Lista de Poemas
Dupla perspectiva

Na hora exacta bate em retirada
O tempo defunto e embriagado
Atónito alinha-se a cada minuto
Repleto de infinitos segundos esmagados
No amplo silêncio desconchavado, badala
A vida repleta de ilusões quase obsessivas
De hora a hora maquilha a solidão que
Sem prazo, progride imensa e tão possessiva
Frederico de Castro
163
Desassombro

A manhã desassombrada flutua abordo
De tantas brisas arrogantes e deslumbradas
Ajeita ardilosa o semblante de cada caricia redobrada
Essas vagabundas horas parem agora um inestético
Silêncio vadiando qual eco absurdamente patético
Confinando o tempo a um tântrico sonho tão poético
Frederico de Castro
124
No meu cativeiro

Ausente naquela manhã algemada a este
Silêncio distante e selecto vagueia a liberdade
Pousada numa pétala de sonhos tão redundantes
Na plenitude dos lamentos sempre latentes
Regam-se todas palavras mais apaziguantes
Desabotoam-se sonhos ávidos e irreverentes
Em cativeiro balouçam memórias tingidas
De emoções arbitrárias e amarfanhadas
São cópias de tantas saudades tão achincalhadas
Ao longe suspira um cântico desgarrado
Beberica cada translucido silêncio esbugalhado
Eclipsa-se a bordo de um lamento sempre desdenhado
Frederico de Castro
204
Brumas suspensas

Entre as brumas da manhã docemente
Suspensa numa vivida luminescência grandiosa
Escorre uma hora purificante e melodiosa
Apazigua cada gotícula de luz mais invisível
Flutua pela plumagem do tempo tão irredutível
Ornamenta tanta ilusão abençoada e inexprimível
Entre as brumas suspensas o céu resfriado
Desagua num aguaceiro de emoções imarcescíveis
Impregnando a vida de beijos e caricias imprescindíveis
Frederico de Castro
170
Há palavras que nos beijam

Há palavras que nos beijam com ternura
Que sugam da alma mais que a esperança e brandura
Uma fé tamanha que eternamente depois perdura
Há palavras que nos beijam com tanta lisura
Vasculham o código postal dos silêncios inconsumíveis
Dormitam entre os lençóis dos lamentos imprevisíveis
Há palavras que nos beijam quando hipnotizadas e
Se entrelaçam às emoções assustadoramente escravizadas
Onde cada verso jorra uma imensidão de palavras apaixonadas
Frederico de Castro
151
Hoje nunca é tarde

Amanhã o silêncio desmoronará a jusante
De uma solidão absolutamente paralisante
Calará o crepúsculo ali, estendido e pulsante
Hoje nunca é tarde….amanhã quem saberá?
Entre o bem e o mal desperta uma hora aviltante
Porque ao abandono se deixou uma ilusão desconcertante
Hoje nunca é tarde quando ao longe irromper a
Manhã repleta de esperanças mais pujantes e a fé
Satisfeita ensopar toda a alma com beijos exorbitantes
Frederico de Castro
178
Enquanto o sol se põe

Enquanto o sol se põe peregrinam além
No imenso céu tantas emoções marginais
Contagiam minha inspiração trajada com
Palavras fragrantes, subtis…tão tridimensionais
Enquanto o sol se põe fecundam-se
Beijos frementes ,cosméticos e excedentes
Sublimam-se afagos brilhando na fulgura de
Um luar casto, elegante, frenético…quase magnético
Frederico de Castro
196
O medo de todos os medos

O medo fundiu-se com um silêncio
Tão infame, tão vil…tão espontâneo
Inexplicavelmente colidiu depois com
Um eco substancialmente percutâneo
O medo de todos os medos polui o tempo
Precário, insano, infecto e tão reaccionário
Sem subterfúgios alenta a escuridão pousada
Num cacho de lamentos sempre mercenários
Frederico de Castro
129
Os frutos do meu silêncio

Cada hora abarrotada de esperanças viciantes
Fecha-se num hermético lamento tão inebriante
Fecunda cada píncaro de um afago intimo e excruciante
Os frutos do meu silêncio coloriram o tempo cravejado
De lamentos açucarados com imensos ecos ludibriantes
Mesclaram-se com a metamorfose de emoções quase esfoliantes
Intuitivamente a manhã renasce esplendorosa e desafiante
Mergulha e embebeda-se de gargalhadas tão hilariantes
Mitiga todas as angustias outrora demasiadamente contagiantes
Frederico de Castro
172
Noite lacrimosa

A noite estridentemente opaca escapa sorrateiramente
Pela escuridão indulgente lacrimosa e tão benevolente
Aninha-se entre os lençóis dos silêncios litigantes que urdem
Todo este imenso mar de lágrimas divagando quase descartáveis
A preludiar o tempo enfeitado com caricias destras
Unem-se todos os horizontes coincidentes e subjacentes
Onde com volúpia e fervor alivio as mágoas irrevogáveis
Onde sinto a loucura aportar os meus desejos tão insaciáveis
Frederico de Castro
156
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