heitorblesa

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Sou um esteta e amante do conhecimento que habita um planeta conhecido como Terra, que é o terceiro planeta dum sistema solar localizado numa posição da periferia da Via Láctea, conhecida como Braço de Órion, distante cerca de 26 mil anos-luz do centro galáctico.

Perfil
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Paradoxo substancial

A constatação da minha inscícia
ante a plenitude de luminância
do Cosmo em completa exuberância
aflige-me como perversa sevícia.
 
A cada estrela que tenho notícia,
reconheço a minha irrelevância
de matéria bariônica, substância,
exterminável sem laivos de nequícia.
 
No entanto, exulto de alegria
por ser partícipe na epifania
do surgimento da vida planetária.
 
Em que cada molécula solitária
aglutinou, mudando sua essência;
E hoje, contém do Cosmo consciência.
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Poemas

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Paradoxo substancial

A constatação da minha inscícia
ante a plenitude de luminância
do Cosmo em completa exuberância
aflige-me como perversa sevícia.
 
A cada estrela que tenho notícia,
reconheço a minha irrelevância
de matéria bariônica, substância,
exterminável sem laivos de nequícia.
 
No entanto, exulto de alegria
por ser partícipe na epifania
do surgimento da vida planetária.
 
Em que cada molécula solitária
aglutinou, mudando sua essência;
E hoje, contém do Cosmo consciência.
194

A beleza da Vida

Nas imensidões astronômicas,
poucos são os planetas
propícios à eclosão de gametas
com complexas estruturas atômicas.

Todas as variações cromossômicas,
conhecidas, aparecem em silhuetas
imperceptíveis aos não estetas
das maravilhas anatômicas.

Que seguem lindos padrões,
evolutivamente selecionados
das miríades de possíveis mutações.
 
As quais por gerações se refizeram
em detalhes finamente ajustados
E, hoje, beleza magistral exuberam.
195

Dualidade

O meu corpo frágil, inerme,
Que herdei dos meus ancestrais
Que foram ferozes animais,
Sucumbe até mesmo ante um germe.

Dentro e fora da minha epiderme
Há uma pletora de sinais
Que nem com produtos medicinais
Consigo me defender de um verme.

Contudo, esse meu estado de vulnerabilidade
Não é um estado de decadência,
Mas uma afirmação da minha humanidade.

Com isso, tenho plena consciência
Que, a despeito de toda fragilidade,
Sou uma maravilha da existência!
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As três dimensões do Sentido

Se a vida não lhe parece fazer sentido
Saiba que assim o é, pois o deveria ser.
Não há nenhum roteiro a ser seguido,
Tua própria história tu deves escrever.
 
Se não valoras o que tens sentido
Desprezando todo o teu querer,
Vais viver do mundo escondido
E seus significados nunca poderá entender.
 
A vida é bela e vale a pena ser vivida
Não desista, nem reclames
Por mais que pareça estar ruída
 
A tua história não está concluída.
Erga-te e o teu percurso reprogrames,
Que verás o quão ainda pode ser divertida, a vida!
187

A Vertigem

Sofro uma vertigem sincóptica
Ao contemplar a natureza
Da tua feérica beleza
Oh! Criatura hipnótica.

A tua rosicler face gótica
É um engodo de singeleza
Que dissimula sua cruel frieza
De besta fera robótica

Que me deixa paralisado
Como um ébrio extasiado
Pensativo num gélido entardecer:

“Por que tu estás distante
Do meu abraço amante
Que anseia nos aquecer?”
200

Amazônia

O flagelo que aflige o meu povo
com dores excruciantes e asfixia,
é algo com o qual eu me comovo.
Não suporto mais esta pandemia.

Quero a felicidade de um dia novo,
mas sou impedido pela hipocrisia
daqueles que se dizem um renovo,
mas são representantes da vil tirania.

Para eles nenhum tipo de evidência
encontrada pelos esforços da ciência
parece fazer algum sentido ou importar.

Governam com maestria na incompetência
nos fazendo viver uma ironia, uma incongruência:
“O pulmão do mundo não consegue respirar”.
117

Caminhando no Escuro

Em uma noite fria
uma fogueira estava a queimar.
Este fogo ardia numa caverna
que alguém as paredes começou arranhar.
 
Aqueles riscos e rabiscos
formas eternas começaram nas rochas deixar.
Insígnias das coisas e seres
que aquele ser impressionado que as via
queria de alguma forma demonstrar.
 
Imprimir o que impressiona.
Exaurir o peso que sob os ombros pressiona.
Fixar o passageiro.
Lembrar o esquecido.
 
De lá a cá
muitos  anos se passou.
Nos movimentos da dança entre a Terra e o Sol,
esse passo continuou.
 
Eu homem numa Selva de Pedra estou.
A porta da minha casa não possui mais seres
que sobre a minha carne deseja os dentes amolar.
Pior!! Aqueles que perto estão
são os que querem me devorar.
 
O que dizer?
O que contar?
Se dentro de uma Selva de Pedra
não há coisas firmes e robustas
as quais eu possa me expressar.
 
O que sobra a mim
é o sangue das árvores.
Frágil, maleável e marcado,
assim como eu.
 
A minha caverna na Selva de Pedra
parece me isolar, proteger e guardar.
Mas ela não me deixa alheio
aos seres que ao redor estão a perambular.
Será que como os meus ancestrais, eu devia com
tais seres me importar?
 
Por que ter o peso deles em mim?
Ter suas imagens fixas em minha mente?
Lembrar sempre de suas maneiras de agir ao alvorecer?
Pensar em algo para com eles fazer?
 
Com isso eu quero o poder do caçador?
A glória do guerreiro?
A honra do Líder?
Os recursos do vencedor?
 
O que do mundo importei pra mim,
é realmente o que me importa?
Será que importa exportar o que importado foi?
A quem de interesse será o que há em mim?
A você? Aos meus pais? Meus irmãos e familiares?
Aos amigos, amantes, vizinhos e viajantes?
Não importa.
 
Questões e pensamentos,
Arrazoações dos sentimentos.
Tudo para manifestar, por riscos e rabiscos,
eletrônicos, as coisas que estão a mim assustar.
 
O que seria viver se eu não me importasse?
Se, as experiências que vivo não tivessem nenhum valor?
Se, as pessoas que estão ao meu redor fossem vistas como um nada,
um ser outro que não eu?
Eu simplesmente as Mataria? Escravizaria? Exterminaria?
 
No baile galáctico, onde a terra e o Sol brincam,
os homens essas questões tiveram que enfrentar.
Muitos tropeçaram nos passos,
outros, poucos, um show a humanidade vieram dar.
 
Nessa luta da sobrevivência, dessa guerra travada.
Dos homens contra si mesmos, das almas cansadas.
Muito sofrimento foi gerado e vidas são despedaçadas.
 
Mas mesmo em tal guerra há compasso,
há calor nos choques, ouvindo-se
assim algo como um ritmo a tocar.
 
São as batidas dos corações, revelando em cada Ser através das pulsações
a vida tentando majestosamente mais tempo poder contemplar
Os movimentos que todo o Universo está a bailar.
 
Oh caverna ingrata que meus sentimentos quer prender.
Não ficarei preso em seus recintos com as gravuras sombrias
daqueles que me importam.
Exportarei de suas portas o que o mundo imprimiu em mim.
Verei a luz que brilha lá fora e deliciar-me-ei
com as coisas em sua plenitude.
Encararei o mundo como é e não como de dentro de ti eu o via.
Que o fogo das minhas palavras queime nesse papel e ilumine
a minha visão enquanto eu estiver em ti.
Para assim poder ver que preso em sua escuridão
estou acostumando-me com a imobilidade mortal.
A luz que há fora de ti permite-me visualizar os movimentos
e esbarrões da guerra/dança da sobrevivência
e que enfrentar essa situação
é a Arte de Viver.  
127

Jornada Cósmica

Quando eu ligava as estrelas com pontos
Garatujando no céu sonhos e devaneios
Que se traduziam em sublimes contos
Onde eu podia expressar os meus anseios
 
Eu não imaginava quantos confrontos,
Quantas batalhas e quantos bombardeios
Eu teria que enfrentar sem descontos
Para garantir da sobrevivência, os meios.
 
Me deixei iludir pelo brilho das estrelas
E me que esqueci que o espaço é escuro,
É frio e é solitário. A definição de inseguro. 
 
Hoje, no entanto, eu ainda não fechei as minhas janelas,
Pois embora viver neste Universo seja algo obscuro,
Sonhar com as estrelas me direciona para o futuro.
117

A Lição

Não precisei residir no degredo
nem testemunhar dias tenebrosos
para viver momentos dolorosos
que me deixaram aflito e com medo.

Entendi assim que há na vida um segredo
oculto em lugares misteriosos
acessíveis aqueles corajosos
que ousam percorrer o próprio penedo.

— “A vida é um curso de tragédias
     que nos colocam diante um conflito:
     Ter ações ou nos render às acédias?”

Ninguém irá encontrar algo escrito
nos livros sãos e nas enciclopédias
como resposta para isto que edito.
113

Caminhante

São dias, hoje, distantes
aqueles os quais vivi
como os flâneurs¹, errante,
na cidade em que nasci.
De poucas coisas me lembro
desse povo que fui membro,
mas é difícil esquecer
os olhares perpetrados²
por juízos antolhados³
mirando me envilecer⁴.
 
Do centro aos arrabaldes⁵
vi na faina⁶ desse povo,
sob o sol e tempestades,
a busca por um renovo.
Um anseio por mudança,
próprio da esperança,
mas não para o bem fazer.
Era algo de vilania,
típico da tirania
desejosa pelo poder.
 
- Ocorreu-me uma certa vez,
perambulando as ruas
sem pressa e sem rapidez,
pela tarde, lá pras duas,
entrar em uma boa loja
e vê que algo enoja
aos transeuntes do local.
- Era a minha presença
sem real anuência
dos guardiões da moral.
 
O meu corpo foi medido
dos pés até a cabeça,
como para ser vendido
a quem preço ofereça.
Um animal em exposição
sujeito a torpe visão
dos que atribuem meu valor
não pelo ser vivo que sou,
mas pelo que se formulou
dos corpos o exterior.
 
- No mundo do atacado
em que nada é pessoal,
fui como todos, taxado,
por um contexto social.
Eu não era mais um eu,
sim algo que se escreveu.
Não vêem como pessoa
A mim. Sou tipo um monstro
E nada do que demonstro
Tornam a mim coisa boa.
 
- “Do mal representante
Meu destino é a morte
E desse pesar tocante
Nem me liberta a sorte.
Eu já vim ao mundo assim
E o serei até o fim”.
- O único erro crasso⁷
dos meus opositores
é que dos meus valores
eu jamais deles desfaço.
 
Essa falta de verdade
Nesse ar condescendente
Torna toda essa gente
Contra a autenticidade.
- Na terra do nevoeiro,
de íncola⁸, estrangeiro
é o como sou medido,
nem pelos meus ancestrais,
in memoriam, sou jamais
nessa terra fria querido.
 
- Sentei-me e tomei um chá.
- Nesta terra me formei
sem muitas chances ter, quiçá
as condições que sonhei,
mas hoje em retrospecto
vejo todo meu trajecto
e entendo o que passei,
não eram simples avenidas
eram lições adquiridas
dos povos por onde andei...
 
Aprendi a valorizar
tudo que realmente sou
assim como em paz amar
aqueles que me magoou.
Nunca que eu saberia
a diferença que havia
em mim, sem que por eles não
o fosse. Por isso feliz
afinco minha sã raiz
nas profundezas desse chão
 
Tornando-me estandarte
do ideário humano
para conquistar destarte
o delírio insano
de que todo diferente
não tem direitos de gente
e sempre são ameaça.
Onde eu andar, levarei
esse saber, tanto ao rei
como aos jovens na praça!
117

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