Lista de Poemas
Pintar o Tejo

Lá vai um barquinho sulcando o Tejo
Suas margens pintalga de laranja flamejante
Corre de aldeia em aldeia até que exuberante
Desagua nas margens de Lisboa arfando tão pujante
Se eu pintasse o Tejo era com cores rumorejantes
Além onde as águas sussurram sempre inconstantes
Polvilhava o céu de gaivotas esvoaçando à beira
Da maresia vestida de fado e guitarradas cativantes
Frederico de Castro
146
Splash…

- para os meus filhos Ciro, Lucas e Noemi
Saltitante o dia contorna o charco onde
Se espelham ilusões insólitas e inimagináveis
Imortalizam todos os silêncios mais inescrutáveis
Splash…
Enfeitiçante e apaziguada a luz da manhã
Renasce além a jusante de cada hora vulnerável
Alimenta-se de um predestinado sorriso tão inescusável
Splash…
O tempo volátil, algemado a um punhado de
Segundos absolutamente insofismáveis , divaga
Ao sabor de tantas alegrias outrora incomparáveis
Frederico de Castro
149
O vazio da minha cidade

No vazio da minha cidade passeia o
Silêncio inquietante…quase transcendente
Deixou de quarentena a solidão perdida
Na calçada dos lamentos mais contundentes
Cada hora cercada por gemidos bravios
Vadia agora qual queixume sempre plangente
Deixa omisso qualquer sorriso tão herético
Esmifrando o tempo que ali fenece quase epiléptico
Frederico de Castro
172
Refulgências na noite

De noite as emoções distendem-se apaziguadas
Calibram muitas horas que espúrias veneram estas
Escuridões vadias, adulteradas…quase extenuadas
De noite o luar prenhe e vistoso refulge insinuante
Boceja sonolento antes de se aconchegar sobre o
Manto de neblinas semânticas e tão esfuziantes
De noite a solidão corrói cada triste lamurio
Augúrio meu enquanto adormeço ao som
De cânticos algemados a um eco tão perdulário
Frederico de Castro
176
Ciclos de solidão

Ciclos de solidão amontoam-se entre
As frinchas do tempo mais calculista
Cercam cada hora que fenece efusiva
Paz à sua alma que jaz ali tão passiva
Ciclos de solidão amamentam palavras
Escritas com memórias sempre obsessivas
Achincalham todos os silêncios mais excessivos
Onde simétricos afagos calcetam amores impulsivos
Ciclos de solidão embaralham-se num lamento
Sempre conclusivo, absolutamente decisivo
Alimentam os dígitos do tempo vadiando difusivo
Preenchem a alegoria da vida num gesto sempre dissuasivo
Frederico de Castro
207
Sol poente

Sem rumo e perdido no tempo
O poente soberano, estendem-se
Ao longo da escuridão ali tão latente
Ode imortal a cada luminescência
Que se desvela no leito da noite desabando
Agora mais abençoada, arfando tão apaixonada
Frederico de Castro
160
Que mania

Que mania esta, da manhã se estender
Na espreguiçadeira do tempo e de lá sair
Só depois de duas lágrimas deixar a carpir
Que mania esta, do silêncio repercutir cada
Eco engalfinhado numa emoção derradeira
Perdurando em cada lágrima…sem dar bandeira
Que mania esta, de tantos lamentos se refugiarem
E vasculharem a intranquilidade de cada eco obsoleto
Onde só eu sei moram muitas noites de solidão e desafecto
Frederico de Castro
203
Silêncios colossais

O silêncio é colossal e só de pensar até dói
A solidão é magistral e de lamentos se reconstrói
Toda ela é voraz e felina minuciosamente tudo destrói
A noite gaseificada de ilusões borbulhantes
Desfragmenta-se em gotas de seiva estonteantes
Alimentando a raiz de tantos afagos contagiantes
Lágrimas chorosas fecundam a osmose dos
Silêncios abstractos e quase caóticos, deixando
Endoidecer todos os ecos escorregadiços e narcóticos
Frederico de Castro
143
Afagando um gomo de luar

Afaguei um gomo de luar escondido entre
As luminescências da noite extrovertida
Pernoitei nos seus aposentos enquanto uma
Palavra sonâmbula vivificava uma hora aturdida
A esperança desentorpecida amanhece e além
Desagua no leito de uma maresia intrometida
O silêncio reluzente e apaziguado fecunda cada
Gotícula de fé ainda mais cobiçada e comprometida
Empoleirada na noite elegante, chega uma brisa
Estupefacta , incrédula…quase, quase abstracta e na
Sua trajectória imarcescível serena o universo com caricias
Intactas resvalando ao sabor da maré quase acrobata
Frederico de Castro
181
Dentro das minhas lágrimas

Dentro das minhas lágrimas existe uma
Amargura obsessiva, excessivamente constante
Salgam os cílios dos meus olhos que lacrimejam
Emaranhados numa solidão devoradora e palpitante
Dentro de cada lágrima navegam emoções
Indefesas, acabrunhadas e sempre tão coesas
Irrigam as pálpebras do tempo qual alimento onde
Desaguam tantas ilusões abarrotadas de incertezas
Dentro das minhas lágrimas a noite indefesa sucumbe
À beira de uma escuridão periclitante, mas tão exultante
Acanhadamente apascentará o silêncio peregrino e ardiloso
Alegrará com cânticos o tempo miraculosamente mais generoso
Frederico de Castro
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