Lista de Poemas
Quando a noite chegar...

Quando a noite chegar navegarei mar adentro deixando incólume
Este verso transpirando pelo leito dos silêncios mais magoados
Aprisionarei e navegarei à boleia de tantos oceanos rebelados
Quando a noite chegar musicarei a vida afogada numa onda replicada
Tranquilizarei a escuridão que pousa embebedada…tão requintada
Até o mar transbordar ao som de cada irreverente prece agora revelada
Frederico de Castro
109
Altar do tempo

No altar do tempo reza a solidão quase Divinal
A fé adocicada com palavras tão originais
Brota meiga, jovial, absurdamente genial
O silêncio prostrado enxagua uma lágrima imparcial
Quase agoniza a bordo de cada lamento antiviral
É arquirrival daquele sonho delirando tão imperial
A esperança sublimada pro preces francas e incondicionais
Alimenta tantas afetuosas emoções tão tridimensionais
Amamenta-me a alma repleta de alegrias quase insurrecionais
Frederico de Castro
154
De partida...

Deixei o meu repertório de palavras desgarradas diluir-se
Entre fluidificantes arestas da maré tão bem esplanada
A esperança renovada submerge ali qual bruma feliz e encantada
De partida a manhã confinada a tantas emoções indomadas
Fecunda a solidão flutuando numa cachoeira de ilusões enamoradas
Enleva minh’alma que subtil navega estrebuchando mais alucinada
Num derradeiro olhar aprisiono aquela brisa axiológica e pintalgada
Semeio ilusões na fronteira dos desejos e carícias quase sublevadas
Adormeço aglutinado em quânticas palavras nobres e amnistiadas
Frederico de Castro
156
Brumas submersas

Numa bruma submersa a manhã espreguiça-se fragrante
Deita uma olhadela a cada hora que se esvai tão divagante
Dilui-se paralela a tanta migalha de luz fluindo mais ofegante
Reclusa numa parcela de solidões degradantes toda a emoção
Fulminante debela a saudade eclipsada pela memória excitante
Ali se cinge e ajoelha cada prece aromatizada…quase fulminante
Frederico de Castro
135
O lado negro da noite

E assim fenece lentamente o dia quase aparatoso
A perseverança só acampa onde a esperança resplandecer
Onde a vida absoluta e absurdamente feliz endoidecer
Solidões quase delinquentes gotejam pela caleira das
Ilusões incoerentes e substantivamente impiedosas
Assim como a noite refilando entre escuridões gananciosas
Breus levitando em tantos tenebrosos silêncios adormecidos
Vendam um olhar tão doloso dormitando ali quase queixoso
Saltitam escravizados por um tarado desejo tinhoso…tão guloso
Frederico de Castro
123
O fardo da solidão

Curtida e mais despida fervendo deslambida
A solidão paira a bordo deste tempo já falido
Injecta em mim o fardo de cada lamento sentido
Cada hora absolvida pela memória mais dolorida
Sequestra uma palavra purgada, expurgada e iludida
São fonte de inspiração para esta esfrofe agora seduzida
Nasce voluntariosa toda a esperança empolgada e colorida
Deixa cada sonho encostado nas ombreiras fé bem esculpida
Desperta etérea, atada a cada tristeza que além trepida comovida
Frederico de Castro
119
Indo com o poente

Lambe-se o poente nestas derradeiras luminescências sequiosas
Para além dos céus vibra afrontada toda esta solidão harmoniosa
Sem abrigo a noite pernoita ali mesmo bajulada e tão imperiosa
Emoções contagiantes singram pela memória mais minuciosa
Despertam e apaziguam mil lembranças hoje quase mirabolantes
Adiam crentes palavras acutilantes, amanhã decerto tão estimulantes
Frederico de Castro
125
Ali acaba o dia...

O dia acaba além onde a maresia capturada
Adormece fluidificante, solicita e afogada
Toda a luz fecunda e suculenta hiberna camuflada
As palavras em sintonia inventam uma rima consumada
Dão uma cabazada na fonética de qualquer carícia delicada
Espremem o poente nascido à beira de uma gargalhada dopada
Frederico de Castro
106
Hora veloz

Escorre pelos carris do tempo um lamento assustado
Dribla o silêncio que infeliz ainda cogita prenhe e consolado
Flui qual lufada de emoções descarrilando tão assanhadas
Palavras desassossegadas deambulam solitárias ao longo
Destes versos flertando a minha imaginação quase desvairada
Tamanha é a contemplação da cada hora veloz fenecendo eclipsada
Pelas ruelas da noite calcetada com ilusões fantasmagóricas
Amarga a vida perdida numa imensidão de tristezas catastróficas
Só me conforta a alma uma mão cheia de esperanças quase eufóricas
Frederico de Castro
138
Silêncio cativo

- para a Noemi, Ciro e Lucas, meus filhos
Nas prateleiras do tempo repousa a vida
Feita de erosões e saudades cativantes
Embalam uma oferenda de palavras excitantes
Sobre a esfinge do silêncio esboroa-se um eco
Sonante, tão borbulhante…quase embirrante
Aquieta cada brisa perfumada e tão latejante
Ao longe nos beirados do horizonte fervilhante
Dormita a memória fecundada na maternidade
De todos aqueles silêncios ávidos e provocantes
A noite agigantada por esta escuridão claudicante
Ronrona sossegada entre os cílios de um olhar incitante
Faz cócegas à alma dissimuladamente feliz e radiante
Frederico de Castro
163
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