Lista de Poemas

Silêncio soporífero



Costurada entre os bilros do silêncio
A manhã segrega furtiva, aquele perfume
Chuleado entre ágeis caricias tão atractivas

Nesta adocicada alvorada fervilham ilusões
Sempre na expectativa, para que superlativas
Emoções aticem orações sempre muito apelativas

No dorso do tempo resiste uma sequela de silêncios
Frívolos, radicais e tão especulativos, alimentando
A estética soporífera de muitos sonhos quase subjectivos

Candidamente o dia reporta à solidão quantos lamentos
Inócuos a memória retém ainda que evocativa e abnegada
Num velório de lágrimas carpidas por palavras tão embriagadas

Frederico de Castro
285

Resiliência



Entre os carris do tempo enferrujado
Cresce uma flor trajada de solidões despojadas
Aparafusam e desaparafusam muitas horas algemadas
A tantas emoções que chegam solícitas e regozijadas

Frederico de Castro
184

Horas entediadas



As manhãs andarilhas vadiam a bordo
Do tempo, que extraviado revigora um
Lamento tão mandrião…tão assediado

As horas entediadas recobram na marquesa
Deste silêncio absolutamente enfastiado
Remoendo memórias e desejos quase asfixiados

Frederico de Castro
177

Bioquímica da dopamina



Sem cadastro a noite afaga a melanina
Deste silêncio feito minha dopamina
Oiço-a respirar profundamente tão Intensamente
Dançando na corda bamba assim precipitadamente

Frederico de Castro
223

O que nos resta da solidão



Absolutamente nada! Apenas o silêncio
Deglutido e alimentado pela doideza
De uma escuridão chegando e pousando
Num cacho de emoções cheias de subtilezas

O que nos resta da solidão…
Tudo e aparentemente nada! Talvez a
Incerteza de uma saudade belicosa
Esteio para uma rima insuflada e frondosa

O que nos resta da solidão…
Integralmente tantas palavras escamoteando
O vazio da inspiração que tão gulosa, adocica
Uma estrofe que quis um dia ser apenas prosa

O que nos resta da solidão…
Horrivelmente um hora que fenece desastrosa
Um silêncio incauto perfurando os tímpanos
A cada eco dissolvido numa brisa tão amistosa

Frederico de Castro
195

Rascunhos e rabiscos



Serpenteando entre as sombras da manhã o tempo
Embebeda-se num drink de silêncios espoliados
Qual afago regando um aguaceiro quase extasiado

Entre rascunhos e rabiscos caduca uma hora
Amplificada alimentando subtis ecos avassaladores
Contagiados por este perplexo silêncio tão manipulador

Frederico de Castro
226

Pelos trilhos da noite


No quintal do tempo recreiam-se pequeninas
Sombras apaixonadas actuando no palco das virtudes
Que cortejadas desenham caricias tão bem dissecadas

Pelos trilhos da noite escorre uma escuridão
Sanguinolenta, deixando no hematócrito da solidão
Uma patológica angústia sangrando de emoção

Tecido no ocaso da alma o silêncio desvenda-se
Quase ultrajado, alimentando os preliminares de
Tantas caricias gemendo absolutamente arrojadas

No regaço de cada hora freme um segundo revoltado
Sustém e manipula a vida que saciada e sem artimanhas
Reproduz ávidos ecos que vadiam pelas minhas entranhas

Frederico de Castro
178

A última Bossa



- Para Jão Gilberto

Ao ritmo do romance baila a Garota de Ipanema
Deambula dengosa pelo violão do Gilberto
Suprindo elegantes notas que me deixam boquiaberto

Qual oferenda perfumada dedilhas Samba de uma nota só
Recrias o Corcovado, deixas Desafinado qualquer silêncio e
Com Água de beber se afogam todas as Águas de Março

Com paixão incomensurável a bossa nasceu um dia
Às mãos do João…que com emoção Jobim, Caetano
Roberto e até Sinatra as cantaram de coração

Um cantinho um violão só mesmo nas tuas mãos
Da janela vê-se o Corcovado e até o redentor, ah, decerto
Cristo gostou e aplaudiu todo esse teu jeito tão sedutor

Mais colorida ficou aguarela do Brasil, Coisa mais linda
Nunca vi pois na pele da Rosa Morena bailam Voçê e Eu
Numa manhã de Carnaval orquestrada em todo seu apogeu

Frederico de Castro
240

Tempo furtivo



Mudam-se os tempos…permanece a vontade
Manobram-se tantas horas austeras e assertivas
Adocicando e adornando palavras sempre furtivas

Atónita a noite deslumbra-se tão dissertiva deixando
Que o vulto do silêncio se esgueire engolido por
Sílabas carregadas de dopamina…tão emotivas

Já abalroada a solidão desaba amarfanhada
Cavalga na quilha do tempo, até transgredir todas
As maresias vagabundeando além achincalhadas

Vergada a esta escuridão gramaticalmente tresmalhada
Esboroa-se a madrugada despida e espezinhada, até
Confortar esta estrofe atordoada rimando com atoarda

Contra a maré que se espraia além atabalhoada
Depura a noite todos os breus mais enfronhados
Adormecendo inquantificáveis lamentos tão enxovalhados

Frederico de Castro
182

Sob as garras do tempo


Sob as garras da noite a escuridão espeta
Suas unhas num breu quase defunto
Morre ali juntinho a este lamento tão adjunto

Sob as garras do silêncio uma farta solidão
Escova a memória sempre despenteada
Retendo na alma cada caricia fiel e patenteada

Sob as garras de uma gargalhada alteada
A manhã reverbera numa lassidão ali refastelada
Transfigurando uma lágrima caindo desenfreada

Sob as garras do tempo cada hora imerge falseada
Refina a liberdade que traquina, laqueia as trompas
A esta imensa saudade tão prenhe…tão esfomeada

Frederico de Castro
197

Comentários (3)

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asdfgh

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

asdfgh

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

ania_lepp

Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!