pelo horizonte fluidificante, ardente, veemente…tão paralelamente
Como que saudando a metamorfose de luz fluindo, fluindo mais convergente
Frederico de Castro
197
Sereno peitoril da solidão

Sem autonomia a solidão encosta-se ao peitoril dos silêncios driblados
Ali exorcizam-se lamentos insuspeitos apocalípticos e excomungados
Devagarinho, de mansinho, escoam e beliscam-se desejos quase esfarrapados
No sereno peitoril dos silêncios o tempo dormita seduzido, esquivo e exumado
A um passo das loucas memórias a saudade traveste um intemporal eco expurgado
Louca varrida é a solidão mordiscando os calcanhares a este verso quase prognosticado
Frederico de Castro
206
Pela estreiteza da noite

Tricotei em silêncio cada gomo de luar tão perdurável
Bordei nas bordas na noite um estrito desejo indomável
Na varanda do tempo colori cada prece feliz e insaciável
Das palavras mais flácidas engorda toda esta solidão inegável
Em desvario vadia uma ilusão tentadora e absurdamente formidável
A musa da minha esperança será sempre esta fé flamejante e irrevogável
Frederico de Castro
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