Lista de Poemas
Frágeis luminescências

Desengarrafei a solidão que borbulhava bronzeada
Beberiquei a luz flamejando enlouquecida e deliciada
Reinventei uma palavra feita prece desta fé desvendada
Orquestrei cânticos ancorados ao bailado felino de noite deportada
Naveguei por ondas de maresias afogadas numa saudade escavacada
Resumi num segundo a distância entre a memória e a solidão tão enfartada
Desengarrafei na noite toda a escuridão desnuda, esquecida e desamparada
Tranquilizei o silêncio tão meridional quanto setentrional, quase tridimensional
Refugiei-me nos penhascos dos céus gigantescos aliciantes e tão…tão transcendentais
Frederico de Castro
142
Sigiloso recantos dos silêncios

No sigiloso recanto dos silêncios desabrocha uma
Hora imensa felina e absurdamente apaixonada
De mansinho a manhã acorda feliz e quase embebedada
No sigiloso recanto dos silêncios a solidão aguça uma
Prece esmerada, ensurdecedora e tão resguardada
Nos céus a luz aconchega-se a uma palavra mais emocionada
No sigiloso recanto dos silêncios a paz amara ali bem enxaguada
Qualquer poética carícia escolta um uivo e um queixume segredado
Assim se sacia e degusta um sedutor desejo felino, voraz e abnegado
Frederico de Castro
181
O trem que passou por aqui...

O trem que passou por aqui…levou-me as preces mais lúbricas
Mais ígneas, mais resvaladiças, mais intensas e comunicativas
Descarrilará além após todas as escuridões sucumbirem tão intuitivas
O trem que passou por aqui…levou-me o tempo e tantas horas atrativas
Bafejou os céus com um manto de aguaceiros, vorazes e depurativos
Infiltrou a paisagem com sorrisos e afagos tão preciosos e tão intrusivos
O trem que passou por aqui.. converteu todos os lamentos mais evocativos
Em mil gotículas de fé fluidificantes, fecundas, mais delicadas e furtivas
Mimoseou todas as preces convictas, derradeiras e absolutamente apreciativas
Frederico de Castro
161
O pólen da luz

O pólen da luz espalha nos céus um trilião de
Ilusões esbeltas, desvairadas….quase apaixonadas
Seu perímetro orbita a envergadura de cada emoção hereditária
O pólen da luz perfuma a periferia e o perfil de um relâmpago imaginário
No amperímetro do tempo cada segundo esvai-se eletrizante e precário
A virtualidade espacial concentra-se num fiel e derradeiro silêncio extraordinário
Frederico de Castro
180
Flores silvestres

No jardim nascem flores silvestres, serenas e esplendorosas
Seu perfume vai além colorir a paz de mil preces calorosas
Em sigilo cada hora imortaliza tantas esperanças tão vigorosas
Com seus uivos silenciosos a manhã espreguiça-se mais habilidosa
Apetecer-me-ia bebericar na fonte das palavras sempre miraculosas
E desaguar ao longo das maresias perplexas, infindas e frondosas
Frederico de Castro
224
Transmigração lunar

Migra o luar agasalhado à noite e a um breu alheatório
A escuridão sem destino esfarrapa-se num silêncio contraditório
Nos céus galopa a lua franzina, abençoada por palavras premonitórias
Sem dó nem piedade emerge na noite um flutuante afago impetuoso
Perniciosos são até os sussurros deambulando pelo peitoril do tempo rigoroso
Ali se dá a transmigração de cada sonho intruso e passionalmente escandaloso
Frederico de Castro
153
Tão fragilmente...

Tão fragilmente cada oração renasce festiva altiva e renovada
Dilacerada a luz infiltra-se numa solidão carente e rogada
Anónima e sem vestígios coalha uma lágrima tão subjugada
Tão fragilmente o tempo encharca-se de sonhos e desejos coligados
Ao longe vejo sedimentar-se o horizonte de suspiros quase fatigados
Ali, fulgurantemente todos os poentes adormecem felizes e aconchegados
Frederico de Castro
159
Infusão d' alegria

Com infusões d’ alegria se preparam gargalhadas gratuitas
Na gramática das palavras coloridas se inspiram preces solícitas
Ali se emparelham esperanças aladas, arrojadas e implícitas
Ingenuamente a manhã estende-se feliz sagaz e tão inaudita
Nos véus da luz despe-se um laivo de gargalhadas imensas e catitas
O tempo é o feitor e arquiteto das minhas emoções embebedadas e eruditas
Frederico de Castro
188
Morfologia de um lamento

Morfologicamente a solidão acoberta o poente plenamente
Corroído de ilusões e saudades emergindo tão astutas e latentes
Pensativas e convergentes hibernam todas as marés tão intermitentes
Assim fenecem de hipotermia todas as escuridões persistentes
Assim desaguam no horizonte quânticas palavras mais penitentes
Refrescantes caricias temperam uma onda de lamentos tão pungentes
Frederico de Castro
173
Revelação dos silêncios

Os silêncios em fuga colidem na escuridão quase irredutível
Sua fisionomia maviosa serena a noite lírica e tão impreterível
Chegam até às entranhas de um lamento conivente e irrepreensível
Cada brisa colorida em tons de anis, encharca este verso acalentado
Aquieta o céu e o horizonte embebedado de breus tão assustados
Sem pudores fotografam tantos sussurros uivando e ganindo desaçaimados
FC
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