Lista de Poemas
Empíreo poente

Com mestria e sensibilidade Deus pintou-nos o poente
Radiante, absorvente e extraordinariamente flamejante
A luz ebúrnea e empírica sucumbe mais dissimulada e latejante
Como reagirá a escuridão que chega intempestiva e hidrogenante
Quem acalentará minha solidão inerte e quase incessante
Talvez a fé e a paz repousando na reverência do tempo itinerante
Assim se esconde o empíreo poente afrodisíaco e cativante
Assim se esvai a noite paparicando cada breu mais elegante
De negro se veste uma hora milimetricamente fiel e exuberante
Frederico de Castro
123
Varanda da primavera

Na varanda do tempo pintam-se poemas divagantes
Desconcertantes são todos estes silêncios debutantes
Imarcescíveis são as horas pelejando a bordo de tantos
Tantos intensos segundos discordantes
No estaleiro da vida as cores estucam os alpendres e
Varandins das minhas esperanças mais excitantes
Toda a agreste e inusitada primavera sorve da luz
Um encorpado e interminável afago tão petulante
Nesta panóplia de cores deslumbradas a escuridão
Desnuda-se e esfrega-se no peitoril dos breus mais gentis
Ressuscita até muitos solenes sonhos e desejos subtis
Engendra em conluio com o tempo prazeres ainda mais viris
Frederico de Castro
139
Silêncios abruptos

Entusiasmante, sôfrega e admirável a luz liberta suas
Perfumadas luminescências febris ruidosas e ofegantes
Assim migram as ilusões caóticas, hipnóticas e contagiantes
Desguarnecida a solidão ainda fibrilando, esboroa-se num
Eco consistente ininterrupto e demasiadamente corrupto
Das palavras adotivas inspira-se todo o silêncio estático e abrupto
Frederico de Castro
78
Para onde corre o rio

Para onde corre o rio, corre o silêncio abençoado
Indigente oprime as margens do tempo desvelado
Oiçam aquele sepulcral eco absurdamente ultrajado
Para onde corre o rio, escorre a solidão ainda indignada
Sua luminescência engravida uma palavra mais arrojada
Suas nuas brisas confinam cada carícia tão festejada
Para onde corre o rio a noite afoga-se na escuridão melindrada
Mitigáveis as horas acarinham neuróticas gargalhadas resignadas
Ali se desguarnece a vida desmesuradamente insana e transviada
Frederico de Castro
92
Os truques do silêncio

Oportunista a solidão dormita no catre das minhas
Emoções cegas, coincidentes e contorcionistas
Uma exígua luminescência exala desta brisa tão altruísta
Com seus truques o silêncio soterra aquele eco alarmista
Surpreende um incrédulo lamento absurdo e calculista
Devagarinho acordo no dorso de uma palavra quase autista
Mais um dia e ali tantas horas fenecem tão esclavagistas
O tempo impotente e insubmisso desabrocha feliz e repentista
Vejam como e para onde peregrina este poente ainda mais intimista
Frederico de Castro
130
Gestos infindos

Na plena transparência dos silêncios escoa a luz
Horizontalmente etérea, sublime e sem tutela
Na vitrine da solidão cantarolam gestos à capela
Além uma fluorescência diurna umidifica aquela
Brisa que ruma ao infinito ávida e tão espalhafatosa
Só o tempo se perde numa labiríntica hora mais sinuosa
Frederico de Castro
139
Antes de dizer adeus...

Antes de dizer adeus saiu a noite pela
Porta discreta do silêncio majestoso
Sem intervalo o tempo reduzido a um
Montão de segundos desdenhosos
Hibernou camuflado em palavras virulentas,
Mortíferas e tão, tão dolorosas
Antes de dizer adeus consumo num trago
Estas escuridões fiéis e facciosas
Esquadrinho cada ai clamando no leito das
Lágrimas intensas e viscosas
Ali resistem tantas horas silenciosas, apáticas
E absolutamente assintomáticas
Frederico de Castro
97
Silêncios esfarrapados

Pendurados e esfarrapados os
Silêncios balouçam engelhados
Soam ao longe como truncados e
Uivados ecos apiedados
Cativam um agigantado lamento tão
Desdenhado, tão abismado
Das minhas dores saturadas o corpo em
Metástases sacode-se quase vergado
E depois das palavras expurgadas o tempo
Fenece num segundo altercado
Quem me lapida estas lágrimas provindas
Deste mesmo breu enviuvado
Frederico de Castro
71
No meu presídio

No meu presídio o silêncio é estático e genuíno
É anárquico, sagaz, implícito e tão maligno
Extraditado ajoelha-se junto ao ego desnudo e mesquinho
No meu presídio a solidão naufraga no catre desta
Vida perene, intranquila, desassossegada…quase sufocada
Alimenta o mediastino de cada hora prenhe, irreal e rebelada
No meu presídio a noite aperalta-se de breus depravados
Sua escuridão é apenas o eco de cada lamento embargado
Sem rumo ausenta-se num uivo primitivo e tão esfarrapado
Frederico de Castro
87
A caminho da minha praia

A caminho da minha praia estende-se a luz altiva
E eternizada por uma paz imensa e tão disponibilizada
A noite amarará além sequiosa latente e mais emancipada
A caminho da minha praia vai a solidão ainda estabilizada
Em cada esquina da maresia uma carícia se curvará escravizada
Ondas de diurnas luminescências se afogarão bem homogeneizadas
A caminho da minha praia cada pigmento de silêncio flutuará
Entre os céus senhoriais, fluidificantes e mais longitudinais
Memórias congénitas habitarão intensas e eternas saudades virais
Frederico de Castro
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