Lista de Poemas
Simetrias na maresia

Em perfeita paridade a maresia
Acosta-se à quilha deste silêncio
Navegando impávido e sereno
Da simetria à analogia das palavras
Dista apenas uma rima elegante onde
Graciosa cada onda adormece ofegante
Frederico de Castro
174
Cântico das águas

Urdiu o tempo um aguaceiro
Fascinante e apaixonado
Escoltou cada oração sustentada
Por palavras sempre conciliadoras
Dormitou aos pés de uma fé
Absolutamente apaziguadora
Frederico de Castro
171
Palavras rasuradas

Com suas lamentações luxuriantes a solidão
Profana e opulenta consome um milimétrico
Segundo que arde, arde sempre tão truculento
Espraia-se além a jusante desta ilusão macilenta
Aclopa cada hora embebedada e sonolenta
Rasura cada palavra desinspirada e peneirenta
O silêncio quase hipnotizado, pavimenta um
Hercúleo suspiro quase dilacerado e depois,sorve
Vagarosamente cada queixume absolutamente (in)desejado
Frederico de Castro
125
O cântico dos silêncios

E depois do silêncio a noite sitia a escuridão
Quase inexprimível, além donde pende um eco
Navegando numa maresia imperceptível
No centro do coração dois lamentos
Cruéis enxugam as lágrimas imperecíveis
É uma confissão repleta de memórias inflexíveis
Quando nos é conveniente o silêncio deixa
A noite encolerizada e semeia numa brisa
Esta espontânea solidão vigorosa e hostilizada
Qual arauto dos meus silêncios quase canonizados
As emoções pecam por tardias, enquanto nos
Sonhos se apascentam saudades sempre tão vadias
Frederico de Castro
164
Passadiço dos silêncios

Neste passadiço, quando eu passar
Deixarei pegadas com sabor a mar
Para que o mar majestoso depois
Adormeça além entre as dunas sinuosas
A tempo de remir todas as maresias amistosas
Frederico de Castro
145
Luzeiros da manhã

Sob o efeito da solidão bordada
Por uma luminescência tão grata
A manhã desponta altiva e espalhafatosa
Até clarear a esperança tão amistosa
O céu repleto de inflamáveis cores
Reinventa uma gargalhada iluminada
Esgueira-se entre vernáculos e castiços
Silêncios inspiradamente brandos e submissos
Frederico de Castro
169
Noite apaziguada

Em prantos, a noite ajoelha-se à sombra desta
Escuridão imensamente apaziguada
Resvala pelo tempo sulcando cada maresia
Perdida entre os braços de uma onda extenuada
Cada breu transfunde um silêncio quase inviolável
Costura a escuridão rendida a esta fluorescência Divinal
Desemboca nas margens da esperança onde a maré pernoita
Qual marulhar de um eco prestidigitador e quase criminal
Frederico de Castro
177
Mar vermelho

Na orla marinha navega uma singela
Onda exuberante e tão avermelhada
Estatela-se além cintilante e maravilhada
Mergulha em silêncio ao longo das margens
Desérticas onde prolifera a vida qual osmose
De uma metáfora poética e inolvidável
Do cativeiro e escravidão o povo hebreu se libertou
E sob a liderança de Moisés o exército egípcio
Derrotou e junta toda uma nação em êxtase festejou
Frederico de Castro
168
Imponderabilidade do tempo

Nas margens da noite abriga-se uma maré harmoniosa
É simétrica à esperança que alimenta a fé navegando
Num oceano de orações tão minuciosas…tão esotéricas
Nos seus últimos torpores a escuridão esventra
A solidão sublimada num lamento astucioso
Deixando indeléveis ecos verberar um grito mais furioso
Do negrume da noite restam somente pequenos
Gomos de luz a levitar na imponderabilidade do espaço
Onde o tempo sonolento dormita grandioso no meu regaço
Frederico de Castro
206
Poente sofisticado

Em versos e palavras dispersas
Adormece este poente regado
Com luminescências tão convexas
Bailam mais além duas brisas anexas
Ao silêncio promissor e perplexo, qual
Sentimento gritando frenético…tão circunflexo
Nas memórias aleatórias dormitam sonhos
Amplexos a uma melodia deveras mui cordial
Peregrina ao cair da tarde que naufraga em diagonal
FC
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