Lista de Poemas
Parapente(silêncios confidentes)

A manhã ao léu desprende-se no horizonte
E suspira feliz sugando da luz mortiça e sensível
Uma luminescência quase alucinada e tão apetecível
Desabotoando o silêncio que resvala pelo tempo
Cada brisa egocêntrica seduz uma caricia hipersensível
Até se decomporem num eco quase incorrigível
Assim esvoaça além um solúvel sonho transcendente
Deixa aquela nesga de saudades ainda memorizar uma
Pendente hora ardendo num fogo fátuo tão, mas tão confidente
Frederico de Castro
246
Frenética escuridão

Na exacta proporção a noite perfuma
A escuridão escondida nas caleiras
Do tempo, deixando decifrar uma
Hora açoitada, implorada, obcecada
Descansa sobre os beirais do silêncio
Um empedernido chuvisco tão desamparado
Perfeito preâmbulo para um cântico aromático
Vestindo um sorriso admiravelmente profilático
Quão frenéticas se tornaram as emoções
Quão permeáveis ficaram estas lágrimas
Caindo a cântaros no coração, onde a noite
Vorazmente ali perece com tamanha precisão
Frederico de Castro
171
Esse subtil estado do ser

A noite emaranhada num breu profundo
Deixa uma colectânea de emoções anónimas
Exilar-se em subtis gargalhadas tão axiónimas
Sem pseudónimo o tempo vasculha cada hora
Homónima florescendo entre o marasmo deste
Silêncio acrónimo, longânime e quase pirómano
É este o subtil estado do ser fadado ao radicalismo
Das memórias soezes, insinuantes…indecifráveis
Quais resquícios de tantos lamentos inescrutáveis
Deixo que a manhã pesquise nas ilusões matinais
Uma réstia de esperança prosaica e tão graciosa
Alimentando arfantes caricias sempre perigosas
O silencio promíscuo, vicia-se da solidão tão gulosa
Tatua a pele com um enxame de afagos furiosos
É a réplica quase absoluta dos desejos mais saborosos
Frederico de Castro
151
A decadência do tempo

Em decadência o tempo envelhece intuitivo
Deixa tantos lascivos silêncios coando cada
Breu tatuado com lamentos introspectivos
Numa inefável memória que fenece absurdamente
Tropeça a inquietação expressivamente intrusiva
Além onde balouça uma indesejável hora decisiva
A noite mutilada por tantas escuridões incompreensíveis
Entorpece cada sonho escrito e parido pra meu desespero
É a poesia afagando a alma e um verso que ressuscita com esmero
Frederico de Castro
177
Sublime metamorfose

Sublimado por uma metamorfose elegante
O tempo desacorrenta o silêncio pousado
Num gomo de luminescências inebriantes
Enquanto há esperança, há vida, há amor
Há sonhos, folguedos eufóricos e contagiantes
Porque se embriagam paixões e desejos flamejantes
A manhã com seu ego inflamado e arrogante
Apascenta um riacho de silêncios quase patogénicos
Até afagar as margens destes lamentos tão frenéticos
Frederico de Castro
186
A ponte e o Tejo

Enquanto a noite serenamente navega numa
Maresia singularmente elegante a ponte sobre o
Tejo dormita graciosa e cintilante, até deixar no
Estuário do silêncio uma onda zarpar dali tão mitigante
Frederico de Castro
197
(Im)profícua solidão

Um silêncio curial abrange a manhã
Que se desnuda da profícua solidão
Discreta apascenta a saudade suspensa
No altar da memória ainda mais extensa
As palavras mimadas até à exaustão
Trepam pelo corrimão do tempo que
Propenso escorrega nesta emoção tão imensa
Num doce trinado de caricias sempre propensas
Retorna ao mar aquela onda imarcescível
Deixa um rasto de moleculares maresias que
Desaguam entre moribundas lágrimas inconfundíveis
Traga a noite fenecendo quase obscena e intangível
Frederico de Castro
152
À beira do nada

Na estrada larga do tempo vadia
Um silêncio espezinhando tantos
Ecos sem prestígio, para gáudio das
Emoções sempre em litígio
À beira do nada a solidão mordisca
Uma amplidão de lamentos tão polémicos
Dragam tantas lágrimas enquanto as ilusões
Se recriam à beira deste tempo quase anémico
No recinto das memórias vai a enterrar uma
Saudade à nora, deixando perfilada nos umbrais
Da existência sem contestação, a fé indiscutível
Uma oração geminada com um sorriso sempre intangível
Frederico de Castro
261
Brisas extemporâneas

Ainda atordoada a manhã despe-se dos
Últimos breus que suspiram em simultâneo
Induzem cada silêncio que boceja consentâneo
Cada hora transfigurada traga aquela luminescência
Quase estilhaçada mesmo defronte da solidão que
Enfeitiçada se estira entre os lambris da memória atiçada
Mantem-se viva a maresia perfumando os contornos
Sinuosos deste oceano mediterrâneo além onde conterrâneas
E frágeis brisas pulsam ofegantes quase extemporâneas
Frederico de Castro
154
O pranto do pesar

Uma hora litigiosa pranteia sentindo
O agror das lágrimas caindo amofinadas
São lamentos flagelados e inquietantes
São suspiros das almas que fenecem litigantes
Sugando cada silêncio mais profano a manhã
Embala uma penumbra choramingando lancinante
Cai rendida aos pés da solidão ali a atormentar
Fina-se e enterra-se no jazigo na solidão mais rudimentar
Frederico de Castro
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