Lista de Poemas
Silêncio sem nexo

Sem nexo o silêncio hibernou no tempo quase estilhaçado
Não existe cura para aquele eco que feneceu tão mediático
Jaz ali, abandonado no mausoléu dos lamentos mais fanáticos
Um incoercível olhar enigmático flui pelo corrimão das
Palavras inconformadas, indivisíveis e alucinadas, deixando
Em cada verso o vestígio de tantas solidões sempre insaciadas
Subsiste no semblante da tristeza esta emoção tão petrificada
Na soma de todas as angústias esvazia-se uma lágrima amuada
De capítulo em capítulo a vida esvai-se agora absolutamente obliterada
Frederico de Castro
118
Atrás de um poente

Por trás do poente a noite esconde-se decadente
Cada molécula de solidão adormece ali tão indolente
A maresia em suspense deságua quase dissolvente
À beira de cada onda o silêncio amara sempre renitente
Porque recém-chegada a noite sucumbirá argutamente
Intocável a escuridão apaziguará esta emoção tão indulgente
Frederico de Castro
131
Retiro da solidão

No retiro da solidão repousa a noite ciscando
Aqui e ali um luar casto, solene e tão resiliente
Incontornável, a noite ali dormita feliz e displicente
Ao longe ainda ouço o rumor de cada eco eminente
A paz reina nas beiras da ágil e diluída maresia fremente
Aos soluços o tempo desabotoa a memória cativa e dissidente
A solidão quase mutilada, entranha numa prece clemente
Assim suspira cada palavra serena assertiva e complacente
A poesia adorna todo o brado de esperança ecoando tão imponente
Frederico de Castro
194
Concentricidades

Concêntricos círculos flutuam nas bordas
Da solidão sobrepujante…tão fluidificante
Ali amara uma hora castrada e intimidante
Ilusões concêntricas iludem o imaginário espacial
Submergem agonizando no diâmetro do tempo irreal
Seu raio duplica qualquer esperança sucumbindo tão banal
No centro cilíndrico das emoções mais ígneas e sensoriais
Circulam circunscritas palavras tão ferozmente passionais
Assim se interseta a mediatriz dos silêncios matemáticos e consensuais
FC
136
Instinto lunático

Um instinto lunático e precoce, percorre a noite estendida
Na fímbria da solidão enfadonha, abolida…tão contundida
Ondas de escuridões silenciosas mergulharão na derme de
Cada lágrima sitiada no rebordo da noite mais desiludida
Frederico de Castro
109
Brisa matutina

Entrou uma brisa e pousou nos beirados
Desta solidão acabrunhada e impaciente
Repleta de si a esperança adormece ali esquecida
Assim se presenteia esta terna emoção endoidecida
Uma dispersa brisa perfuma cada palavra bem suprida
A noite saturada de escuridões quase congénitas e suicidas
Fenece esfrangalhada extravagante e absurdamente contundida
Ao longe ouve-se o debulhar da vida e de cada lágrima caindo rendida
Frederico de Castro
84
Nitescências

Fenece tranquilamente a luz zelando
O velório da solidão quase pasmada
Resiste somente uma hora luzindo rogada
Assim subtilmente cai a noite e a escuridão
Estatela-se além tão ferozmente apaziguada
Desmaia ao pé da maresia feliz e amestrada
Uma subtil esperança amara mais abnegada
Enquanto a nascitura ilusão se afoga quase subjugada
Serenas e desejadas palavras jazem tão requintadas
Frederico de Castro
136
Olhar além...

O tempo amainado encurta a solidão que além
Pasta muito mais amistosa e satisfeita e até consome
Cada prece onde minha alma à boleia se deleita
Basta olhar além e ver a manhã recostar-se
Nos beirais da saudade que a memória aleita
E sentir amainar o vendaval de emoções quase perfeitas
Cada sentido ressuscitado acarinha uma lágrima desertora
Sublima toda a palavra irreverente, reincidente e sedutora
Esparge no horizonte esta imperturbável rima apaziguadora
Frederico de Castro
127
Dos céus caiu

Dos céus caiu este luar quase pasmado
Cristalinas e puras fluorescências degladiam-se
Ao redor da escuridão radical, túmida e umbilical
A centímetros da noite esvoaçam ilusões lunares
O luar súbtil e elegante desliza suavemente naquele
Plano perpendicular às emoções reflectidas aos milhares
Na tenda dos silêncios adormece a paz quase domada
A solidão essa já fintou cada palavra esquecida e abortada
Acaricia-se a traquinice de tantas rimas insanas e tão aldrabadas
Frederico de Castro
153
Outra noite...outro luar

A noite devassada alastra na escuridão imensa e degradada
Em simultâneo e de forma cutânea amordaça a solidão que
Assim extemporânea submerge numa carícia tão consentânea
Do outro lado da lua brilham sôfregas emoções antiderrapantes
Diz meu instinto fertilizando ferozes beijos revitalizantes que do
Restolho dos silêncios agonizantes brilharão luares anestesiantes
Frederico de Castro
132
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