Lista de Poemas

Voyeur da noite



Pleno de contrastes gratificantes o luar
Estende-se além viril, suave e tão alucinante
Promíscua a escuridão fenece quase jactante

Quebrantada a noite dormita enroscada a
Um sensual sussurro voraz e dissonante
Assustadora a solidão envelhece tão chocante

Cada hora não mais enxerga aquele segundo
Alimentado esporadicamente pela ilusão reinante
Deixa amblíope o tempo vagueando senil e inquietante

Frederico de Castro
127

O que me apetece



O que me apetece é estar ali sentado sossegadinho
Deixar as palavras meus versos velar um eco danadinho
Decifrar cada hora que fenece num segundo tão miudinho

O que me apetece respondem as memórias em surdina
Alimenta-se com benzodiazepina uma gargalhada repentina
Descortina-se a loucura onde se fecunda uma rima concubina

O que me apetece resvala pelo tempo cruel farsante e profanado
É anfitrião de cada lamento astuto, imperceptível mas arrojado
É adrenalina daquele silêncio pérfido, indigente e marginalizado

Frederico de Castro
104

Frio bravio



Um frio bravio veste a manhã tiritando inconfortável
Cheia de injúrias a solidão arrefece quase descartável
O tempo esse hiberna pra sempre irremediavelmente inexorável

Num ápice encarceram-se além vagos silêncios imutáveis
Cada hora ainda desagasalhada cai inerte num pranto inexplicável
Sobre um recíproco manto de emoções jaz o dia frígido, triste e insuportável

Frederico de Castro
117

Simplicitude



Sob uma opaca luminescência purpurina
O dia espreita e abrilhanta uma prece cristalina
Com simplicitude a vida brota delicada e clandestina

Enraizada numa fé inebriante e quase Divina a
Solidão aconchega-se no leito de um sonho peregrino
Ali a esperança prefacia um desejo jubilando tão genuíno

Frederico de Castro
127

Vai à janela



Vai à janela e vê a manhã despir todos os derradeiros
Breus insolentes, frenéticos, absurdamente apopléticos
Vê como ela se empoleira em tantos afagos energéticos

Vai à janela e descobre como o dia vasculha a solidão mais
Lânguida, a tristeza quase sonâmbula, a ilusão mais iludida
Explora os sentidos desopilando nesta fluorescência tão fugidia

Frederico de Castro
150

No teu poema



- para Carlos do Carmo, a voz...

No Teu Poema todos os silêncios dormitam
Ali onde a tarde entardecia e as palavras em eco
Feliz brilhava e avidamente o tempo resplandecia

No céu aberto surge a Estrela da Tarde iluminando
Aquelas Duas lágrimas de Orvalho onde navegam altivas
E de velas erguidas as Canoas do Tejo com brisas bem supridas

Foste Um Homem na Cidade, musicas-te um Fado da saudade
Acordem guitarras, Por Morrer uma Andorinha não acaba a Primavera
Lisboa, ainda é Menina e Moça, oh varina teus olhos têm ternura purpurina

Nessa Estranha forma de vida, à esquina deste inverno o Homem
Das Castanhas apregoa, quem quer quentes e boas ao desafio
Dá tempo ao Tempo o que não mata a fome aconchega o frio

Frederico de Castro
254

Silêncio circunstancial



Intransitivo e quase predicativo o silêncio flutua
Aconchegado a um murmúrio harmonioso e semântico
Circunstancial e direto o tempo impregna a alma
Com um gesto tão selvático, tão lunático, tão quântico

Num breve instante a solidão febril, insana e opressora
Absorve aquele caudal de palavras e carícias tão redentoras
Entre olhares cogitam-se delirantes preces mais sedutoras
Ali matura e medram rimas quase fanáticas e sempre conspiradoras

Frederico de Castro
156

Trilhos e caminhos



O tempo convergiu por diferentes caminhos
Descarrilou em frente ao ininterrupto silêncio orgânico
Deixou na encruzilhada da esperança uma prece balsâmica
Cartografar a vida fecundada por um poente quase tsunâmico

Frederico de Castro
103

Um novo dia...



Ao raiar um novo dia a esperança sequestra
Todas as luminescências felizes e apaziguadas
A li serenam e se reconciliam tantas palavras pactuadas

Ao raiar um novo dia a paz chegando qual pandemia
De preces alucinadas, resgata toda a fé mais obcecada
O coração embriagado seduz cada carícia tão indomada

Ao raiar um novo dia a solidão coerciva e resignada
Descarta aquela inconfundível e viral saudade codificada
Das memórias restam estilhaços de uma alegria dilacerada

Frederico de Castro
120

Silêncios sensoriais



Na superfície dos céus plana um esguio silêncio sensorial
Brisas perfumadas migram a bordo de um alíseo longitudinal
Cada hora renovada catapulta-se neste espaço tão descomunal

Cinzento e amargurado o dia fenece castrado e mais debilitado
Um aguaceiro de lamentos inusitados intui todo breu enjeitado
O tempo de olhos arregalados esvazia aquele delírio quase decapitado

Frederico de Castro
93

Comentários (3)

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asdfgh

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

asdfgh

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

ania_lepp

Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!