Lista de Poemas

Melancólica escuridão



É sublime a metamorfose de fluorescências esplêndidas
Sua resplandecência admoesta tantas escuridões expeditas
Um delírio quântico ignifica a noite chegando fiel e inaudita

Resta àquele silêncio amblíope tatear a luz escondida entre
As trincheiras do tempo defraudado e inexprimivelmente flagelado
Resta à escuridão omnisciente fecundar este poente monstruoso e indultado

Frederico de Castro
105

Quis adiar o poente



Ao cair da tarde o poente inspira uma
Overdose de palavras belas e transcendentes
A noite corrói por dentro tantos breus emergentes

Ao cair da tarde a solidão matura uma hora dissidente
Na fecundidade de nossa fé improvisa-se um sonho tão crente
Desembrulha-se a esperança, audaz, veraz, suada…pungente

Quis adiar o poente mas o tempo divagando desmiolado
Escondeu-se entre as derradeiras luminescências dissimuladas
Fiquei só algemado a tantas caóticas solidões além emuladas

Frederico de Castro
150

Fértil escuridão



A noite está de luto
Ali jaz um luar tão absoluto
No vazio o silêncio é mais arguto

O luar fértil lapida um breu resoluto
Vulnerável o tempo sucumbe a cada minuto
Cruel a escuridão eclipsa-se num eco diminuto

Frederico de Castro
145

Entre margens



Entre margens circula uma hora sem prerrogativa
Unidas na ressonância de uma prece contemplativa
Duas brisas díspares inundam toda a solidão apreciativa

Entre margens todas as brumas da manhã amparam o
Silêncio viajando pela diáspora das emoções imperativas
É hora de galgar o viaduto onde dormitam maresias paliativas

Entre margens a vida quando esquecida afoga-se no leito
Lacrimoso e regurgitado das ilusões sempre na expectativa
Impotente a saudade evapora-se no meio de memória ali cativa

Frederico de Castro
158

Sudário dos silêncios



Adormece a noite aconchegada ao altar da solidão
Enquanto rendida viceja uma emoção tão submissa
No labirinto da vida amordaça-se a luz mais movediça

Envolta no sudário dos silêncios a escuridão mumificada
Esboroa-se qual lamento tristonho e intimidante, até deixar
Aquele breu transladado deglutir uma hora volátil e claudicante

Frederico de Castro
120

Passei por ali...



Passei por ali, onde a escuridão absorta e cirúrgica
Aguça a solidão neurótica desvairada, quase em fúria
Da noite apenas brilha aquela luminescência tão litúrgica

A cada instante ouço o rumor da vida gargalhando divertida
Escrevo impacientes palavras que fecundam esta rima extrovertida
Deixo as mágoas sucumbir plagiadas por uma emoção subvertida

Passei por ali, onde os lamentos mais lancinantes acorrentam
Tão frágeis silêncios gigantes…tão ágeis súplicas refrescantes
A paz sustentará a alacridade de mil ilusões ígneas e gratificantes

Frederico de Castro
126

Para lá da escuridão



Para lá da noite oculta e condoída estrebucha um
Breu inundando o céu de escuridões exorbitantes
Em debandada todos os lamentos latem tão litigantes

Para lá da escuridão entranha-se numa hora ferida
A inexorável e universal fé branda, imensa e axiomática
A negrura trigonométrica da solidão flutua além tão telepática

Frederico de Castro
106

Sombras submersas



Desconfinada a manhã escorrega pelo leito do
Tempo suspirando langorosamente imperscrutável
Cada hora paulatinamente enrosca-se num eco imutável

As sombras submersas nesta solidão quase inescrutável
Silenciam cada doce luminescência vagueando tão confortável
Adormece a vida no gueto de todas as tristezas mais inesgotáveis

No doce percurso das emoções refinadas forja-se um verso afável
Em cacos ficarão lembranças tão lúbricas…sempre indubitáveis
Do silêncio emerge a simbiose de tenros afagos quase inenarráveis

Frederico de Castro
133

Inflorescência nocturna



Badalou a vigésima quarta hora e a noite senil
Algemou-se à túnica desta solidão na penúria
Assim se coreografa as vestes de tanta lamúria

Uma inflorescência nocturna assoma na escuridão
Tão taciturna, tão esvaziada…demasiadamente prematura
Ficou sincronizado o tempo e cada hora que o silêncio depura

Para lá da minha esperança cortejo uma fé mais ecumênica
Ali habitam meus sonhos e desejos absolutamente transgênicos
Na vanguarda das emoções fotografa-se a sequela de prantos heterogénicos

Frederico de Castro
140

Ancoradouro dos silêncios



No ancoradouro dos silêncios a maresia estagna longilínea
Enfeita-se o tempo que se ausenta na monotonia das horas
Tão retilíneas, ilusórias, incrédulas…perdidas na última alínea

Uma beligerante memória desagua a jusante da solidão penetrante
Agora simplesmente fenece o poente sereno, belo e suplicante
Em sintonia deixo cada prece empoleirar-se nesta fé tão excitante

Frederico de Castro
114

Comentários (3)

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asdfgh

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

asdfgh

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

ania_lepp

Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!