Lista de Poemas
A Lição
Não precisei residir no degredo
nem testemunhar dias tenebrosos
para viver momentos dolorosos
que me deixaram aflito e com medo.
Entendi assim que há na vida um segredo
oculto em lugares misteriosos
acessíveis aqueles corajosos
que ousam percorrer o próprio penedo.
— “A vida é um curso de tragédias
que nos colocam diante um conflito:
Ter ações ou nos render às acédias?”
Ninguém irá encontrar algo escrito
nos livros sãos e nas enciclopédias
como resposta para isto que edito.
nem testemunhar dias tenebrosos
para viver momentos dolorosos
que me deixaram aflito e com medo.
Entendi assim que há na vida um segredo
oculto em lugares misteriosos
acessíveis aqueles corajosos
que ousam percorrer o próprio penedo.
— “A vida é um curso de tragédias
que nos colocam diante um conflito:
Ter ações ou nos render às acédias?”
Ninguém irá encontrar algo escrito
nos livros sãos e nas enciclopédias
como resposta para isto que edito.
102
Caminhando no Escuro
Em uma noite fria
uma fogueira estava a queimar.
Este fogo ardia numa caverna
que alguém as paredes começou arranhar.
Aqueles riscos e rabiscos
formas eternas começaram nas rochas deixar.
Insígnias das coisas e seres
que aquele ser impressionado que as via
queria de alguma forma demonstrar.
Imprimir o que impressiona.
Exaurir o peso que sob os ombros pressiona.
Fixar o passageiro.
Lembrar o esquecido.
De lá a cá
muitos anos se passou.
Nos movimentos da dança entre a Terra e o Sol,
esse passo continuou.
Eu homem numa Selva de Pedra estou.
A porta da minha casa não possui mais seres
que sobre a minha carne deseja os dentes amolar.
Pior!! Aqueles que perto estão
são os que querem me devorar.
O que dizer?
O que contar?
Se dentro de uma Selva de Pedra
não há coisas firmes e robustas
as quais eu possa me expressar.
O que sobra a mim
é o sangue das árvores.
Frágil, maleável e marcado,
assim como eu.
A minha caverna na Selva de Pedra
parece me isolar, proteger e guardar.
Mas ela não me deixa alheio
aos seres que ao redor estão a perambular.
Será que como os meus ancestrais, eu devia com
tais seres me importar?
Por que ter o peso deles em mim?
Ter suas imagens fixas em minha mente?
Lembrar sempre de suas maneiras de agir ao alvorecer?
Pensar em algo para com eles fazer?
Com isso eu quero o poder do caçador?
A glória do guerreiro?
A honra do Líder?
Os recursos do vencedor?
O que do mundo importei pra mim,
é realmente o que me importa?
Será que importa exportar o que importado foi?
A quem de interesse será o que há em mim?
A você? Aos meus pais? Meus irmãos e familiares?
Aos amigos, amantes, vizinhos e viajantes?
Não importa.
Questões e pensamentos,
Arrazoações dos sentimentos.
Tudo para manifestar, por riscos e rabiscos,
eletrônicos, as coisas que estão a mim assustar.
O que seria viver se eu não me importasse?
Se, as experiências que vivo não tivessem nenhum valor?
Se, as pessoas que estão ao meu redor fossem vistas como um nada,
um ser outro que não eu?
Eu simplesmente as Mataria? Escravizaria? Exterminaria?
No baile galáctico, onde a terra e o Sol brincam,
os homens essas questões tiveram que enfrentar.
Muitos tropeçaram nos passos,
outros, poucos, um show a humanidade vieram dar.
Nessa luta da sobrevivência, dessa guerra travada.
Dos homens contra si mesmos, das almas cansadas.
Muito sofrimento foi gerado e vidas são despedaçadas.
Mas mesmo em tal guerra há compasso,
há calor nos choques, ouvindo-se
assim algo como um ritmo a tocar.
São as batidas dos corações, revelando em cada Ser através das pulsações
a vida tentando majestosamente mais tempo poder contemplar
Os movimentos que todo o Universo está a bailar.
Oh caverna ingrata que meus sentimentos quer prender.
Não ficarei preso em seus recintos com as gravuras sombrias
daqueles que me importam.
Exportarei de suas portas o que o mundo imprimiu em mim.
Verei a luz que brilha lá fora e deliciar-me-ei
com as coisas em sua plenitude.
Encararei o mundo como é e não como de dentro de ti eu o via.
Que o fogo das minhas palavras queime nesse papel e ilumine
a minha visão enquanto eu estiver em ti.
Para assim poder ver que preso em sua escuridão
estou acostumando-me com a imobilidade mortal.
A luz que há fora de ti permite-me visualizar os movimentos
e esbarrões da guerra/dança da sobrevivência
e que enfrentar essa situação
é a Arte de Viver.
113
A mudança climática
Para além das montanhas
do norte, do horizonte,
vivem pessoas estranhas
que não habitam os montes.
Delas meu pai me contava
e eu sempre escutava.
Ficava maravilhado
com aquelas aventuras
nas planícies, nas alturas,
e me sentia ousado.
No lugar em que vivemos
a rotina é constante,
o que plantamos, comemos.
Ô fruto excruciante!
Não gosto que seja assim,
mas não existo só por mim.
Vivo por todo meu povo
que trava suas batalhas
pra não viver de migalhas
almejando um renovo.
A nossa vida pacata
foi toda modificada
após a infeliz data
da tétrica¹ temporada
dum frio avassalador
que em todos grassou² pavor.
Os velhos e as crianças
foram logo abrigados
e os animais, cuidados,
prontos para as mudanças.
Das mais diversas direções,
vindos de incógnitos clãs,
surgiram muitos aldeões
atrás de nossas anciãs
pra lhes treinar coser frisas³
e assim suster as brisas
de lhes lancinar a nudez
enquanto se preparavam
e comida estocavam
pra enfrentar a escassez.
Tal intercâmbio cultural
trouxe oportunidades
de crescimento pessoal
para todas as idades,
por elevar os saberes
sobre os seus afazeres
ao nível de ciência
que engendra benefícios
para todos os ofícios
que exigem sapiência.
Mas o povaréu sem pejo⁴,
não com tudo satisfeitos,
incitaram o desejo
de mudarem os preceitos
que através de gerações
somos os zelosos guardiões,
causando por alvedrio⁵
uma tensão intergrupal
em nosso laço social
para enfrentar o frio.
O embate suscitado
evolou à recordação
um acordo assinado
entre os chefes de então.
Com ele haveria paz
para todo homem capaz
de cumprir as sagradas leis
que desde eras vetustas⁶
são conspícuas muito justas,
mesmo entre grupos sem reis.
O vexame hodierno
é que os jovens não sabem
o que os tornou modernos.
Talvez o mundo acabem
por reproduzir os erros
que causaram mil enterros.
Nem o frio nem o calor
causam danos veementes
quão tão incultas mentes
das atrozes lendas da dor.
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