Lista de Poemas
Última caminhada

Sobre o muro dos silêncio ecoa um funesto lamento viral
O coração aflito alimenta uma sístole contrativa…quase mortal
Dos ventrículos flui a vida numa sequência de diástoles tão surreais
Assim caminha esta tricúspide solidão arterial e penetrante
As coronárias já adoecidas auscultam uma arritmia dolorida e arfante
Está pra breve um enfarte agudo chegando silenciosamente dilacerante
Frederico de Castro
152
Na minha partitura

Na minha partitura escreve-se um cântico de esperança
Com habilidade a luz ilumina a clave de palavras enamoradas
Cifra cada silêncio e cada dígito de emoções fluindo agradadas
Num breve e subtil acorde a manhã decifra uma ilusão acossada
Ousada e charmosa alimenta esta estrofe viril e fascinada
Arrogante amplia a solidão tendenciosa…quase solicitante
Em pauta orquestra-se a alegria com preces exultantes
A vida infectada e implorada baila ante uma semibreve elegante
Lambuza-se neste semifusa, ou semínima tão desconcertante
Frederico de Castro
163
Antecâmara da solidão

Desencontraram-se as manhãs repletas de luz sofisticada
Na antecâmara do tempo as palavras apossam-se de
Mil carícias afagantes, implacavelmente contagiantes
Entre os escombros da solidão estão corroídas ilusões
Extravagantes e dali vejo brotar lamentos tão sincronizados
O céu sereno e galáctico adorna o timbre de um eco insubordinado
Cada brisa prenhe de sonoridades predominantes esgueira-se
Ao longo de tantas túrgidas e húmidas luminescências purgantes
Circunavegam o litoral das inenarráveis emoções tão arfantes
Frederico de Castro
163
Cascata dos silêncios

Desce pela cascata dos silêncios uma elegante
Torrente de água fluindo refrescante e cordialmente
Amamenta a luz da manhã que brilha voraz e copiosamente
A centímetros da solidão abeiram-se muitas lembranças
Guardadas entre sôfregas saudades sempre esmiuçadas
Alimentam memórias poeirentas e palavras quase eclipsadas
O rio confortavelmente desliza ávido frenético e desassombrado
Amara silenciosamente no leito de um sonho ardente e abençoado
Adormece saciado ao som de um cântico grandioso e enamorado
Frederico de Castro
171
Montanhas azuis

No palanque celestial irrompe a luz prenhe de
Esplendorosas emoções excelsas e sensoriais
Escorre pela montanha um pachorrento eco curial
Nas encostas do tempo plantam-se metáforas confidenciais
Resvala pelas falésias um vertiginoso lirismo tão torrencial
Desenha a geométrica grandeza de cada carícia quase sobrenatural
Frederico de Castro
126
Onde a maré dormita

Onde a maré dormita ouve-se o marulhar
Do silêncio ali reinante, ali tão divagante
Cada onda misericordiosamente saltita aliciante
Onde a maré implacavelmente navega o poente
ígneo e esdruxulamente inafundável banha as
Margens desta nobre e serena solidão vulnerável
Onde a maré dormita a esperança plena de cumplicidade
Renasce manuscrita em palavras prenhes e caprichosas
A maresia abençoada clama ávida de rimas amistosas
Onde a maré dormita a noite pousará uivando ardilosa
Nas margens da escuridão uma brisa sucumbirá tão preguiçosa
A memória assediada inebria até uma caricia mais meticulosa
Frederico de Castro
123
Poente dos lunáticos

Vislumbro ao longe a beleza do poente redimindo
Um eco deleitado, fremindo quase, quase desvairado
É a luz aplaudindo o céu bradando mais enamorado
Em clamores mágicos prazerosos e mediáticos
Baila afoita a esperança perdidamente lunática
Sustenta a fé estendida no recobro de uma prece fantástica
Ao longe vê-se o sol apagar-se feliz e tão simpático
Como pluma flutua nas bermas de cada sorriso enigmático
Até dói ver o silêncio aniquilar e consumir-se num breu dramático
Frederico de Castro
114
Atrás de uma onda...

Atrás de uma onda, outra onda virá mais ressarcida
Sequiosas apaziguarão a maré que ali se estende entorpecida
Bolinarão a bordo de cada brisa fluidificante e agradecida
Atrás de uma onda todas as palavras se afogarão convencidas
No mesclado de esperanças firmes se alimentam preces encarecidas
Assim se enfeitam todas as manhãs absurdamente rejuvenescidas
Atrás de uma onda vadia o poente solitário e sempre inibido
Gargalhadas deliciosas amaram ao longo desta hora reprimida
Esfomeadas, indultam a epístola de palavras carentes mas enaltecidas
Frederico de Castro
159
Entre cascatas

Entre cascatas pasta a vida acalentada por
Uma magistral orquestra de ilusões apaixonadas
Desagua destilada por emoções cordialmente desvairadas
Esquecido nas margens do tempo carente e acanhado
Flui o silêncio absurdo e impreterivelmente asfixiado
Profana cada eco mórbido, flácido e tão rechaçado
Quais artérias deambulando nesta aquífera solidão
A vida recauchutada transfunde no tempo a réplica ímpar
De uma luminescência abençoada, etérea…tão afortunada
Frederico de Castro
121
Luz anestesiante

Aromatizantes ilusões esfregam-se ao redor desta
Escuridão absurdamente fiel e anestesiante
Crocante e tão gritante esfarela-se quase laxante
Entre silêncios floresce a luz plissada e colorida
De provocantes emoções tão relampejantes
Toca a rebate a noite polvilhada de ecos tonificantes
O tempo exorcizado esmaga cada hora asfixiante
Ronda cada sonho badalando num segundo inoperante
É um pequeno detalhe pairando neste devorador prazer atordoante
Frederico de Castro
153
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