Lista de Poemas
Para lá das montanhas

Para lá das montanhas estende-se a vida aprisionada
Numa brisa anestesista ali definha uma hora amnistiada
Cada palavra cativante sucumbe de rompante e afeiçoada
Para lá das montanhas o poente adormece caótico
Dos céus brilha um breu esclavagista e tão exótico
O tempo perde-se amarfanhado num eco quase hipnótico
Para lá das montanhas enregela a noite fria e ofegante
Ornamenta-se o cardápio de tantos desejos empolgantes
Ardem abissais solidões fetichistas e tão, tão mitigantes
Frederico de Castro
101
Esse indigente silêncio

Esse indigente silêncio navega tranquilamente
Apascenta indulgente aquela onda tão divergente
Festeja a vida fluindo por ali quase dissolvente
À beira da maré que subtil se afoga lestamente
Escorre o tempo alimentado milimetricamente
Por tantas ilusões tão impetuosamente displicentes
Revejo na calmaria das emoções tão glamorosas
O recanto mágico onde as margens deste riacho
Mergulham assustadoramente disponíveis e vigorosas
Frederico de Castro
93
Silêncio das águas

Com timbres apaziguantes soam cânticos de fé mais pactuante
Cada prece acopla-se a tanta esperança chegando estonteante
Ali as palavras lactantes sitiam todo eco reverberando tão vibrante
No doce marulhar das ondas uivam brisas etéreas e profanas
Fazem uma gincana de emoções serpentear esta maresia deslizante
Lamentos mimados navegam ao sabor das marés mais refrescantes
Frederico de Castro
165
Bem-vindo a bordo

A bordo do tempo desliza a manhã tão deliciosa
Folclórica, perfuma cada luminescência mais graciosa
Além navega a maresia esplendorosamente sequiosa
Na candura inocente da solidão dormita uma
Hora fremente, harmoniosa, quase contagiosa
Assim desabrocha esta ilusão audaz e tão grandiosa
Frederico de Castro
181
2ª Vaga

Enfurecida estrondosa e sonante chegou esta
Segunda vaga, temerosa e tão intimidante
Infectou o mar de esperanças diluídas numa
Pandemia letal, destrutiva, brutal e extenuante
A terra aos soluços choraminga quase humilhada
Cada prece expectante ainda revigora a fé devassada
Deixa em confinamento tantas palavras esfrangalhadas
Nos cuidados intensivos gemem vidas sussurrando destroçadas
Frederico de Castro
112
(Des)confinamento

Uma viral luminescência aduba cada hora a reciclar
Assim se alimenta esta infectante pandemia transversal
Em (des)confinamento soam silêncios tão colaterais
Seus lamentos entorpecem muitas palavras por inocular
Frederico de Castro
152
Além deste mar

E assim fomos nós pra lém deste mar navegar
Descortinar nos céus um poente a clamar
E em cada crepúsculo deixar a maresia ali desaguar
Extinta a solidão povoam-se as palavras promissórias
Pincelam-se ilusões coloridas delirantes e propiciatórias
A olho nú descortinam-se palavras e rimas premonitórias
Além deste mar, existe uma maré de ondas celestiais
Todas desembocam algures a jusante de tantas carícias virais
Todas irradiam um tornado de luminescências tão confidenciais
Frederico de Castro
115
Lá vem a noite...

Debruada com luares ígneos gentis e exaltantes
Chega a noite empoleirada numa escuridão possante
Latidos de um lamento dopante fenecem tão suplicantes
Lá vem a noite chique, elegante, lunática e brilhante
Até ao último suspiro toda ela estremece sonante
Geme envolta numa carícia voraz subtil e anestesiante
Frederico de Castro
130
A bombordo

Repousa silenciosamente o tempo juntinho às
Margens da maré frágil tímida e minguante
Extingue-se o poente mariado e ofegante
A bombordo da esperança enfunam-se as velas
Da vida navegando por oceanos de preces pujantes
Do seu leito transpiram ternas maresias elegantes
A estibordo cada hora afoga-se melancólica e abundante
Indiferente a noite chegará repleta de escuridões petulantes
Impermeáveis memórias mergulharão no mar de preces excitantes
Frederico de Castro
131
Depois do Verão...

Um silêncio primordial ancora-se além no
Horizonte esgravatado pela luz tão bifocal
Embala a vida que repousa feliz e integral
Depois do Verão a solidão deixará no tempo
Uma réstia de saudades gigantes e brutais
Selará o túmulo onde repousam memórias virais
Sem abreviaturas, aspas ou reticências a manhã
Engalanada de brisas corteses, elegantes e marginais
Inspirará cada verso colorido com palavras consensuais
Frederico de Castro
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