Lista de Poemas
Onde surfa uma prece

Nas ondas de sonho surfa uma prece intensa e peremptória
A dançar quase que embriagada flutua a manhã mais premonitória
A maresia silenciosa e indestrutível amara ali feliz…sem escapatória
No trapézio da vida equilibra-se qualquer gargalhada aleatória
Num ritmo frenético inunda a alegria convertida numa fé rogatória
Desarvoradamente a solidão ruma ao templo das marés conciliatórias
Frederico de Castro
238
À sombra da escuridão

À sombra da escuridão dormita a noite algemada à
Vigésima hora escrutinada, inoxidável e tão enamorada
Na peugada do tempo transfunde-se uma prece aprimorada
À sombra da escuridão o céu enche o vazio do horizonte impalpável
No ermo da solidão indefesa, indesejada e tão inexoravelmente afável
Reverbera a madrugada, impaciente, hemorrágica e quase indecifrável
Frederico de Castro
274
Ausente silêncio

Ausente o silêncio plastifica um abstrato desejo prolífico
Com astúcia o tempo recupera cada segundo magnífico
Em sintonia adormece a luz e um uivo franzino…tão honorífico
Ausente o silêncio transparece num pálido afago soporífico
Roubou-me das memórias o saudoso ego e um sorriso frutífico
Emergiu juntinho a cada lamento urgente, ousado e tão pacífico
Frederico de Castro
229
A dois côvados da solidão

A dois côvados da solidão deambula a maresia resignada
Sem sinais de vida cada onda além perece quase esganada
Sem toscanejar a manhã apazigua uma luminescência desatinada
A dois côvados da solidão dormita a maré de silêncios dominados
Imperturbável o tempo submerge num tsunami de ecos miscigenados
Em pânico desmaia o oceano infetado por um rumor de desejos apaixonados
Frederico de Castro
200
Poente nas Astúrias

Como é doce o poente nas Astúrias
Partilhá-lo e amarrá-lo no imaginário
Horizonte de cada eco pujante e mercenário
Escondido no tempo além dormitando cromático
Flutua um dormente silêncio mui tranquilo e automático
Assim se disfruta deste ponte reinventado, flamejante e profilático
Frederico de Castro
250
Meu cais

Estou junto ao cais acostado às bermas da solidão
Mais frenética, mais astuta, buliçosa e tão hipotética
Deixo a maresia afagar minha prece sentida e poética
No meu cais as marés dormitam afogadas em ondas simétricas
Na quilha dos silêncios ondulam sonhos e desejos aritméticos
Prevalecerá no tempo todos aqueles sorrisos tão magnéticos
No meu cais o poente transforma-se num sedento beijo estético
Alerta e vigilante o tempo simplesmente falece a jusante
O cosmos chorará e amparará cada impercetível lágrima ofegante
Frederico de Castro
248
Perdido nas brumas do tempo

Conspirador o tempo flutua fluidificante e desleixado
Cada palavra gretada aviva seus ecos felinos e despenteados
Neste silêncio peregrinam tantos segundos imberbes e desgrenhados
Perdido nas brumas do tempo o tempo agora provisório e temporário
Capitula confinado às entranhas de um desejo voraz e tão precário
Afetuosamente remido o silêncio perece, absurdo, esgotado e perdulário
Frederico de Castro
193
De coração para coração

De coração para coração geme uma palavra lisonjeada
Cerceada escuta, sonoriza e desbrava a manhã esfomeada
Deixa no empedrado destino uma hora vazia, ávida e decapitada
De coração para coração geme e sussurra uma carícia bem delineada
Enfeita todo o planalto das emoções poéticas e tão desenfreadas
Irriga a eternidade dos silêncios reconquistados…bem pleiteados
Frederico de Castro
196
As formas da água

Rente à manhã renasce a luz do dia tão prenhe tão astuta
Sagaz cada hora encandeia a paz quase infinda, quase absoluta
Ali se batiza a esperança sorrindo e gargalhando mais impoluta
As formas da água são circunflexas, curvilíneas ou complexas
São como obstinadas orações fecundas e absurdamente convexas
Dão de beber à sedenta fé refrescante, apaixonada e tão perplexa
Frederico de Castro
207
Minha maré

Lá vai a minha maré saturada de ondas alucinantes
Deslumbrada a manhã alimenta tantas luminescências
Apaziguantes e apetecivelmente extravagantes
A jusante a vida flutua a bordo de mil brisas dissonantes
Seus odores apascentam a orla das memórias constantes
Seu altar são todos os imarcescíveis silêncios sussurrantes
Na minha maré navegam preces ígneas felinas e rogantes
Em cada molécula de vida pairam fecundos desejos tão chocantes
Dão guarida a uma explosão de sorrisos absurdamente contagiantes
Frederico de Castro
187
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