Lista de Poemas

Restos de solidão



Brisas esporádicas aleatórias e vibrantes
Sufocam o imenso horizonte de palavras arfantes
São a réplica de muitas preces emocionadas e possantes

Gemendo silenciosamente a manhã espreguiça-se galante
Da noite ainda restam restos de uma escuridão conflitante
Da luz transbordará a esperança qual bálsamo hidratante

Nas sobras de uma hora além regurgitada e sibilante
Faz-se a assépsia a uma carícia infecciosa e oxidante
Mesclam-se afectos tão diluvianos…quase arrepiantes

Frederico de Castro
118

A tarde é minha



A minha tarde é sempre tão bonita
Cada onda, ávida sussurra e a fé reabilita
Seu bailado minhas preces assim felicita

A minha tarde faz-se ao mar e perde-se
Além no poente bramando feliz e expedito
Cada eco fervilha breve, sorrateiro e solícito

A minha tarde repousa na longarina do
Silêncio e das palavras mais benditas
Ali exposta até minh’alma em frenesim levita

Frederico de Castro
151

Pelo leito do luar



Pelo leito da noite escorre este luar personalizado
À mercê da solidão fecunda cada lamento inflacionado
Deixa em cacos o tempo soçobrando quase espezinhado

Pelo leito do luar ruborizado vadia embebedado um
Breu substancial e provocantemente transfigurado
Além até a melancolia se esconde num prazer teleguiado

Pelo leito do luar fluidificante desabrocha a madrugada
Toda ela mesclada de fluorescências tão extravagantes
Como me inspiram confiança estas preces mais contagiantes

Pelo leito do luar o silêncio verseja ao sabor da maré purgante
Semeia e encastra nos céus tantos versos líricos e inebriantes
Viçam lentamente ao sabor de mil carícias subtis e desconcertantes

Frederico de Castro
184

Silhuetas



O poente ígneo, transparente e incrivelmente flamejante
Espreguiça-se ao longo do horizonte desfrutável e inebriante
Ateia na noite um facho de luminescências joviais e aconchegantes

No espaço reproduz-se a silhueta da escuridão terna e petulante
Sem bússola a solidão torna-se absurdamente eficaz e litigante
Fecunda a esperança inquietante insubmissa…quase sobrepujante

Frederico de Castro
136

Outra meninice



A cada instante a jusante, assim de rompante
Espreguiça-se o tempo numa brisa dançante
Ali se pedincha uma gargalhada feliz e sonante

Cada palavra é sempre mais desconcertante
Ilumina todo este verso que flameja abrasante
Flutua no estuário das emoções tão vivificantes

Frederico de Castro
129

O astronauta




A bordo de uma fluorescência espacial
Navega a noite quase hipnótica e confidencial
Ao longo da escuridão gravita o tempo feliz e cordial

Atraído pela órbita deste imenso silêncio surreal
Viajo além de todas as ilusões crepitantes e tangenciais
Adormeço na microgravidade das solidões tão sensoriais

No horizonte, fragrâncias recém chegadas esvoaçam
Pelos intensos céus poçantes, ditatorias…quase imperiais
Ali se sustém a imponderabilidade de todos os ecos celestiais

Frederico de Castro
114

À beira do cais



À beira do cais sussurra a maresia soberba e furtiva
Ondas ternas e apaixonadas esboroam-se ali tão passivas
Algures no horizonte dormitam solidões cálidas e purgativas

Precisa e atormentada cada hora fenece numa sinfonia
De atrativos silêncios dementes ferozes e muito possessivos
Aglutinaria a noite todos estes ecos latentes e expressivos?

Pela escuridão tranquilizante flui o poente quase inquisitivo
À margem da solidão fertiliza-se esta luz imensa e intuitiva
Cada palavra supera e implora pela fé navegando mais efusiva

Frederico de Castro
160

Quiet place



Longe de todas as latitudes e longitudes mora o
Tempo ingovernável alinhado com um inverosímil
Sonho castrado, denegrido e quase delituoso

Nas longas quietudes da manhã pasta esta luz
Enamorada, embutida num genético eco sinuoso
Escorrega pelos invisíveis desejos tumultuosos

O silêncio perfura os tímpanos a cada ilusão combalida
A saudade uterina esmifra minha memória deprimida
Nem mais a emoção reage a tanta, tanta solidão tão temida

FC
146

A noite é nossa...



Reparto entre ti e mim uma panóplia de emoções
Agasalhadas à monotonia dos dias indigentes
Ali até pressinto assombrosos estados de tua súbtil
Presença em mim se imiscuir quase brutalmente

Vou diluir na noite esta escuridão absoluta e irreverente
Colorir a catedral da fé mais fecunda e mais potente
Aplaudir de pé uma oração casta e tão urgente
Fecundar a paz que se quer intensa e pungente

Vou medir a noite e deixar a dois palmos do tempo
Uma hora regurgitar tantos segundos insolentes
Converter tantos breus num brado de alegrias plangentes
Saquear da esperança um naipe de palavras mais eloquentes

Frederico de Castro
171

Passageiro da chuva



Bate bate levemente na carruagem do tempo
Um aguaceiro hospitaleiro, subtil e tão biométrico
Assimétrico sustenta este silêncio quase milimétrico

A manhã cinzenta e coberta de brumas atmosféricas
Atazana tantas solidões holográficas e geométricas
Recriam a prosopopeia de palavras chuviscando tão histéricas

Ao colo da fresca manhã vadiam brisas eternas e frizantes
Imaturas ilusões castram memórias telúricas e escruciantes
Recriam a mecânica de tantas rimas poéticas e estimulantes

Frederico de Castro
107

Comentários (3)

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asdfgh

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

asdfgh

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

ania_lepp

Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!