Lista de Poemas
Toca pra mim

Toca pra mim uma canção que seja de esperança
Mesmo que as lágrimas seduzam a solidão mais hostil
E o silêncio feneça apregoando palavras tão subtis
Toca pra mim um cântico trajado de memórias febris
Aconchega-te à partitura das minhas preces quase viris
Para que o dia recupere cada sonho e um sorriso mais gentil
Frederico de Castro
114
Silêncio manietado

Manietado o silêncio sucumbe praguejando asperamente
Escorrega no musgo do tempo uma memória tão caótica
À espreita a solidão ali dormita incógnita e mais neurótica
Assim marcham as horas fúteis ilusórias e quase narcóticas
Palavras destemidas e coesas despertam rimas tão osmóticas
Dão um derradeiro impulso às preces carentes mas apoteóticas
Frederico de Castro
123
Com meiguice

Com meiguice o tempo acarinha o dia que
Nasce esbelto, afetuoso e tão imarcescível
Na textura das palavras a vida dormita
Suavemente apaziguada e imperecível
Da esperança desvendada surge a fé aprazível
Cada prece desfragmenta-se numa rima sensível
Etérea a vida orquestra um eco tão repetível, que se
Ouve no mar dos murmúrios silenciosos e impercetíveis
Frederico de Castro
45
Banhos ao luar

Cada instante seguinte esfacela-se num imenso
Sorriso expandido e anatomicamente desordeiro
Ali cai bêbado o silêncio lascivo e tão namoradeiro
Ao luar banham-se brisas domadas sulcando a maré
De palavras plagiadas e inspiradamente aliciadas
Nas veias arde o salitre de tantas carícias conciliadas
Frederico de Castro
84
Caminhos dispersos

As memórias percorrem caminhos imensos,
intensos e dispersos
Adornam o lajedo do tempo onde o silêncio
palpita tão perverso
Discordante e quase dissonante seus
ecos são agora mais pujantes
Ata e desata a saudade embriagada,
desamparada e lubrificante
Como que fluidificando cada lamento
labirinticamente desafiante
Deambula além no granítico asfalto das
emoções quase asfixiantes
Frederico de Castro
97
Perdido nos pensamentos

Entre as muralhas do silêncio aprisiono um eco castiço e psicótico
Estóico é aquele poente de preces excêntricas vadiando além tão paranóico
Como são cúmplices os lamentos desassossegados, absurdos e antagónicos
Fiquei por momentos perdido entre os meus pensamentos mais eufóricos
Desconstruí o tempo algemado a este verso gemendo doloroso e neurótico
Cada hora abstracta e faminta infecta aquele murmúrio voraz e quase caótico
Frederico de Castro
161
Entre os pingos de solidão

Entre os pingos da solidão a manhã comunga seus afetos com
Aquela luminescência aparatosa, inspiradora e espalhafatosa
A bordo das palavras navega uma hora incauta e caprichosa
Nos céus transborda a esperança urgente e mais ansiosa
Qualquer gargalhada interminável festeja a vida sempre deliciosa
Mesmo quando uma tímida gotícula de luz se esboroa tão pesarosa
Entre os pingos da solidão escorre a seiva do silêncio frondoso
Embriaga-se no mosto dos meus lamentos quase impiedosos
Alvorece entre a multidão de ecos inebriantes e tão meticulosos
Frederico de Castro
90
Depois da tempestade

Uma cascata de murmúrios desenham palavras
Melódicas, aromatizantes e incomensuráveis
Assim se sublima uma prece ubíqua e inenarrável
Depois da tempestade o dia adormece inalterável
Ali urde-se a solidão acomodada, robusta e conjeturável
Improvisa-se um sorriso suturado por um eco impenetrável
Serena lasciva e apaixonante a manhã despenteia aquela
Brisa ainda embasbacada boémia e tão absurdamente inalienável
O silêncio abissal engole o vazio navegando num lamento indomável
Frederico de Castro
81
Banho de vida

A vida banha-se feliz ousada e tão petulante
Em sintonia o tempo cantarola sempre provocante
Sentem-se as batidas do coração, liberto, solidário e pulsante
Aquela luminescência ali tão abundante enxagua a
Esperança ancorada a cada molécula desta fé possante
Nas margens do rio deleita-se o dia regalado e arfante
Frederico de Castro
65
Na esquina do tempo

Na esquina do tempo o tempo torna-se um
Presidiário da solidão e de um apocalíptico
Silêncio ousado, improvisado…tão aprumado
Na esquina do tempo as noites sucumbem desanimadas
As horas, essas encenam elípticas emoções desgarradas
Todas as gravíticas palavras pairam numa estrofe dispersada
Na esquina do tempo a vida acantona-se no cadafalso dos
Lamentos fiéis, angustiantes e genuinamente equivocados
Um sepulcral silêncio namorisca o epitáfio dos sonhos dizimados
Na esquina do tempo uma fluorescência intermitente contorna
Todas as escuridões poluídas por mil breus ali enxotados
Neuróticos e apoteóticos os pensamentos perduram mais exaltados
Frederico de Castro
143
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