Lista de Poemas
Quão grande é o mar!

O mar é tão grande que cabe todo ele na sinagoga
Das preces intempestivas…quase superlativas
As horas sem limites espraiam-se ali tão compassivas
A cada centímetro a solidão mede forças com a
Esperança agora descodificada, agora espevitada
Fogosa a maresia recria-se suculenta e acalentada
Na soleira da praia as marés dormitam açaimadas
Depenicam aqui e ali todas as luminescências empolgadas
Camuflam ilusões que se dissipam em mil brisas sensibilizadas
Frederico de Castro
124
Nas margens do mesmo rio...

Nas margens da solidão navega um rio silencioso e errático
Ondula numa nesga de palavras tristes e tão fanáticas
Azucrina o tempo confinado a um eco genocida e acrobático
Nas margens da solidão cada hora dilacera um segundo antipático
A curvatura do horizonte pacifica o céu prenhe de poentes enfáticos
Ali se desenha a potencialidade de um afago invisível e enigmático
Frederico de Castro
175
Assimetrias

Geométrico e tão quilométrico o silêncio
Amara ali tão milimétrico, para que o tempo
Quase tétrico formate um breu mais ergométrico
Assim cronométrico cada sorriso alimenta
O circuito elétrico de um eco sempre isométrico
Qual desejo trigonométrico esbelto e tão simétrico
Com suas fantasias em plena harmonia, já sem
Autonomia, a solidão ali vadia prenhe e luzidia
Com emocionante caligrafia se escreve uma rima fugidia
Frederico de Castro
90
Entre o céu e o mar

Escoa a maresia junto ao litoral dos silêncios indecifráveis
As ondas bóiam de contente, supridas por brisas favoráveis
Flanqueadas todas as horas afogam-se indefesas e tão imperturbáveis
Pé ante pé a manhã renasce lapidada, brilhante e apaixonada
Sua luminescência aquiesce toda a esperança sempre emocionada
As marés escorrem qual hemorrágica gargalhada feliz e descarada
Entre o céu e o mar fluem azuis resgatados numa pincelada de
Plausíveis ilusões escorregadias, incrédulas e tão reconfortadas
Caducam pra sempre eras e eras de solidões quase indomadas
Frederico de Castro
75
Solidariedade

Saibamos suprir com atos de solidariedade
O compromisso de abraçar sempre com lealdade
E da camaradagem florir a vida plena de afabilidade
Saibamos dos outros enxugar suas lágrimas de verdade
Amparar com brandura, exaltação e sem nenhuma vaidade
Os que sofrem na tristeza, de quem vive nesta orfandade
Saibamos encastrar na manhã as mais belas preces de bondade
Deixar a fé diluir-se nas gargalhadas de esperança e dignidade
Fazer da empatia o recobro das emoções trajadas com virtuosidade
Frederico de Castro
125
Silêncios ocultos

No divã dos silêncios jaz o tempo sacrificado
Cada palavra expiada abdica de uma rima aldrabada
A meus pés fenece uma endémica hora quase descartada
Os silêncios mais ocultos descodificam ecos tão alucinados
Ostentam a fragilidade dos lamentos sempre enxovalhados
Nutrem lágrimas que se esboroam no ventre dos desejos coagulados
Desprotegida a escuridão aconchega-se a um gemido imenso e enferrujado
Todas as misteriosas trevas sucumbem num apocalíptico silêncio teleguiado
Cheia de cãibras à noite distende-se na musculatura de um breu apaziguado
Frederico de Castro
131
Luar à deriva

Lá vai a maré à deriva, toda ela embebedada
Toda ela elegante, castiça, profana e acomodada
Ali borbulha um silêncio e uma emoção bem cortejada
O luar embandeirado em arco veleja à bolina de
Uma brisa carente e terapêutica que saiu em disparada
Ininterruptas as horas suspiram, suspiram quase exoneradas
Sem algemas cada eco estilhaça-se na escuridão dilacerada
Atordoada a maresia ainda destila uma prece tão revigorada
Solitariamente a poesia amamenta cada palavra urgente e exasperada
Frederico de Castro
115
Onde dormitam os instintos

Todos os instintos alunaram num endoidecido e
Fértil silêncio que por ali tão entorpecido dormitava
No seu cio a noite fecundava um sonho que meu ser cogitava
No apeadeiro do tempo cada hora assume a brevidade
Da eternidade vagueando tão ostracizada, quase cauterizada
Pela colina dos silêncios desliza a solidão carente e tão enraizada
A escuridão pousada no relvado das preces mais sensibilizadas
Ornamenta a noite tão fogosa, tão túrgida, tão galvanizada
Os céus desvendam toda a travessura de uma gargalhada alucinada
Frederico de Castro
144
Sentimentos cabisbaixos

De tristeza sucumbe a manhã tão molestada
Escondo minha solidão tão bruta e estilhaçada
As horas corroídas espelham o calafrio da alma maltratada
Vão além a vadiar tantos sentimentos cabisbaixos, tão vergados
A face de cada lamento sufoca gemendo após um violento ai resignado
Assim se aniquilam palavras confinadas a um imenso breu excusado
As poucas lágrimas que tenho secaram, ressentidas, ressequidas, indultadas
Sem acalento as preces vestem-se de escuridões poderosas e plagiadas
O dia esmorece combalido apodrecendo numa ladainha de horas tão atraiçoadas
Frederico de Castro
111
Sofreguidão

Sôfrega a manhã beberica aquela luminescência apaziguada
Sem atalhos a paz amara ali, perpétua, feliz e enamorada
Numa gota de água cada hora embriaga a vida seduzida e domada
Possuirá o silêncio um eco moldado numa gotícula de luz mimada?
Perfumarão as flores a solidão disfarçada nesta prece abençoada?
Sim, com vigor e prantos febris se inspirarão palavras quase alucinadas
Frederico de Castro
138
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