Lista de Poemas

Descalço e em silêncio



Descalça a solidão passarinha pelo lajedo
Deste silêncio intransferível, tão imiscível
Ali se perpetua minha emoção quase insuprível

O dia quase incógnito alimenta uma hora desprezível
Abruptamente dilui-se num pranto brutal e inaudível
Na correnteza das ilusões fenece um adeus tão horrível

Frederico de Castro
136

No reino das sombras



No reino das sombras impera esta escuridão natural
Sobre o lajedo do tempo cada hora petrifica-se escultural
A esperança ainda que tardia delira absurdamente viral

No reino das sombras um chorrilho de ilusões trilham a
Planície das palavras diluídas num cântico esbelto e jovial
As memórias afrontam cada saudade enclausurada num eco virtual

No reino das sombras sinto o sentido dos passos ainda combalidos
Cada um deles calçando aquele trapezoidal silêncio destemido
Até ressuscitar com vigor um verso ameno, genuíno…tão gemido

Frederico de Castro
149

Na paz do rio



Comprimem-se as margens do silêncio e cada hora
Apaziguada afoga-se a jusante do tempo camuflado
Quem ousará usurpar a paz do rio ali dormitando encalhado

Despoluído e refrescante todo ele navega feliz e fluidificante
No seu leito repousam sonhos e esperanças tão vivificantes
Neste marulhar sumptuoso ouve-se o murmúrio da fé emergir excitante

Frederico de Castro
120

Ao virar a esquina...



Ao virar da esquina quedam-se ilusões tão possantes
Improvisam-se palavras inocentes e mais petulantes
Pincelam-se sonhos empoleirados na meninice ainda vibrante

O tempo sempre refém de cada hora imensa e saltitante
Deambula apetrechado de emoções quase beligerantes
Resta à poesia desencalhar a vida feita de rimas tão desafiantes

Frederico de Castro
148

Gigantesca insignificância



Sobrepujada pelos encantos da escuridão cerrada
A solidão gigantesca viceja, voraz insana e blindada
Cada inquietação da vida jaz ali estupidamente desolada

Na arrogância das nossas emoções mais incitadas floresce
A gigantesca insignificância das almas tristemente molestadas
Sem fé, sem esperança, sem sonhos, as palavras sucumbem marginalizadas

Frederico de Castro
170

Junto à caleira



Na minha caleira cai a chuva temperada com
Carícias esplendorosamente apaziguantes
Fluidificam o tempo impreterivelmente intimidante
Clonam tantas palavras, sonhos e desejos fulminantes

Um aguaceiro profuso e vagabundo serpenteia o
Telhado da vida onde dormitam ecos gigantescos
As palavras comovidas dissolvem-se quase inaudíveis
Impregnam a manhã de silêncios e preces tão irresistíveis

Frederico de Castro
139

À beira da Ribeira



Tarda o dia esquecido no poente a sul
Cativo no espaço o tempo não tarda anoitece
Incansável e viçoso o silêncio agradece e prevalece

Da Ribeira pra lá navega um rio esbelto e elegante
Perdido de afetos marulha apaixonado e fluidificante
Sorrateiramente converte cada palavra numa prece sonante

Frederico de Castro
170

Última maré



Na última maré enrolam-se ondas de preces mais recicláveis
Ali todos os abstratos silêncios nagevam subtilmente afáveis
Ali as palavras semeiam ígneas esperanças quase inesgotáveis

A solidão quando partiu deixou em prantos assíduas lágrimas
Decorando todos os corais deste mar imenso e reconciliável
Todo o rebuliço da vida marulha agora inefavelmente domesticável

Frederico de Castro
111

Insustentável leveza do silêncio



Um humedecido gomo de luz amara ali
Insustentavelmente feliz e sequioso
Subtil o luar adormece avidamente melodioso

Na leveza da maresia estarrecida e formosa
Um sussurro incalculável flerta a luz mais viçosa
Insaciável a noite plana fluidificante e tão gloriosa

Frederico de Castro
115

Labirintos da memória



Pelos labirintos da memória vadia a noite
Impregnada de lamentos tão oportunistas
Cada hora degradante fenece senil e anarquista

A escuridão trespassada insufla a emoção capturada
Alimenta versos e palavras inspiradas, tão amestradas
Muscula a solidão confinada a tantas preces desveladas

Resta ao incauto silêncio pavimentar cada eco mais autista
Tatuar no tempo a esperança que se esgueira voraz e egotista
Alimentar as primícias de um sonho rugindo tão narcisista

Frederico de Castro
166

Comentários (3)

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asdfgh

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

asdfgh

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

ania_lepp

Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!