Lista de Poemas
Fosforescências notívagas

Lá vai a noite ensanguentada de fosforescências flamejantes
A escuridão feliz desnuda uma parafernália de carícias pujantes
É ver só o resfolegar dos silêncios e das emoções mais petulantes
Lá vai a noite travestida de estrelas cadentes…quase lacrimejantes
Os céus esmagados por esta negrura voraz ali fenece felino e apaixonante
Perverso o tempo sepulta cada hora homicida, consternada e ofegante
Frederico de Castro
57
Arabescos

Desenhado e esculpido à esquadria do tempo ali paira
Um singular sussurro inamovível e tão sofisticado
Nas paredes silenciosas esquadrinha-se um verso acariciado
Fresca e rocambolesca a noite embrenha-se numa hora desnaturada
Um lamento conivente acontece a centímetros de um segundo inexorável
Incógnita a luz encobre a fachada daquele desejo espasmódico e inesgotável
Frederico de Castro
95
No colo da noite

No colo da noite dormita o tempo irrequieto e imperturbável
Inculca no silêncio uma voz que sussurra feliz e indomável
A escuridão torna-se a companheira de cada oração inevitável
À mercê da solidão quase persuadida e mui instável, cada hora
Alvitra pra si uma esperança que desperta cuidadosamente venerável
O poeta inspirado semeia nas palavras seu lirismo fecundo e indecifrável
Frederico de Castro
121
Trinta por uma linha

Tal como dantes o tempo não perdeu tempo
E descarrilou num labirinto de emoções suburbanas
Todas as horas despóticas sucumbem felinas e levianas
Fiz dos silêncios trinta por uma linha e até superei angústias
Tão céleres, tão destemidas tão verborragicamente tirânicas
Centímetro a centímetro aboli palavras vassalas, lacónicas e profanas
Pelas linhas do tempo desfilam lamentos substantivos e aleatórios
Revigoram a paisagem que se embrenha nas memórias mais paremtórias
A manhã desenferrujada desperta reajustando mil sorrisos comprobatórios
Frederico de Castro
71
Horas desfragmentadas

Neste mar de ondas silenciosas cada hora desfragmenta-se
Além a jusante das palavras mais urgentes e graciosas
Sabe tão bem beijar a luz refletida em tantas carícias gananciosas
Sedenta a manhã resvala naquele ocioso marulhar mavioso
Nada perturbará a paz imersa num sorriso imenso e melodioso
A solidão será sempre a fortaleza dos sentidos ávidos e arguciosos
Frederico de Castro
133
A face do tempo

Embebedou-se o tempo com um irracional segundo assassinado
Cada autômato silêncio, tornou-se banal, absurdo e obstinado
Apenas um breu pleno de pruridos ávidos fenece uivando inquinado
A face do tempo esbelto mas inquietamente predeterminado
Solidifica os desvarios dos meus desejos agora desconfinados
Qualquer hora fugitiva, à socapa, deglute tantos sussurros quase desatinados
Frederico de Castro
96
Na hora H

Na hora H o poente estende-se enlanguescido, tão robustecido
Sublime e consumado o tempo como que fenece poético e desinibido
No aconchego do silêncio dormita um breu tão casto e estarrecido
Na hora H geme um cântico colorido, vibrante sensual e comovido
Inebria de desejos cada verso escorregadio, arisco e quase seduzido
Fustiga um perfumado alísio refulgindo num aguaceiro ali espargido
Na hora H a vida suplanta com gargalhadas as alegrias mais enérgicas
Calca e recalca todas as luminescências avassaladoras e tão sinérgicas
Em sigilo espreita e corteja a sensualidade das mil escuridões analgésicas
Frederico de Castro
78
A minha metamorfose

A minha metamorfose é intensa, voraz e flamejante
Quisera eu abençoar toda a pluma bravia e excitante
Quisera cada palavra capitular feliz, onírica e reconfortante
A minha metamorfose ocorre nas artérias do silêncio aviltante
Penetra fundo no vazio enlouquecido dos lamentos mais protestantes
Atende cada oração que se ajoelha ali no altar dos sentimentos exuberantes
Frederico de Castro
126
Refluxos da maresia

Desliza silenciosamente pelas bermas do tempo
Uma maresia refrescante, harmónica e vibrante
Indiferente o dia asfixia acetinado, colorido e purgante
Com seus refluxos a jusante a maré espraia-se tão frisante
Em cada brisa reflete-se a miragem de uma carícia abrasante
Em cada onda apazigua-se aquela hora eternamente revigorante
Reprimida e deprimida a solidão naufraga além quase extenuante
No ancoradouro da vida cada prece pulsa e flameja trepidante
Assim se embriaga o silêncio, consolado, confortado, tão abundante
Frederico de Castro
66
Pixel-a-Pixel
Pixel-a-pixel as palavras desenham a silhueta da
Escuridão tão negra, notívaga e sempre desejada
Em flagrante delito a luz algema uma hora felina e amuada
Pixel-a-pixel cada sorriso acetina uma carícia mais rogada
Contempla a profana solidão inerte sob o turíbulo da paz tão grada
Degeneradas caem todas as lágrimas flébeis, sensíveis e embalsamadas
FC
76
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