Lista de Poemas
Morfologia da solidão

Quando na madrugada uiva o silêncio
Todos os ecos sussurram baixinho com
Medo de acordar a alma que além acocorada
Sossega monitorada por esta tristeza apavorada
Quando na madrugada a escuridão se esvai
Até se perder numa hora absurda e desaforada
As sombras travestem a solidão que dormita numa
Brisa escorrendo na memória impaciente e revigorada
O saboroso gosto das saudades é o mosto que
Embebeda toda a nossa existência, deixando hemorrágicos
Silêncios fundamentar tantos lamentos quase autofágicos
Resgatada a manhã aprimora cada gomo de luz
Pintalgando os filamentos desta solidão sempre analógica
Até estancar a felicidade desta narcisa gargalhada tão morfológica
Frederico de Castro
181
Hora miraculosa

Hoje a manhã solidificou a solidão que deixa
Impunemente prescrever esta hora vadia, qual
Efémera palavra que pulsa reverente e fugidia
Lágrimas de um lamento incontido abrigam-se
Entre as pálpebras de tantas emoções incontroláveis
Repintando nos painéis do tempo mil ilusões inimagináveis
Deixa cada desejo um rasto de silêncios tão incisivos
Apogeu para minha prosa inspirada numa estrofe invasiva
Capitular ante absurdas rimas que degusto de forma tão dissuasiva
Guardei na gaveta das minhas lembranças, memórias
Deveras tão permissivas, que as saudades, descontroladas
Se esgueiram roçagantes pelo palco de mil caricias desveladas
Frederico de Castro
180
Solidão...quanto me apeteces

Enquanto a noite adormece, solidões que me apetecem
Vagueiam entre versos e rimas tão (in)compatíveis, até
Retemperarem a fé que chega sempre imperecível
As emoções ainda que casmurras teimam colorir a
Implacável ilusão, que depois de engarrafada, esconde-se
Numa coreografia de caricias ressarcíveis e bem replicadas
Na biblioteca dos meus silêncios pavoneiam-se palavras
Muito diversificadas para que sedutores afagos acarinhem
A esperança repleta de intemporalidades tão codificadas
Sem mais vacilar o dia aperalta-se de luz que subtilmente
Revela as ancas de uma solidão tão massificada, carimbando
Na tez do silêncio uma tristeza vorazmente replicada
Frederico de Castro
184
Erosão do tempo

No solo do tempo escalda esta
Solidão quase comburente, até sedimentar
A crosta deste silêncio tão interferente
Erosivo cada lamento dilapida uma emoção
Passageira, deixando nos detritos da saudade
Cada lembrança rugindo com muita cumplicidade
Neste colapso de silêncios muito ecológicos
Desertificam-se ilusões, decompõem-se horas
Que depois tombam no enrocamento de mil paixões
Na laguna da manhã espirra uma maresia esquizofrénica
Desfragmenta-se no areal dos sonhos mais erosivos, até
Deixar uma fissura homogénea neste sorriso tão expansivo
Frederico de Castro
163
Brisa forasteira

O sabor das manhãs vadias encarceram
Uma brisa luzidia, descobrindo em cada
Olhar um sorriso, uma caricia cheia de ousadia
Assim fugidio o dia, empoleira-se num gomo
De luz altivo, pleno de luminescências que
Renascem mágicas… cheias de melodias
Deixemos as memórias resguardadas
Numa saudade quiçá escorregadia, mas
Renovada a cada esperança mais sadia
Fechadas no invólucro dos mais nobres
Sentimentos é hora de libertar as inocentes
Palavras, sentidas, absolvidas…enaltecidas
É tempo de esterilizar a solidão, solidificar cada
Interminável emoção, deixando na retina do silêncio
Ardentemente inusitado, um beijo deveras tão cogitado
Frederico de Castro
179
Neste fecundo silêncio

Sedosa a manhã ilustra a solidão que
Se exila além num montão de lamentos
Remando na maresia dos meus desapontamentos
Um fiel gomo de luz deixa sua primogenitura entregue
A um fecundo silêncio que nasce quase ensurdecedor
Aconchegando este verso tão enamorado e inspirador
Abro a mochila dos meus desejos e reconstruo a
Memória escorregando pela madrugada acolhedora
Até se afogar numa onda singrado tão pacificadora
Descalço o poente aninha-se agora a uma escuridão
Refrescante e avassaladora, ungindo cada palavra
Que resvala numa rima absurdamente arrebatadora
Frederico de Castro
181
Metamorfose de murmúrios

Desintegrou-se a manhã numa metamorfose
De silêncios sempre afáveis…quase suplicantes
Amansam aquelas brisas que ronronam tão pujantes
Cada resquício de solidão cogita uma redenção
Quase desesperada, torneando a espessura de
Muitos lamentos deixados ali em escravatura
No fim dos tempos sei que permanecerão
Intactas tantas memórias entusiásticas, deixando
A arfar muitos silábicos beijos tão empáticos
Sem protestos cada hora deixa um promiscuo
Minuto silenciado, para que numa oração compungida
A fé alimente esta esperança esplêndida e estrugida
Frederico de Castro
176
Infinito...tão distante

Enquanto a noite se embebeda de breus
Nocturnos, de mansinho unifica toda esta
Galáxia estirada no leito de uma onda desvairada
Enquanto a noite solidifica uma ilusão excitada
Espirra além um gomo de luz que premeditado se
Esgueira tão temerário…literalmente velário
Enquanto uma hora cada um dos seus segundos nina
Bolina pelo oceano uma brisa empolgante
Esparramando no silêncio um eco embriagante
No infinito distante sangra a solidão que hereditária
Se revela numa sinfonia de lamentos circunavegantes
Até se afogarem naquela hora tão empolgante
Frederico de Castro
176
Passadiço dos silêncios

No passadiço da solidão esvai-se um poente
Qual lamento rechaçado pela ilusão tão mercenária
Até desfalecer numa hora quase centenária
Indolor o silêncio afaga um eco quaternário
Musicando um naipe de oitavas arbitrárias
Dançando numa rima feliz e tão gregária
Extraordinariamente enamoradas duas caricias
Circundam o leito onde a noite marcha num
Silêncio demasiadamente autoritário
A dois quilómetros da solidão qualquer sonho
Estrebucha numa falida memória quase reaccionária
Deixando parida uma saudade excessivamente totalitária
Frederico de Castro
212
O luto e o silêncio

Vestiu-se de negro a noite
Mastigou um encardido gomo
De luz que fenece tão aturdido
Despediu-se a alma da vida
Até deixar corroídos todos
Estes silêncios muito contundidos
O luto e o silêncio fazem as pazes
Acomodam-se a um perpendicular lamento
Ruminando uma súplica deveras tão marginal
Diluem-se algumas lágrimas ante o púlpito
Desta solidão que chega quase tridimensional
Enterra-se um inconsútil eco tão extra sensorial
Sorvo da tristeza pequenas verticalidades contidas
Num lamento desproporcional, até que, na ressurreição a
Eternidade devolva a vida que anelamos de forma tão passional
Frederico de Castro
167
Comentários (3)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.