Lista de Poemas
A tentação da solidão

A tentação da solidão é alimentar uma emoção
Visceral, egoísta e ferozmente colateral
Deixa suas pegadas no tempo ruindo literal
Rompendo a imensidão de todas as incertezas
Cronometra-se cada hora fulminante e imutável
Desbrava-se o dia que nasce elegante e inesgotável
Conivente com aquelas brisas que além se desnudam
E oscilam absolutamente irresignáveis gravita a solidão
Peneirando do silêncio toda a plenitude dos sonhos indomináveis
Frederico de Castro
213
Palco da solidão

No palco das emoções ardentes e deslumbradas
Caminham sob o estrado da solidão tantas palavras
Marulhando vividas, bem-aventuradas…tão apaixonadas
Neste formoso crepúsculo que além se fecunda o mar
Adormece e ternamente afaga todas as andarilhas maresias
Coloridas de ilusão onde meu coração depois feliz descarrila
Frederico de Castro
185
Universo imaginativo

Escondida entre o arvoredo de ilusões
Todas as luminescências da noite divertida
Colidem com mil sensações tão bem guarnecidas
Colorindo desejos reanimados numa estrofe enlouquecida
Imerge num avermelhado silêncio o tempo conciso
E se preciso, até rodopiando tão imaginativo
Asperge no aquário dos sonhos um cardume de ecos
E ilusões desaguando no estuário das minhas emoções
Frederico de Castro
168
A retórica do silêncio

Busquei no tempo infinito uma hora
Matematicamente certa e substantivamente
Dogmática, para que eu, sem pejos, desbrave
A solidão amordaçada num hiato silêncio dramático
Avolumam-se nas palavras verbos corteses
Versos e perífrases mais virtuosas que suturam
Rimas deambulando em estrofes tão sumptuosas
É um ciclone de sílabas apaixonadas e impetuosas
O poente deliciosamente casto e transparente
Flutua gravitando pela maresia tépida e tão sinuosa
Delimita as margens do tempo que em surdina
Cantarola e repesca uma caricia voraz e acintosa
Frederico de Castro
164
Pequeno Jardim

Dentro do cesto germinam emoções platónicas
Bebericam-se ilusões quase impertinentes
Com o diâmetro de tantos ecos tão irreverentes
À janela as solidões calcetam coloridas sensações
Que retêm no tempo e no espaço geométricas
Caricias deambulando além tão simétricas
No meu pequeno jardim a poesia coloriu-se
De tanta esperança e até decantou uma lágrima
Esquecida na retina dos tempos imutáveis e benevolentes
Frederico de Castro
178
Emoções glaciares

Bebericando as derradeiras luminosidades
Do dia a solidão pousa entre o glaciar frígido
E platonicamente impetuoso onde depois
Se sincronizam memórias e palavras sumptuosas
Na húmida textura de todos os silêncios atrevidos
A noite enrosca-se num breu arrojado e aturdido
Propaga-se no meio da escuridão farta e temida
Lambuza-se de caricias implícitas…bem consumidas
Frederico de Castro
138
Marés efervescentes

Num vai vem constante a maresia
Estende-se no areal de silêncios
Tão complacentes, até inspirar cada
Palavra avassaladoramente magnificente
Imagino o frenesi do poente escapulindo
Pelas fosforescências de uma ilusão matura
Genuína e absurdamente efervescente
Enchendo o mar de beijos curativos e latentes
Frederico de Castro
131
Jardim do tempo

Inflacionada de luz a manhã rasga todos
Os horizontes paralelísticos e elegantes
Absorve das brisas muitos perfumes coniventes
Embrulham ecos que além se amarfanham contundentes
No jardim do tempo plantam-se emoções apaziguantes
Colhem-se ilusões violentamente complacentes
Atam-se ao silêncio, feixes de sensações inebriantes
Apascentam-se palavras iluminadas e incandescentes
Frederico de Castro
156
Equidestâncias

A tarde fenece empoleirada num penacho
De luz tão extravagante…quase cambaleante
Flutua qual pluma que se dissipa num eco
Sempre cativante e desconcertantemente pujante
Na fronteira do tempo algema-se uma hora abismada
Perfuma-se uma brisa casta, reverente e sensorial
Fantasia-se o poente que aos poucos dormitará
Ao colo da noite absurdamente feliz e imperial
Frederico de Castro
162
Planando no poente

Planando no poente lá vai o dia esconder-se
Lírico sereno e muito resplandecente
Desvela todo este silêncio pousado num
Cacho de luminescências tão efervescente
Restos da solidão mais genuína desesperam
Alinhadas numa hora que fenece eminente
Onde com ímpeto se queda esta emoção latente
Tal qual um eco tão apócrifo, irreal e divergente
Frederico de Castro
196
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