Lista de Poemas
Solidão unilateral

Com galanteio a solidão namora este
Silêncio unilateral, até sugar da poesia
Cada palavra, cada rima feliz e liberal
Do profano ao sagrado a distância dilui-se
Embalando minh'alma que alucinada abotoa
Dois suspiros desta fé supremamente escrutinada
Acoitada entre a penumbra da noite que chega numa
Escuridão quase chacinada, vadia uma caricia
Egocêntrica mordiscando gargalhadas tão desatinadas
No jazigo do tempo repousa uma maresia justaposta
Alimentando contíguos silêncios que marulham além
Onde o poente reverbera num eco imenso e profícuo
Frederico de Castro
125
Lua de Outono

Debaixo da lua de Outono escondem-se
Luminescências fragrantes
Deixam um prefácio em todo este silêncio que
Transborda numa maresia de palavras tão regenerantes
Cada gota de luz rega e ilumina a noite que se
Esvai oculta num condoído lamento quase devorante
Onde tantas brisas despertam renovadas, seduzidas…beligerantes
Divagando num calafrio de silêncios gemendo tão delirantes
Frederico e Castro
203
Além de um sorriso

- para os meus filhos com amor...
Sentou-se o sorriso além sobre as
Sobrancelhas de um silêncio casto
Bailou, bailou colorindo cada palavra,
Cada gesto chegando sem sobressalto
Numa brisa faceira a manhã se empoleira
Espreguiça-se na soleira do tempo onde com
Doçura um devaneio serena a luz arando o
Pasto de muitos sorrisos tão bagunceiros
Frederico de Castro
155
Ah...felicidade

Ah… felicidade, sorridente, escancarada
Espreguiçando-se gargalhada
Ah…felicidade transbordando de enxurrada
Com afectos e caricias nasces enamorada
Pintalgas qualquer emoção que chega desgarrada
Inspiras minha poesia qual palavra faminta e açucarada
Sacias a alma quando carente e dilacerada
Serenas aquela maresia inquietante quase exasperada
Ah…felicidade que apascentas a fé e a esperança revigorada
Frederico de Castro
144
Inútil silêncio

Quão inútil se tornou este silêncio
Que frágeis ecos tanto, tanto acalentou
Para cada lamento que o tempo sedimentou
A lua afagando este luar tão mágico
Inspira meu verso que um afago desencantou
Embebido nesta lágrima que a tristeza ornamentou
Brota além no céu uma brisa mistral perfumando
As encostas deste inútil silêncio tão ancestral
Camuflado entre as plumas de uma caricia quase viral
Comovida a noite choraminga acossada por esta
Solidão absurdamente escultural, até tragar
De vez todo este hostil silêncio quase sobrenatural
Frederico de Castro
209
Remake do silêncio

Aleatoriamente a manhã despiu-se da
Escuridão que até então a nutria avidamente
Fez um remake ao silêncio ali radicado até
Imergir após alimentar um lamento delicado
Exausta a memória degusta cada gole de
Solidão embebedada e entorpecida
Navega pelas margens da maresia que requintada
Desagua no leito de uma caricia sempre contentada
Incógnita nasceu a esperança bem sedimentada
Elã para muitas orações corteses, calcorreando
Com afagos cada palavra obviamente muito acalentada
Reclinada numa hora marginalizada as emoções
Fascinam tantas ilusões atarantadas até se afogarem
No meio de uma onda além dormitando extasiada
Frederico de Castro
189
Contrastes

Insinuante a manhã vestida de luminescentes
Contrastes esvazia a escuridão tão intima
Serenando este silêncio que legitimo, migra
Até fenecer ante a penúltima hora inspiradíssima
São os contrastes deste tempo infindo, fluindo
Em muitas labirínticas ilusões, onde as maresias
Capturam tantas ondas reverberando de emoção
Até acostar meu porto saudoso e em comoção
Sob a alçada das memórias a saudade revela-se
Cáustica, deixando na estatística dos tempos uma
Palavra pleonástica ou rústica cheia de estilística
Ficará por remasterizar no silêncio, um cântico
Mais esperançoso, pleno de fé e erigido num
Sonho administrado neste verso quase constrangido
Frederico de Castro
163
Malabarista celestial

Em perfeito equilíbrio a noite esconde-se barricada
Numa escuridão magistral, deixando todos os decibéis
Do silêncio agonizar ali de forma tão escultural
Em subtis malabarismos fertiliza-se a fé
Com uma destreza absolutamente surreal
Onde cada oração se queda neste espaço sideral
A luz qual iô iô vai e vem empoleirada na via láctea que
Arde qual tocha flamejante, deixando a alma arquejante
Gravitar neste enorme silêncio galáctico…tão pujante
Frederico de Castro
207
Ponto de luz

Sedenta a luz escapuliu pelas
Frinchas do silêncio tresmalhado
Ruiu, tristonha, envergonhada
Divagando, divagando conformada
Queda-se além espiritualmente animada
Onde a grandeza da fé se mostra consumada
Onde uma oração tem a força da esperança firmada
Onde se ofertam alegrias numa palavra…ah, tão aclamada
Frederico de Castro
134
Jazigo dos silêncios

Sedenta a luz embebeda-se pelas penumbras
Que além bailam ao sabor de tantas
Luminescências, loucamente tresmalhadas
Deixa em cada duna de saudade minha alma
Ruir enfronhada numa memória enxovalhada
Qual noite sombria que chega tão desdenhada
Uiva além o vento tristonho…quase envergonhado
Coalha cada lamento radicado num eco cismado
Absoluto suspiro divagando, divagando humilhado
Sentada à beira de um silêncio vadio uma brisa
Desabotoa esta solidão tão corrompida, até encobrir-se
No jazigo onde mora um pouco de esperança quase arguida
Frederico de Castro
208
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