Lista de Poemas
Entre a lua e o sol

Entre os corpos celestiais acendem-se nas profundas
Escuridões espaciais, toda a fusão do amor galáctico, unindo
Esperanças que gravitam imponentemente excepcionais
Contornando estes céus que brilham na noite
Absurdamente magistral, vadiam poeiras mágicas detentoras
De um quântico lampejo de luz…quase tridimensional
Entre a lua e o sol ecoa uma solidão tão racional
Desintegram-se na penumbra do tempo quais meteoritos
Caindo incandescentes no meio deste silêncio tão restrito
Na órbita do universo vagueiam e conspiram emoções
Gigantescas deixando na inércia espacial, indolentes ilusões
Prostradas sob a força de uma fé sempre equivalente e incondicional
Frederico de Castro
155
Foi-se o Verão

Fica à espreita o Outono enroscado a este
Silêncio absurdo, ininterrupto e omnipresente
Destila nas veias da solidão pequenas pepitas desta
Emoção que se esvai indiscutivelmente omnipotente
FC
262
Irrefutável silêncio

Sem destino a tardinha irrompe pelo
Silêncio tão pedante, deixando a sangrar esta
Escuridão absolutamente mórbida e intimidante
A solidão rebelde renasce vitoriosa alimentando
Um penacho de emoções muito redundantes
Detentora de intermináveis sonhos tão exuberantes
No ciclo das horas que vadiam pelas almas apaixonadas
Migram caricias indubitavelmente intermináveis
Desfecho para tantas alegrias excessivamente irrefutáveis
O poente saturado e humilde absorve todos os intimidantes
Breus que navegam além numa onda frágil e estonteante
Recosta-se por fim até adormecer aquele derradeiro silêncio excitante
Frederico de Castro
205
Poente perene

Com doces poções mágicas a manhã
Condimenta a solidão cozinhada e refugada
No caldeirão das ilusões perenes e inesgotáveis
O tempo em fuga rói cada hora que se desunha
De forma absurdamente insuportável e capitula
Para sempre ao redor daquele silêncio quase irretractável
Lá longe porém já suspira o poente hidratando uma
Maresia avidamente excitável, deixando entre as dunas
Da memória a saudade alimentar esta fé tão inquebrantável
A nu e despida de preconceitos a noite aperalta-se perante
Um luar sereno, casto e inescrutável, ali onde se esboroa o
Silêncio e cada rima escrutinada por uma caricia tão confortável
Frederico de Castro
201
Sombras curvilíneas

Incógnita e serena a noite apascenta
Uma escuridão deveras tão agoirenta
Leviana e sorrateiramente amamenta a solidão
Tão prepotente, ininterruptamente sedenta
Acutilante a madrugada sorve todos os breus
Reincidentes, pois que as maresias ainda
Embebedadas por emoções complacentes
Amansam famintos desejos tão proeminentes
Rodeada de memórias bem planejadas a saudade
Aduba uma oração crente, diligente…ah tão cortejada
Que a fé airosa e feliz, traveste a alma de mão beijada
Enchendo a manhã de luminescências elegantes o
Silêncio sutura cada gomo de luz bocejando fragrante
Escoando das brumas matutinas um sorriso sempre mitigante
Frederico de Castro
207
Silêncios meus

Cada abrupto silêncio, marginaliza a
Solidão que se esconde desprezada
Até desconectar cada emoção hostilizada
Em cada pedacinho do céu estira-se uma nuvem
Pormenorizada, alimentando a terra com um
Aguaceiro de luminescências muito apaixonadas
Pela noite escorre um vazio abissal tão hipnotizante
Interdita todo o qualquer silêncio meu, que faminto
Alastra pelos solitários beirais de um eco quase extinto
Frederico de Castro
202
Subtis neblinas matinais

Escuto em silêncio o marulhar das ondas
Que gritam assustadoramente até desbravar
Cada maresia que navega além tão confortavelmente
Subtis neblinas povoam a manhã que ainda se
Espreguiça entre os lençóis da solidão impávida e serena
Tecendo em cada hora uma palavra uma rima tão amena
Num hiato de tempo as emoções recuperam a memória
Que avolumou em si recordações sempre ciclópicas, ante
A grandiosidade da fé e da esperança quase psicotrópicas
Incólume e transparente o silêncio gravita num póstumo
Sonho feito protótipo de muitos ecos anónimos
Oh leda solidão confinada a um lamento sem pseudónimo
Frederico de Castro
171
Barricada dos silêncios

Fechei-me entre quatro paredes
Deixei barricada a solidão até esta
Se refastelar engajada num eco impulsivo
Trepidando na efervescência de um soluço erosivo
No horizonte que além se estende imperativo
Desespera um poente que fenece assombroso
Deixa tão perplexo este silêncio cativo
Potenciado por um sonho sofisticado e esplendoroso
No condomínio dos meus silêncios mora uma emoção
Pujante, poderosa e quase sempre ostensiva
Ah, como te desejo solidão inebriante e intrusiva
Nos lábios da saudade pousou um beijo casto
Perdeu-se despercebidamente num desejo obsessivo
Quedou-se na preciosidade de um silêncio ensurdecendo implosivo
Frederico de Castro
212
Às mãos do mar

Às mãos do mar me entreguei escrevendo
Na maresia imensa e intransponível um verso
Afogado num manto de silêncios imprevisíveis
Às mãos do mar amarou a solidão repleta de
Sensações imperceptíveis, joeirando cada lágrima
Caindo no colo de mil emoções tão imperecíveis
Às mãos do mar o oceano arrota uma onda dormitando
No leito marinho, quase impassível, até banhar aquele
Poente que fenece às cavalitas de um sonho submergível
Frederico de Castro
181
Sob o manto do Outono

- para o Kady
Incógnito chega Setembro
Despe cada árvore sitiada entre
As ombreiras da solidão adiada
Sob o manto de Outono saltitam
Sublimes luminescências ludibriadas
Adormecem a vida refugiada na alma hipostasiada
Eufóricos silêncios digladiam-se além e com
Subtis afagos apascentam cada ilusão quase aliciada
Tatuando a fé sob um manto de brisas…ah tão saciadas
Frederico de Castro
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