Lista de Poemas

Surto de silêncios



Acolhedoramente a maresia estatela-se ali
Abraçada a uma onda acoplada à solidão
Condenada, desvirtuada…tão deturpada

Num surto de silêncios absurdamente estereofónicos
A manhã desvela um eco que reverbera subsónico
Até aliviar tantos ais trajados com desejos harmónicos

Em pousio está agora a memória desalojando
Saudades alimentadas nesta imensa trilogia
De versos clonados por uma rima sinfónica

Entre as nuvens pintalgando o céu imenso
Converge a esperança demasiadamente sincrónica
Embebedando cada oração colorida e tão atónita

Frederico de Castro
191

Assim no céu como na terra



Esconde-se no horizonte longínquo
Uma abreviada luminescência perpétua
Adorna todas as insinuantes palavras ainda
Que dementes mui solidariamente proeminentes

No céu e na terra espelham-se azuis
Absurdamente divergentes e até colidem
Com tantos cumulonimbus vadiando indolentes
Quais frugais aguaceiros caindo sempre incontinentes

Frederico de Castro
192

Profano silêncio



No submundo dos silêncios um eco lamenta
Seu repercutido verberar, qual vinculo para tantas
Emoções aliviarem uma lágrima ali a vociferar

Na estrada do tempo sem jamais retroceder
A esperança asfalta a fé imensa a desbravar
São faróis iluminando uma oração sempre a vicejar

E assim renasce a manhã sem percalços afugentando
Pequenas brumas que se espreguiçam, até desencarcerar
Uma hora elucubrando um silêncio tão profano, quase tirano

Frederico de Castro
208

E depois da meia-noite...



Quão nefasto se tornou este silêncio
Que nem disfarça um eco repudiado
Lamuriando um inculpe tempo
Fenecendo vorazmente renegado

Quão rejeitada a solidão ficou quando
A noite engaiolou a escuridão já banida
E dela se safisfez numa gargalhada
Grunhindo absurdamente aturdida

Alguns minutos para a meia-noite e depois
Todos os breus agora unidos despontam altivos
Apascentando a cordilheira dos silêncios
Onde o tempo sem messas sucumbe sem alarido

Frederico de Castro
273

Countdown



Horas tóxicas envenenam cada ano que se esvai lentamente
Reencontram tantos centésimos segundos que fenecem
Dilacerados por um lamento…assim tão indubitavelmente

Contrita a manhã espezinha os últimos ecos que se
Reerguem além no paredão das solidões diligentes
Mesmo antes do tempo regurgitar seus ais tão dissidentes

Frederico de Castro
212

Onde dorme a lua



Pela calada da noite que além dormita
Serena feliz, petulante e tão escancarada
Brilha este luar quase excomungado, trocando
Beijos e abraços com este silêncio tão embargado

Onde adormece a lua se deixará que a noite plácida
Felina e homologada enterre de vez toda aquela tristeza,
Expurgada, fatigada, até se desnudar a alma esquecida no
Recanto da minha esperança…oh tão rogada, quase enlouquecida

Frederico de Castro
150

Intangível



De longe o olhar esgueira-se no infinito além
Refugia-se numa percepção que de tão abstracta
Se estatela colorindo cada palavra mais grata

Deixo na face da solidão uma indelével emoção
Desembocar nesta maresia serena e incorrigível
Quais ecos de um sonho fluindo, fluindo intangível

Frederico de Castro
218

Quase inverno



O inverno sei que chegará tão insubordinado
Congelará este silêncio adormecido entre o
Cachecol do tempo frio…tão frio e desconsolado
Qual ciclo de uma estação que se quer bem agasalhada

O sol ainda envergonhado saboreia as
Derradeiras luminescências de um dia frio
E desolado, cortejando cada imutável e subtil
Silêncio neste inverno que chega quase invulnerável

Frederico de Castro
256

Horas sinuosas



Na calada da noite uma sombra esmaga
Aquele breu sinuoso, esguio…monstruoso
Calafeta a escuridão contagiante e assustada
Renascendo apaziguante e tão dissimulada

São sinuosas horas vadiando pela ampulheta
Da solidão inescrupulosamente descontrolada
São sonhos vasculhando o silêncio empolado
São ardis do tempo convalescendo encurralado

Frederico de Castro
176

Praia negra



Sobre o areal repousa uma extensa
Maresia mais quântica, mais intensa
Deixa na encruzilhada do tempo uma
Esperança tão imensa... tão semântica

Na negritude da noite escurecida por
Este esbelto luar, fina-se de vez um eco
Versátil coalescido por sonhos voláteis
Onde todas as marés se afogam imutáveis

Frederico de Castro
128

Comentários (3)

ShareOn Facebook WhatsApp X
Iniciar sessão para publicar um comentário.
asdfgh

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

asdfgh

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

ania_lepp

Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!