Lista de Poemas

Porto de abrigo



Condescendente o dia amara agora
Afogado numa imensa maresia estável
É simplesmente um presumível eco vadiando
Ao longo das margens deste rio indomável

E assim vai passando o tempo bolinando
Sobre o dorso de um silêncio instável
Como que ansiando pelos afagos e caricias
De uma onda dormitando ali tão afável

Frederico de Castro
264

Coisas que só o silêncio escuta



Ensurdecida pelo silêncio lunar
A noite vagueia agora empoleirada
Num luar casto, elegante e majestoso

Sob um implante de emoções marginais
Esgueira-se um eco trémulo e embevecido
Até absorver todo este brutal silêncio encarecido

Pelas dunas do tempo escorre a escuridão trajada
De negras vestes envaidecidas, além onde cada
Alma se queda convertida, espairecida e bem cortejada

Frederico de Castro
101

Cascata de luz



Freme além na noite um rio de
Luz tonificante e apaziguado
Ah, danado silêncio que desmascarado
Aplacas a ira a este luar quase reconciliado

A escuridão feliz e aperaltada dormita nos
Longos braços do tempo mais pacificado
Inspira a poesia parida com palavras apaixonadas
Cura a paisagem com caricias quase exaltadas

Frederico de Castro
199

Lanternas vermelhas



A escuridão brinda a noite
Com uma cintilação elegante
São as resplandecências de um
Gomo de luz gracioso e itinerante

Rutilante e sagaz cada sombra
Reflecte um nevoeiro de silêncios nobres
Propagando-se num breu inconstante
Com a nitescência de um silêncio vibrante

Frederico de Castro
155

Cacilheiro submerso



O silêncio apoquentado confraterniza com
A solidão afrontada…quase desapontada
Inunda a manhã submersa num nevoeiro
Que pegajoso, orna cada eco mais ardiloso

Entre olhares subtis uma hora apascenta
Esta luminescência sempre tão preguiçosa
Intersecta cada sombra que se dilui ali tão rigorosa
Transborda numa maresia de palavras afectuosas

Frederico de Castro
180

Maresia sem itinerário



Em trânsito a maré navega ao sabor
Dos ventos sulinos, deixando amarrotadas
Tantas ondas insinuantes e acalentadas

As maresias sem itinerário afogam-se entre
As margens deste silêncio tão rupestre
Dissolvendo um gomo de luz quase extraterrestre

Frederico de Castro
163

Onde está o erro?



A escada solitária presa ao corrimão
Do tempo, ali não mais está
A porta de esguelha fecha-se quiçá
Ao lado de cinco degraus mais acolá

Com elegância e delicadeza se desenha
Esta obra prima qual pantomina estilística
Estatelada entre as couceiras e a maçaneta
De uma engenhosa arquitectura tão heurística

Frederico de Castro
164

Coisas que só o silêncio escuta



Ensurdecida pelo silêncio lunar
A noite vagueia agora empoleirada
Num luar casto, elegante e majestoso

Sob um implante de emoções marginais
Esgueira-se um eco trémulo e embevecido
Até absorver todo este brutal silêncio encarecido

Pelas dunas do tempo escorre a escuridão trajada
De negras vestes envaidecidas, além onde cada
Alma se queda convertida, espairecida e bem cortejada

Frederico de Castro
175

Entre o arvoredo da solidão



Entre o arvoredo da solidão pavimenta-se
Uma esperança poética…em ebolição
São como despojos de tantas palavras
Inspiradas e quânticamente hipnotizadas

Na redoma onde se esconde o silêncio
O tempo com arte engenho e requinte
Escraviza uma hora exaurida, tão execrável
Ali juntinho a um insolúvel lamento indomável

No território mais restrito das emoções
A manhã cresce e apascenta um verso
Uma estrofe inapelavelmente formidável
Qual cardume de prazeres tão inescrutáveis

Frederico de Castro
159

Na fuselagem do silêncio



O silêncio tranquilo e ali instalado
Amnistia uma brisa que encapuçada deixa
Germinar pelos céus a esperança tão almejada

Pintalga as asas do tempo mais melancólico
Transforma cada ruido num amontoado de
Silêncios agora absurdamente emancipados

Na fuselagem do tempo esvoaça a solidão
Infiltrada nos ailerons do silêncio até estabilizar
Aquela derradeira hora num eco além a eternizar

Frederico de Castro
181

Comentários (3)

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asdfgh

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

asdfgh

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

ania_lepp

Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!